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O país cresce mas isso não se traduz em grandes benefícios para quem trabalha. A precariedade herdada da Governação PSD/CDS-PP não foi revertida. Velhos contratos de trabalho efetivo vão sendo substituídos por novos precários, puxando para baixo o nível salarial, na sua generalidade.

Nos últimos 2 anos e meio foram criados mais de 200 mil empregos. Dos 3,3 milhões de contratos firmados desde, Outubro de 2013, apenas se mantêm

vigentes 1,1 milhões ? cerca de um terço. Ou seja, 67% dos contratos assinados, desde Outubro de2013, são contratos precários. Portugal é mesmo o país com a terceira maior taxa de população precária da União Europeia (UE). Infelizmente, é caso para dizer que Portugal está no pódio dos campeões europeus da precariedade.

Cerca de 12% da população portuguesa empregada trabalha a tempo parcial. São cerca de 400 mil trabalhadores que ou conjugam o trabalho com os estudos, ou têm de recorrer a um conjunto variado de empregos a tempo parcial ou que vivem no limiar da sobrevivência por não conseguirem arranjar um trabalho a tempo inteiro.

Os trabalhadores com contratos a termo são 728,7 mil e com um vínculo de prestador de serviços são 139,7 mil. No último ano (2017), o peso dos contratos a prazo e dos recibos verdes no total dos empregos por conta de outrem era de 21,9%[1]. Como se não bastasse, em Portugal, os horários de trabalho são dos mais extensos na UE.

 

 Perante este cenário o que propõem o FMI e a Comissão Europeia para Portugal?

 Mais facilidade em despedir, ou seja, mais contratos de trabalho precários[2]. O alvo são os trabalhadores com contratos permanentes e, portanto, situações mais estáveis. A Comissão Europeia e o FMI pretendem, na verdade, massificar a precariedade por toda a classe trabalhadora como forma de aumentar os lucros das grandes empresas.

  

Perante as diretrizes da UE e do FMI, o que faz o Governo PS?

O Governo PS, apoiado pelo BE e PCP, não revogou as medidas da Troika e do Governo da direita. Uma dessas medidas é a manutenção da caducidade da contratação coletiva, uma das formas que o Governo da direita mais utilizou para precarizar a classe trabalhadora.

No passado mês, em sede de Concertação Social, o Governo chegou a acordo com os patrões e a UGT, para fomentar ainda mais a precariedade do mercado de trabalho português.

Se não vejamos, os contratos de curta duração passam de um período máximo de 15 para 35 dias e podem ser celebrados em qualquer sector de actividade. Estende-se não só o período de contratos de curta duração como se alarga a precariedade a mais setores, além dos que já estavam contemplados, sob condições muito específicas (turismo e agricultura).

Sob o pretexto de ?combate à precariedade?, aprovaram que as empresas que utilizem sistematicamente a contratação temporária e em que a média de contratação temporária do seu sector seja ultrapassada, paguem uma taxa anual de aproximadamente 2% sobre a massa salarial dos trabalhadores. Contudo, os contratos de curta duração estão fora do cálculo daquela média? logo, a punição das empresas torna-se mais difícil. A isto junta-se a proposta de que o período experimental seja duplicado de 90 para 180 dias.

Em suma, é visível que as alterações ao Código do Trabalho, que o Governo PS aprovou, com o apoio dos patrões e da UGT, em vez pôr um fim à precariedade, acaba por potenciá-la.

 

 O que é necessário fazer para combater a precariedade?

Neste contexto são precisas medidas que combatam efetivamente a precariedade. A primeira é a revogação das Leis Laborais do Governo da direita e da Troika. Para além disso, defendemos as seguintes propostas:

 

Fim da caducidade da contratação coletiva!

A caducidade dos contratos coletivos visa destruir a vantagem e a força que o direito à negociação coletiva atribui aos trabalhadores, bem diferente da negociação contratual individual, que quebra a força da negociação coletiva e empurra cada trabalhador a aceitar as condições que lhe são impostas individualmente pelo patrão. Esta foi uma das formas mais nefastas que o Governo da direita e da Troika arranjaram para retirar direitos aos trabalhadores.

A contratação coletiva é dos instrumentos mais democráticos pois permite que a relação de forças entre o patronato e os trabalhadores seja mais equivalente e não tão desproporcional como na contratação individual, entre entidade patronal e trabalhador isolado. Para além disso, estabelece as mesmas condições e benefícios para trabalho igual, sem distinção de sexo, religião ou etnia. A possibilidade da entidade patronal poder despoletar a caducidade da contratação coletiva é mais uma forma de colocar a balança a favor dos patrões em detrimento dos trabalhadores. Logo, é preciso acabar com as atuais regras de caducidade dos contratos coletivos como uma das formas de estancar a proliferação da precariedade.

 

 Fim das Empresas de Trabalho Temporário (ETT´s)!

Em 2015, existiam 231 empresas autorizadas a prestar serviços de trabalho temporário. É um setor crescente no mercado de trabalho português. A facturação destas empresas não pára de crescer. E o que é que estas empresas realmente fazem? Qual o seu negócio? Basicamente, são intermediários de mão-de-obra, equiparando pessoas a uma qualquer outra mercadoria. Oferecem serviços de ?recrutamento? ou ?colocação de trabalhadores? a outras empresas. Na prática, como intermediários que são, ?recrutam? trabalhadores, ?colocam-nos? a trabalhar nos mais variados setores, sob condições muitas vezes deploráveis, e apropriam-se de boa parte do seu salário, como contrapartida do seu serviço de ?recrutamento?. É caso para dizer que belo negócio. Além disto, estas empresas, denominadas de trabalho temporário, ?colocam? trabalhadores a fazer trabalho permanente passando como trabalho temporário. Estas empresas não passam de sanguessugas dos salários dos/as trabalhadores/as e são um dos mais eficazes mecanismos de precarização do trabalho. É preciso acabar com elas!

 

 Trabalho permanente, contrato efetivo! Efetivação ao fim de um ano de trabalho!

Como está demonstrado, a precariedade não pára de crescer. E perante esta situação alarmante é preciso coragem para avançar com medidas que protejam os/as trabalhadores/as. Uma delas é a obrigatoriedade de efetivação ao fim de um ano de trabalho. Basta de renovações sucessivas de contratos precários. Chega da incerteza e ansiedade que gera nos/as trabalhadores/as não se saber como vai ser o dia de amanhã. As e os trabalhadores necessitam de estabilidade para viver dignamente, com qualidade.



Fonte: http://www.mas.org.pt/index.php/nacional/nacional/1606-fim-da-caducidade-dos-contratos-coletivos-fim-das-empresas-de-trabalho-temporario-etts-efetivacao-ao-fim-de-um-ano-de-trabalho.html

helsinquia
Na segunda-feira (16), o presidente norte-americano Donald Trump, depois de passar pelo Reino Unido, terminou seu giro na Europa ao se reunir com o presidente russo, Vladimir Putin, na cidade de Helsinki, capital da Finlândia. Esta foi a primeira vez que os dois presidentes se encontraram para uma reunião bilateral oficial desde que Trump se elegeu. A recusa de Trump em admitir a interferência russa nas eleições de 2016, como afirma a CIA e o FBI, gerou duras críticas ao presidente dentro dos Estados Unidos.

 

Encontro sob bombardeio

Alguns dias antes do encontro, na sexta feira (13), o conselheiro especial do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Robert Mueller, responsável por investigar uma possível interferência da Rússia nas eleições presidenciais de 2016, denunciou 12 oficiais militares russos por terem hackeado o e-mail do comitê de campanha de Hillary Clinton, do Partido Democrata.

Supostamente, após obter os e-mails, estes oficiais os enviaram para publicação no site WikiLeaks. Neles continham informações sobre o favorecimento ilegal do alto escalão do Partido Democrata à Clinton em detrimento de Bernie Sanders, durante as prévias do partido para escolher seu candidato à presidência. Os democratas afirmam que esse vazamento foi crucial para a derrota de Hillary frente à Trump, em 2016.
Este novo indiciamento gerou diversas críticas em Washington, tanto pelo Partido Democrata quanto pelo Republicano, incidindo sobre a reunião desta segunda entre Trump e Putin. Muitos pressionaram para que ela fosse cancelada e que o presidente exigisse de Putin a extradição imediata dos 12 oficiais militares em questão.
Contudo, ao invés de criticar Putin sobre o resultado das investigações, Trump descreditou o trabalho de Mueller e o acusou de executar uma ?caça às bruxas? contra seu governo. Em um tweet, na segunda-feira de manhã, o presidente afirmou que ?nossa relação com a Rússia nunca foi tão ruim graças a muitos anos de tolice e estupidez norte-americana e agora, a manipulada ?caça às bruxas??.

 

Temas espinhosos, acordos sigilosos

Finalmente, o encontro ocorreu sob portas fechadas e durou cerca de 2 horas. De acordo com a entrevista concedida por ambos no final do dia, os principais temas discutidos foram a Coréia do Norte, Ucrânia, Síria, Israel, Irã e terrorismo.

Todavia, não se sabe especificamente o que foi acordado em relação a todos estes pontos. Se algum acordo foi feito entre os presidentes durante sua reunião às portas fechadas, possivelmente isso só se saberá nos próximos nos próximos dias ou semanas.

O que foi repassado por ambos na coletiva de imprensa que ocorreu em seguida, permaneceu no geral, com os chefes de estado se esquivando de todas perguntas concretas sobre as iniciativas futuras. Nela, os presidentes mencionaram esforços conjuntos para desnuclearizar a Coréia do Norte, atingir a paz na Síria e apoiar Israel, mas sem entrar em detalhes.

Em relação à Ucrânia e Irã, confirmaram os desacordos, mas ficaram de manter canais de diálogo abertos sobre os temas. Entretanto, o principal assunto da entrevista foi a investigação sobre a interferência russa nas eleições norte-americanas de 2016.

Putin declarou que ?o estado russo não interferiu e nunca irá interferir em assuntos internos dos Estados Unidos? e negou a extradição dos 12 oficiais indiciados na sexta-feira. Contudo, o presidente afirmou que, caso seja requerido, irá permitir que Robert Mueller vá à Rússia interrogá-los pessoalmente.

Para que isso ocorra, em contrapartida, os Estados Unidos deveriam permitir que autoridades russas interrogassem norte-americanos investigados por atividades ilegais em seu território. O governo da Rússia afirma há anos que, sob o comando de Hillary Clinton, oficiais dos EUA interferiram nas eleições de 2012 contra Putin. Esta condicionante jamais seria aceita pelos Estados Unidos, como o presidente russo bem sabe.

Putin, no entanto, afirmou que, apesar de não ter interferido nas eleições, apoiou a candidatura de Trump em 2016 por ele defender a normalização das relações Estados Unidos-Rússia, que na época incluía a manutenção de Bashar al-Assad na Síria e o reconhecer a Crimeia como território russo.

 

Relações com a Rússia: zig-zags e nova crise

Depois de chegar na presidência, Trump terminou abandonando a efetivação da política de aproximação da Rússia defendida por ele na campanha eleitoral. Sofreu forte pressão, tanto internamente, dentro do Partido Republicano, quanto do judiciário, que investiga uma possível coordenação entre seu comitê de campanha e os hackers russos. Isso lhe custou a renúncia de secretários como, por exemplo, o ex-Conselheiro de Segurança Nacional Michael Flynn e o ex-Estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon.

Apesar disso, em relação às investigações, Trump afirmou acreditar no presidente russo, pois, apesar de ter ?muita confiança em seu departamento de inteligência?, ?Putin foi extremamente forte e poderoso hoje em sua negação?. Desacreditar os próprios serviços de inteligência norte-americanos ? CIA e FBI ? em prol da palavra de um chefe de estado estrangeiro, gerou graves repercussões negativas para Trump nos EUA.

Em menos de hora após sua coletiva de imprensa, Trump foi altamente criticado por membros do Partido Republicano, como os senadores John McCain, Richard Burr, Marco Rubio e Lindsey Graham, assim como o presidente da Câmara dos Deputados Paul Rayan. Todos afirmaram que a interferência russa nas eleições de 2016 é um fato, e que Trump foi infeliz ao apresentar Putin como um ?amigo?.

John Brennan, ex-diretor da CIA, afirmou que a entrevista de Trump configura como ?traição?, uma vez que atesta contra o que diz ambos os serviços de inteligência do país baseado na palavra de um presidente estrangeiro. William Burns, ex-embaixador norte-americano em Moscou, declarou que Trump protagonizou o episódio mais vergonhoso dos EUA na política internacional.

Os democratas, de olho nas eleições legislativas de novembro, sedentos por ver o atual presidente republicano sangrando politicamente, voltaram a circular rumores de impeachment. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que nunca um presidente norte-americano se curvou à um inimigo nacional como Trump fez com Putin.

 

Um alinhamento improvável

O fato é que Trump tem uma política para a Rússia diametralmente oposta daquela do establishment do partido Republicano e Democrata. Para ele, é necessário estabelecer uma parceria estratégica com os russos para o combate ao verdadeiro inimigo dos EUA no século XXI: a China.

Essa tese é defendida pelos setores ?realistas? da política externa norte-americana, como o teórico John Mearsheimer e o ex-ministro de relações exteriores Henry Kissinger, que atua esporadicamente como conselheiro de Trump em assuntos externos. A condicionante para esta parceria seria o reconhecimento norte-americano da Crimeia como território legalmente russo. Muitos políticos dos EUA temiam que Trump pudesse fazer uma concessão à Putin nestes termos durante o encontro de segunda.

Contudo, este setor pró-Rússia é minoritário na política norte-americana e também no gabinete de Trump, fazendo com que o atual presidente não consiga colocar esta política em prática. Não por acaso o substituto do pró-russo Michael Flynn foi o general H R. McMaster, marcadamente defensor de políticas agressivas à Rússia.

Após a controvérsia gerada pelo seu encontro com Putin nesta segunda, Trump deve manter as diretrizes do establishment republicano e os EUA devem permanecer com sua política agressiva em relação à Rússia. A promessa de um ?novo futuro? na relação entre os dois países muito provavelmente irá continuar no campo da retórica e das intenções.


Victor Amal, de Berlim, Alemanha - Esquerda Online



Fonte: http://www.mas.org.pt/index.php/internacional/mundo/1605-encontro-trump-putin-aumenta-crise-interna-nos-eua.html

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O terceiro "plano de resgate" da Grécia (Memorando de Entendimento) será concluído em agosto, embora ainda não tenha saído da crise, como demonstrou claramente Jacques Adda. O acordo "final" concluído entre a Grécia e os seus credores baseia-se em três ambiguidades: visa eliminar os efeitos sociais de cerca de dez anos de austeridade cega; baseia-se em perspetivas económicas incoerentes; em resumo, estabelece uma tutela indefinida da Grécia.

 

Novilíngua Europeia

O acordo foi recebido com comentários que expressam um alívio obsceno, selevarmos em conta o estado de desastre no país. O prémio pertence certamente aPierre Moscovici, que não hesita em escrever no seu blog 2 /: "ComoUlisses volta para Ithaka, a Grécia finalmente chega ao seu destino, hoje, dezanos após o início de uma longa recessão pode finalmente respirar, olhar para ocaminho percorrido e contemplar o futuro com confiança novamente ". É ocoice de burro a um povo que foi deliberadamente maltratado, e estademonstração de auto-satisfação tem algo de intolerável. O Comissário congratula-se com os sacrifícios do povo grego que foram necessários pararemover "o maior perigo desta odisseia" que, para ele, não eram apobreza, desemprego, doença, suicídio ou exílio, mas o "monstro chamadoGrexit".

O "relatório de conformidade" (Relatório de Conformidade 3 / -) daComissão Europeia é também uma longa aprovação que descreve, ponto por ponto, aboa aplicação pelo governo grego das condições associadas à "ajuda"recebida. Ao longo de todo este texto, a regra é uma novilíngua insuportável. Tomemos o exemplo da saúde pública: para a Comissão, "as autoridadescumpriram o seu compromisso de continuar a racionalizar os gastos globais da saúde". Esta declaração é de um cinismo assombroso, tendo em conta a situação real queé esta: "o sistema nacional de saúde grego foi desmantelado pela aplicaçãode um conjunto de medidas impostas desde 2010 pelos credores da Grécia nossetores da saúde primária, secundária e farmacêutica ", como analisado pelapesquisadora NoëlleBurgi, num artigo muito documentado 4 /.

 

Condições de vida dantescas

Uma investigação realizada em Atenas 5 / desenha uma imagem dramática dascondições de vida. 43% das famílias declaram não ter meios para pagar oaquecimento da sua casa; 52% dizem que não poderiam enfrentar uma despesaimprevista de 500 euros, 49% não têm meios para ir de férias. Seis em cada dezpessoas entrevistadas estão desempregadas, há mais de dois anos. Apenas 10% dosdesempregados têm um subsídio, 360 euros por mês.

Em Atenas, o consumo de drogas psicotrópicas multiplicou-se 35 vezes, entre2010 e 2014, os ansiolíticos baseados em benzodiazepinas 19 vezes e osantidepressivos 11 vezes. Os últimos dados foram retirados de um artigo do LeMonde Diplomatique 6 / resumindo os resultados de um estudo original realizadosobre as águas residuais da cidade.

Sob estas condições, como é que a a Grécia pode "contemplar de novo ofuturo com confiança"?

 

Estupideconomia

Se uma negação é dificilmente suportável, as projeções económicas queacompanham o acordo são, por sua vez, verdadeiramente alucinantes. O documentode referência reproduz o mesmo cenário que fracassou desde 2010. Espera-se quea Grécia mantenha um alto excedente primário, enquanto retoma o crescimento. O excedenteprimário - isto é, a diferença entre a receita e a despesa, sem contar os jurossobre a dívida - é a variável-chave, que mede a capacidade da Grécia honrar osseus compromissos. Como bom aluno, a Grécia mais do que cumpriu com esseobjetivo. Este era de 0,5% do PIB, em 2016, e foi conseguido 3,9%; em 2017 oobjetivo era 2% e atingiu-se os 4,2%.

Para agradar aos seus credores, o governo grego apresentou uma estratégiaorçamental de médio prazo aprovada pela Comissão Europeia no seu relatório deconformidade. É manifestamente delirante: o cenário postulava um crescimentoque aumenta progressivamente até 2,6% em 2020, antes de abrandar para 1,9% em2022. É claramente otimista, mas é sobretudo totalmente irracional quando aomesmo tempo o excedente primário deveria aumentar progressivamente de 3,5% doPIB em 2018 para 4,3% em 2022.

Tal previsão está totalmente fora de questão e poderíamos endereçar a fórmulautilizada pelo Tribunal de Contas Europeu no seu relatório sobre a intervençãoda Comissão na crise financeira grega 7 /: "A Comissão estabeleceuprojeções macroeconómicas e orçamentais por separado e não os integrou nummesmo modelo ". Mas acreditar que poderia haver um modelo capaz de gerartal trajetória é pura ficção. Todos os economistas sérios sabem que não se podemanter durante muito tempo este excedente primário, como o FMI assinalou em2016 na sua análise da sustentabilidade da dívida grega 8 /: "um excedenteprimário de 35% do PIB é difícil de alcançar e manter no longo prazo, particularmente após longos períodos de recessão e com um desemprego estruturalelevado".

 

Recuperação Impossível

Mais do que gastar energia a criticar os supostos erros cometidos pelos autoresdesses cenários bizarros, é melhor colocar os pés no chão e dizer que aquelesidiotas úteis não têm, no fundo, nada para fazer. Na verdade, é um objetivotecnocrático em que o que importa é o superavit primário, porque representa acapacidade da Grécia em pagar os juros. Só isso conta. A contrapartida é abusca de reformas estruturais, especialmente a redução dos gastos sociais, particularmente as reformas no caso da Grécia, bem como o bloqueio de todo oinvestimento público.

Essa trajetória é incompatível com a recuperação do crescimento. Até à crise, oinvestimento puxou para cima a produtividade horária do trabalho. Desde acrise, o seu volume diminuiu muito, recuperando apenas ao nível de 1990; e aGrécia é um dos raros países europeus, talvez o único, em que a produtividadehorária do trabalho recua, à taxa de um ponto por ano. Esta tendência seráainda mais difícil de inverter, quando as forças vivas saíram: cerca de umterço da população de 15 a 29 anos, num grande número de pessoas qualificadas, abandonou o país. Esta perda de substância agravará ainda mais o desequilíbriodemográfico e o impacto das reformas dos regimes de pensões, 9 / tanto maisquanto o número de nascimentos diminuiu desde a crise.

O comércio exterior da Grécia está hoje mais ou menos equilibrado. Mas esseresultado não foi alcançado por uma recuperação das exportações que teriam sidoadotadas pelas famosas "reformas": é o efeito mecânico da queda dasimportações durante a crise. Qualquer recuperação real levaria novamente a umdéficit devido à dependência da Grécia, particularmente em bens deinvestimento, e isso num contexto em que o capital estrangeiro seria evidentementerelutante em financiar esse déficit.

É olhando para as exportações da Grécia que se pode discernir o que estádestinado para o país. Os seus principais recursos específicos são, simplificando um pouco, a frota comercial (mas os armadores gregos pagam poucosimpostos e os portos serão vendidos pouco a pouco para grupos chineses ou deoutros países) e o turismo. Este último é mais ou menos o único setor emexpansão e representou em 2016 um quarto das exportações e 7,5% do PIB.

Segundo o relatório do WorldTravel&TourismCouncil 10 / sobre a Grécia, osefeitos induzidos do turismo na economia levaram a uma contribuição total de18,6% do PIB em 2016. Cerca de um quarto (23,4%) do emprego total estarialigado à indústria turística. A estratégia é, portanto, clara: continuemos aatrair turistas que deixam os países em risco, com preços atrativos.

 

Uma dívida insustentável

Negociações sobre a dívida grega são basicamente uma "fantasmagoria". Ninguém acreditaverdadeiramente na sustentabilidade a médio ou longo prazo da dívida grega. OFMI retirou-se do jogo porque não acredita, e até a Comissão Europeia mostroureservas discretas. O Eurogrupo faz de conta que acredita no restabelecimentoda sustentabilidade da dívida grega, pretendendo que a relação dívida / PIBdeve diminuir progressivamente de 188,6% em 2018 para 168,9% em 2020, depoispara 131,4% em 2013 e 96,8%... em 2060.

Mas isso, mais uma vez, nada mais é do que uma "roupagem" para recusar qualquernovo cancelamento da dívida. A rejeição dos credores não é baseada na confiançada validade dos seus cenários, mas é explicada pelo desejo de disciplinar o seudevedor grego. O objetivo é basicamente prover-se com os meios para recuperar omáximo de dinheiro e atrasar o máximo possível as suas eventuais perdas.

Basta para perceber isso, examinar o cronograma de maturidades da dívida queacaba de ser aprovado (é regularmente compilado pelos jornalistas do WallStreet Journal em dívida da Grécia, página 11 /). O perfil é aberrante: apósuma leve retirada em 2018 (8 mil milhões de dólares), os reembolsos sobem paracerca de 12 mil milhões em 2019. Então, eles caem para 4 mil milhões em 2020 e 2021. As montanhas-russas encadeiam-se: uma diminuição pouco depois de 2040 eentão, abruptamente, volta a retoma como fogos de artifício durante cinco anos (depois de um intervalo curto em 2015) até o cancelamento final em 2060!

Calendário anual dos reembolsos da divida grega

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Em mil milhões de dólares. Fonte: Wall Street Journal

Esta trajetória caótica é explicada pelo tratamentodiferenciado das dívidas de acordo com os diferentes credores.

Hoje a dívida da Grécia é de 294 mil milhões de dólares quesão distribuídos da seguinte forma:

FESF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira) 131

Governos da zona do euro 53

MES (Mecanismo Europeu de Estabilidade) 37

Investidores privados 34

Deceptores de títulos do Tesouro 15

Fundo Monetário Internacional 12

Banco Europeu de Investimento 12

Em bilhões de dólares. Fonte: Wall Street Journal

Os estados e as instituições europeias que possuem 80% da dívida grega nãopoderiam ter chegado a acordo, ainda que fosse só para reduzir o"muro" de 2019 em que "as necessidades brutais de financiamento subirãopara 21 mil milhões de euros em juros ", como o Tribunal de Contas Europeumenciona?

Metade desta necessidade de financiamento corresponde ao Banco Central Europeu, que se recusa a fornecer liquidez em troca de títulos de dívida gregos. Umaparte dos lucros obtidos com as compras dos títulos gregos por países da zonaeuro será finalmente restituído à Grécia, mas a conta-gotas (ver esta petiçãocidadã WeMove.EU 12 /). No entanto, o acordo prevê uma reserva de precaução de15 mil milhões de euros (com protestos no parlamento alemão), o que é umamaneira de admitir que o calendário não é realista.

Assim, todas as condições são definidas para o mecanismo infernal de bola deneve recomeçar: a Grécia deve pedir emprestado novamente nos mercados parafazer face às suas datas de pagamento, mas a 3,4% ou 5%.

 

O segredo para vocês

KlausRegling, director-geral do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE),evidentemente avalia positivamente a acção do Eurogrupo. Num discurso 13 /entregue à HellenicBankAssociation, em 12 de junho, ele começa por "felicitaro povo grego e os seus líderes políticos por essa evolução em direção a umaeconomia mais moderna". O objetivo é agora que a Grécia tenha acesso aosmercados após a conclusão do seu programa: é importante para a Grécia, mastambém, para a instituição que dirige, uma vez que é o seu "principalcredor". E é verdade que a agência de classificação Standard &Poorsanunciou em 25 de junho, que subia a nota da dívida grega deB para B+, o quenão impedirá que a Grécia deva financiar-se a taxas elevadas. É possível, defato, perguntar quem arriscaria emprestar à Grécia sem um prémio de risco"tranquilizador".

Mas KlausRegling não esconde um certo pessimismo: "Permita-me dizer queaomesmo tempo o acesso da Grécia aos mercadossegue sendo delicado. Reencontrar aconfiança dos investidores implica dar prova de um compromisso total com as reformas, mas mesmo isso poderia não ser suficiente no caso da Grécia."Será preciso portanto vigiá-la, nomeadamente através do Sistema de Alerta Precoce(EarlyWarningSystem) que dispõem o ESM e essa vigilância deverá, no caso da Grécia, ser "mais apertada e mais completa do que em qualquer outropaís."

Poucos dias depois, KlausRegling revelou o pano de fundo do seu pensamento emuma entrevista 14 / bastante incisiva e reproduzida na página do ESM. Questionadose a dívida da Grécia poderia ser declarada sustentável a longo prazo, KlausRegling responde negativamente, seguido por uma fórmula sobre o papel dasmedidas de longo prazo. E quanto tempo será necessário, perguntam-lhe, que aGrécia faça reformas para tranquilizar os mercados? Também aí a resposta émuito ilustrativa: "a implementação das reformas é uma tarefa permanente, nunca termina, é verdade para todos os países do mundo, para todos os países daUnião Europeia e, portanto, também para a Grécia. Talvez um pouco mais no casoda Grécia, devido à história recente da economia grega que encerra um períodode difícil ajuste ".

 

Grécia continua sob tutela

O chefe do MEE é ainda mais preciso: a vigilância da Grécia, através do EarlyWarningSystem, "deve durar atéque todo o dinheiro seja reembolsado". Até 2060? Pergunta o entrevistador eRegling responde: "Sim, a Comissão só vai parar quando75%for reembolsado, mas nós não. Nós vamos vigiar até o final do mandato." Haverá inclusive um"reforço da vigilância", com "uma avaliação a cada trêsmeses", implementada durante "um certo número de anos".

A declaração final do Eurogrupo, de 22 de Junho 15 / contém, por outro lado, uma cláusula de revisão: "o Eurogrupo examinará até ao final do período decarência do FEEF, em 2032, se sãonecessárias medidas suplementares". Estavigilância serve para verificar que "os compromissos são cumpridos e quenão há como voltar atrás nas reformas importantes que são necessárias paralevar a Grécia a um caminho de maior crescimento". Em suma, a Gréciacontinua sob tutela.

O tipo de acordo concluído entre a Grécia e seus credores europeus foiapresentado como uma saída definitiva da crise. Isso é duplamente falso. Oacordo não pode apagar os danos sistematicamente infligidos à sociedade grega. Nem abre um novo caminho para a economia grega. E essas duas constatações estãorelacionadas entre si.

 

Artigo de Michel Husson, publicado na página "Alternatives économiques", no dia 2 de Julho de 2018.

 

Notas

1 / https://www.alternatives-economiques.fr/grece-nest-sortie-daffaire/00085193

2 / http://www.pierremoscovici.fr/2018/06/22/la-crise-grecque-ou-la-fin-de-lodyssee/

3 /https://ec.europa.eu/info/sites/info/files/economy-finance/compliance_report_4r_2018.06.20.docx.pdf

4 /http://www.ires.fr/publications-de-l-ires/item/5579-le-demantelement-methodique-et-tragique-des-institutions-grecques-de-sante-publique

5 /http://www.keeptalkinggreece.com/2018/02/23/athens-attica-survey-living-conditions/

6 / https://www.monde-diplomatique.fr/2018/05/LARBI_BOUGUERRA/58656

7 / https://www.eca.europa.eu/Lists/ECADocuments/SR17_17/SR_GREECE_FR.pdf

8 /https://www.imf.org/en/Publications/CR/Issues/2016/12/31/Greece-Preliminary-Debt-Sustainability-Analysis-Updated-Estimates-and-Further-Considerations-43915

9 / http://www.cadtm.org/Pourquoi-les-reformes-des

10 / https://www.wttc.org/-/media/files/reports/economic-impact-research/countries-2017/greece2017.pdf

11 / http://graphics.wsj.com/greece-debt-timeline/

12 / https://act.wemove.eu/campaigns/668

13 / https://www.esm.europa.eu/speeches-and-presentations/"greece-and-euro-area-adjustment-programs" -speech-klaus-regling

14 / https://www.esm.europa.eu/interviews/klaus-regling-interview-ta-nea-greece

15 /http://www.consilium.europa.eu/fr/press/press-releases/2018/06/22/eurogroup-statement-on-greece-22-june-2018/



Fonte: http://www.mas.org.pt/index.php/internacional/europa/1604-grecia-anuncia-se-um-longo-calvario.html

João Semedo - 21Jul2018 01:25:07
semedo

João Semedo faleceu esta manhã (17 de Julho).

João Semedo nasceu a 20 de junho de 1951, em Lisboa, cidade onde frequentou o Liceu Camões, e onde se veio a licenciar na Faculdade de Medicina de Lisboa, em 1975. João Semedo, como gostava de afirmar, teve uma vida plena. Dedicou-se à medicina e à politica desde bem cedo. Pese embora, esta última tenha sido a vertente em que mais se ocupou e à qual dedicou a sua vida. Iniciou a sua atividade política em 1967, na sequência da tragédia das cheias, que assolaram a cidade de Lisboa.

Em 1972, adere à União de Estudantes Comunistas (UEC) e ao Partido Comunista Português (PCP). Rapidamente é eleito para direção da Associação de Estudantes da faculdade de medicina. Em 1973, é preso, ficando duas semanas em Caxias.

Depois do 25 de Abril, torna-se funcionário do PCP, cargo que ocupa até 1991, altura em que se demite por divergências políticas crescentes. Posteriormente, em 2003, J. Semedo rompe com o PCP. Anos mais tarde, em 2007, adere ao BE (o BE tinha sido fundado, com a nossa presença - Ruptura/FER antes, e MAS hoje -, em 1999). No seio do BE, valha a verdade, pese as inúmeras diferenças que esgrimimos com este dirigente respeitável, conhecemos um João Semedo afável e que ... escutava. Coisa rara, por vezes, na esquerda em que todos nos inserimos. Provavelmente, para além de traços de personalidade de homem acessível, culto e interventivo, o tenha marcado também os vários anos de experiência com um partido (o PCP) que não prima pela democracia interna.

Fica-nos na memória também um João Semedo que nunca se cansou de defender o SNS, ao qual esteve muito ligado por razões profissionais e políticas. É certo que muitas vezes divergimos, quer no BE a que pertencemos até 2012, quer posteriormente. Nomeadamente, no apoio ao actual governo PS. Considerado como positivo até na nota em sua memória, feita pelo portal do BE.

Mas nada dessas divergências nos tolda a visão de um homem com um trajeto combativo que presidiu a toda a sua vida. Aqui ficam as nossas condolências aos seus familiares e amigos, e a homenagem do MAS que com ele teve o prazer de conviver. Até sempre, camarada Semedo.



Fonte: http://www.mas.org.pt/index.php/nacional/nacional/1603-joao-semedo.html

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Os Estados Unidos vão passar por suas eleições legislativas (as midterms) no mês de novembro. Elas são realizadas justamente no período em que o presidente chega na metade de seu mandato. Por isso servem para avaliar o governo, agora com Trump à frente. O número de parlamentares eleitos pelo governo e oposição define a relação de forças entre os Democratas e os Republicanos na Câmara dos Representantes e no Senado.

Tradicionalmente, a oposição tende a ganhar essas eleições. Os analistas já apontam que os Democratas vão se tornar maioria na Câmara dos Representantes, mas dificilmente conseguem superar o número de Republicanos no Senado, visto que a maioria das cadeiras que serão trocadas são de Democratas. De toda forma, a vitória dos democratas na Câmara dos Representantes praticamente já inviabiliza a aprovação de qualquer coisa por parte de Trump.

Mas o que tem chamado a atenção é o fato de que nas internas que escolhem os candidatos do Partido Democrata, uma nova geração de candidatos que se apresenta como socialistas, muitos deles gente comum, está sendo escolhida pelos eleitores do partido. Dentre esses estão os candidatos dos Democratas Socialistas da América (DSA, Democratic Socialist of America).


Vitória de socialista gera crise no partido Democrata

O resultado da plenária (prévias) do Partido Democrata no distrito catorze de Nova York surpreendeu todo o país. No distrito de Queens e Bronx, bairros com um importante peso operário, a candidata Alexandria Ocasio-Cortez, uma garçonete de 28 anos, socialista, feminista, latina e membro do DSA, venceu o atual congressista Joseph Crowley, um candidato experiente, com uma política centrista, representante clássico da máquina eleitoral Democrata, de Wall Street e do establishment.

A vitória de Ocasio-Cortez gerou um verdadeiro terremoto político. Mesmo não sendo favorita, alcançou 58% de votos. Todos os mais importantes jornais, até aqueles com pequena circulação, estavam comentando e divulgando a vitória da jovem socialista. Ela se tornou uma espécie de nova celebridade da política norte-americana, colocando a discussão sobre o socialismo e as injustiças do capitalismo nas casas de milhares de pessoas.

Inclusive por meio de mídias nada tradicionais, como a revista Vogue, na qual a filha de porto-riquenhos deu uma entrevista e falou sobre socialismo: ?Quando falamos sobre a palavra socialismo, eu penso que isso realmente significa a participação democrática onde o povo decide, e uma dignidade econômica, social e racial (?) em uma sociedade moderna, moral e rica, nenhuma pessoa na América deve ser pobre demais para viver?.

Seu adversário nas plenárias democratas, Joseph Crowley, 56 anos, atua no Congresso desde 1999 e era apontado por muitos como o futuro presidente da Câmara. Ele usou 3 milhões de dólares em sua campanha, tendo apoio de todo o partido em Nova York.

O jornal New York Times afirmou que o resultado nas primárias com a vitória de Ocasio-Cortez foi ?a parte mais significativa para um candidato democrata em mais de uma década, e que terá reflexo para o partido e para o país?.

Ocasio-Cortez foi a primeira em 14 anos a disputar o domínio de Crowley no distrito NY-14. Foi uma vitória imensa. Com uma campanha que tinha slogans como ?Nós temos as pessoas. Eles têm dinheiro? e ?Esse é o momento de um dos nossos?, Ocasio-Cortez agora é vista como favorita para derrotar o representante do Partido Republicano, Anthony Pappas. O distrito em disputa é historicamente dos Democratas, assim ela tem tudo para se tornar a mulher mais jovem a chegar ao parlamento dos Estados Unidos.

A campanha da membro do DSA arrecadou 313 mil dólares, não recebendo dinheiro de nenhuma empresa ou corporação. Da quantia final, 210 mil vieram das chamadas pequenas doações, onde apoiadores doam um valor na quantia de até 200 dólares.

Sua campanha focou em questões essenciais e controversas na política norte-americana. Ocasio-Cortes buscou dar voz aos setores oprimidos, como LGBTs, mulheres, negros e imigrantes. Um dos focos foi a defesa de um sistema de saúde público, o Medicarer for All, luta da qual os membros do DSA são linha de frente. Outro foco foi pelo fim do Serviço de Imigração e Controle, sendo a primeira candidata a levantar esta pauta após os escândalos de separação de crianças imigrantes e seus pais, que chocaram todo o mundo.

Muitos comentaristas e antigas lideranças do partido Democrata atacaram Ocasio-Cortez, afirmando que ela não irá conseguir manter suas promessas de campanha. Um dos ataques mais frequentes era colocá-la, por conta de seu discurso radical, no mesmo patamar de Trump, afirmando que nem um tipo de ?radicalismo? seria saudável. Outros, como a colunista do Business Insider, Daniella Ngreenbaum, criticou o Partido Democrata por aceitar que Ocasio-Cortez e outros membros do DSA concorram pelo partido.

 

Um fenômeno que é continuidade do que expressou Bernie Sanders

A vitória de Ocasio-Cortez, apesar de ter abalado fortemente o partido Democrata, o establishment e ter chocado a mídia, não foi um raio em céu azul. Em primeiro lugar mostra o desgaste dos já conhecidos figurões da política norte-americana e da própria máquina do partido democrata. É um rechaço ao establishment, assim como também é uma mostra de que as pautas voltadas a questões sociais e a classe trabalhadora tem peso efetivo nos Estados Unidos. Programas como o Medicare for All são defendidos pela maioria da população, e movimentos grevistas da classe trabalhadora, progressistas e manifestações massivas estão crescendo como uma resposta a Trump e o fortalecimento de ideias nacionalistas e de extrema-direita.

Em segundo lugar, por isso mesmo, embora Ocasio-Cortez seja a maior expressão no terreno eleitoral do crescimento de pautas progressivas, mas não foram as únicas. Em maio desse ano, nas prévias do partido Democrata para a Assembleia Legislativa do estado da Pensilvânia, o DSA conseguiu três vitórias contra membros da máquina eleitoral do partido. Summer Lee, 30 anos, e Sara Innamorato, 32, derrotaram membros de uma importante família local, que já eram membros da Assembleia. Nas eleições locais para Câmaras locais e algumas estaduais, o DSA impulsionou em todo o país ? em alguns locais com membros e em outros apoiando independentes ? 15 candidaturas eleitas, um número expressivo e nunca alcançado antes.

Num sentido, esse fenômeno político à esquerda é continuidade do que ocorreu com a candidatura de Bernie Sanders nas primárias para a presidência dos Democratas em 2016, quando então enfrentou Hilary Clinton. Seu programa defendia os serviços públicos, como saúde e educação, o salário mínimo e o emprego universal, sendo contrário as grandes doações para a campanha e a interferência do mercado financeiro na política. Embora reformista, Sanders se autodenominou socialista, coisa que até então era praticamente impossível de se ver nos Estados Unidos. Sanders perdeu para Hillary Clinton nas primárias, mas o efeito que sua candidatura foi enorme: ainda hoje é o político preferido por 53% dos americanos.

 

O despertar dos Millennials e sua aproximação dos socialistas

Uma pesquisa feita no ano passado demonstra o que está por trás desses fenômenos: 51% dos jovens americanos entre 18 e 29 anos preferem o socialismo ao capitalismo. Ainda de acordo com o jornal The Nation, mesmo entre os adultos, a preferência pelo socialismo é de 37% da população. Ainda que a definição de socialismo seja difusa, confundindo-se na maioria das vezes com a defesa dos serviços públicos e do estado de bem estar social, significa um enorme e importantíssimo avanço, particularmente para um país como os EUA.

A crise econômica, a falta de emprego e de perspectiva, a falta de saúde, educação e previdência pública, assim como os efeitos negativos que o governo Trump vem causando, fazem com que surjam novos movimentos sociais, como o Black Lives Matter e o Occupy Wall Street, assim como o fenômeno Bernie Sanders e, agora, os candidatos socialistas, no aspecto eleitoral. Os jovens americanos nunca viveram o socialismo e não têm uma grande referência sobre o que ocorreu na União Soviética. Porém, eles vivem sob o capitalismo, desumano, e percebem que a única alternativa é mudar esse sistema.

O fato de Sanders dizer que adota como política o ?socialismo-democrático? terminou ajudando, ainda que de forma inconsciente, a que milhares de pessoas, sendo a ampla maioria os jovens, passasse a procurar organizações socialistas. A literatura socialista e mesmo a marxista também vem chamando atenção dessa nova geração, os Millennials (a geração da internet), como vem chamando a sociologia.

A revista Jacobin, que é considerada a publicação de esquerda radical de maior sucesso nesse século, tem uma audiência de mais de 18 mil exemplares vendidos por tiragem, e um acesso de 700 mil visitas por mês em seu website.

Organizações como o DSA, de Ocasio-Cortez, teve um crescimento exponencial após a campanha de Bernie Sanders, saltando de sete mil membros filiados para 37 mil e, em julho, alcançaram 44 mil membros. O grupo que não faz parte do partido Democrata, mas apresenta a maioria de seus candidatos nas internas, é hoje a maior organização socialista dos Estados Unidos.

Além do DSA, organizações marxistas e revolucionárias também tiveram um expressivo crescimento como é a Organização Socialista Internacional (ISO, International Socialist Organization) e a Alternativa Socialista (Socialist Alternativ). Este último conseguiu eleger uma vereadora na cidade de Seattle. Sem dúvida, os socialistas norte-americanos estão ante um novo momento histórico.

 

Gabriel Santos, de Maceió/AL - Esquerda Online



Fonte: http://www.mas.org.pt/index.php/internacional/eua/1602-vitoria-de-democratas-socialistas-da-america-dsa-causa-terramoto-politico-no-partido-democrata-e-nas-eleicoes-legislativas-dos-eua.html

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A reunião do G7, no Quebec, Canadá, foi um marco em muitos aspectos. Primeiro, houve uma clara ruptura com a habitual e insípida unidade de políticas e objectivos das reuniões do G7 pelos líderes dos sete principais países capitalistas do mundo.

Pouco antes da reunião do G7, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tinha anunciado uma série de medidas tarifárias protecionistas contra o resto do G7, incluindo o seu vizinho mais próximo, o Canadá, sob a justificação de estar a proteger a sua ?segurança nacional? ? aparentemente, o Canadá é um risco de segurança para os EUA. Ao fazê-lo, Trump cumpriu com as suas promessas eleitorais.

No encontro, Trump chocou com os restantes líderes, alegando que seus governos estavam a impor regras comerciais ?injustas? aos produtos norte-americanos e que precisavam reduzir os seus excedentes comerciais com os EUA. Os outros líderes já haviam respondido às medidas tarifárias dos EUA com tarifas recíprocas, planeadas sobre as principais exportações dos EUA, e agora respondiam aos ataques de Trump com argumentos e provas de que, pelo contrário, foram os EUA que restringiram as importações de bens e serviços estrangeiros.

E assim a guerra comercial começou ? uma guerra a que as grandes economias capitalistas não recorriam desde a depressão dos anos 1930 e que deveria ser resolvida no âmbito dos acordos internacionais como o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT, em inglês), a Organização Mundial do Comércio (WTO, em inglês) e o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA, em inglês), no período pós-guerra. Trump apelidou a WTO de o pior acordo comercial possível e o NAFTA de o segundo pior (para os EUA). Os Estados Unidos protegeram os estados capitalistas europeus e japoneses, com seus exércitos e armas nucleares, contra a suposta ameaça russa, e agora está na hora de aqueles estados pagarem tanto em gastos com defesa quanto em acordos comerciais ?mais justos?. A verdadeira ironia neste argumento de Trump está no seu pedido para que a Rússia, o suposto inimigo, volte a ocupar um lugar à mesa das negociações.

O que todos estes malabarismos de Trump revelam é que o período da ?Grande Moderação? e da globalização, decorrido entre os anos 1980 e 2007, quando todos os principais Estados capitalistas trabalharam em conjunto para beneficiar o capital em todos os países (em graus variados), acabou. A Grande Recessão, de 2007-8, e a, consequente, Longa Depressão, desde 2009, mudaram o quadro económico. Numa economia capitalista mundial estagnada, onde o crescimento da produtividade é baixo, o crescimento do comércio mundial diminuiu e a rentabilidade do capital não recuperou, a cooperação foi substituída pela perversa competição.

Trump é o líder ?populista? e nacionalista da maior potência capitalista; Itália (a potência mais fraca do G7) tornou-se ?populista? e nacionalista também. E a Grã-Bretanha está trancada no poço do ?Brexit?, um desastre para o capital britânico que ele mesmo criou. O ataque de Trump fez com que o encontro do G7, marcado para discutir a crescente desigualdade social, a automação e as alterações climáticas ? os principais desafios, de longo prazo, para a sobrevivência do capitalismo ? tivesse ficado paralisado.

Por enquanto, isso pouco importa. A economia mundial está realmente a atravessar o seu melhor momento desde o final da Grande Recessão. O Banco Mundial estima que o crescimento do PIB real, em termos mundiais, seja de 3,1% este ano, o mesmo que em 2017. Isso pode não parecer grande coisa mas é uma recuperação, após o período de quase recessão de 2015-6, quando o crescimento global caiu para 2,4% e as economias do G7 não foram além dos 1,5%. Agora as economias do G7 estão a expandir-se em torno de uma taxa de 2,5%. O desemprego nos EUA, no Reino Unido e no Japão alcançaram os valores mais baixos de todos os tempos. E mesmo na Europa, a taxa de desemprego caiu para 8%, ainda acima dos níveis pré-crise, mas a marcar uma tendência de regresso a tais níveis.

No entanto, os economistas do Banco Mundial, nas suas Perspectivas Económicas Globais mais recentes, não estão convencidos de que esta leve recuperação (ainda cerca de 30% abaixo da taxa de crescimento mundial pré-crise) seja sustentada. ?Espera-se que caia nos próximos dois anos, à medida que a folga global se vá dissipando, o comércio e o investimento vão arrefecendo e as condições de financiamento se estreitem. O crescimento nas economias avançadas deve desacelerar, conforme a política monetária se normalize e os efeitos do estímulo fiscal norte-americano diminuam?. Para além disso, ?os riscos para o futuro permanecem inclinados para baixo. Incluem movimentos desordenados do mercado financeiro, aumento do proteccionismo comercial, aumento da incerteza política e aumento das tensões geopolíticas, que continuam a obscurecer as perspectivas?.

Sugeri, no final do ano passado, que o ciclo comercial, de curto prazo, de 2015-16 iria atingir o seu pico em 2018 e depois voltaria a afundar em 2019-20. ?O que parece ter acontecido é que houve uma recuperação cíclica, de curto prazo, a partir de meados de 2016, após uma quase recessão global desde o final de 2014 até meados de 2016. Se o nível mais baixo desse ciclo de Kitchin foi em meados de 2016, o seu pico deveria ser em 2018, com um novo afundamento depois daí?. Em Abril do presente ano, voltei a afirmar esta previsão.

Os economistas do Banco Mundial parecem concordar. Eles esperam que o crescimento económico mundial diminua para 2,9% até 2020. ?A expansão económica global continua robusta, mas suavizou-se. A atividade global ainda está aquém das expansões anteriores, e o crescimento deverá desacelerar em 2019-20, já que o comércio e o investimento estão moderados. O progresso na renda per capita será desigual e insuficiente para combater a pobreza extrema na África Subsaariana?. E ?não obstante a expansão global em curso, apenas 45% dos países deverão experimentar uma nova aceleração do crescimento neste ano, abaixo dos 56%, em 2017. Além disso, a atividade global ainda está aquém das expansões anteriores, apesar da década de recuperação desde a crise financeira global. Desta forma, o Banco Mundial calcula que a Longa Depressão irá continuar.

E tudo isto assumindo que não haverá uma nova recessão mundial nos próximos dois anos. Embora não haja sinais imediatos de uma nova recessão global (de fato, aparenta o oposto), há muitos fatores que sugerem que ela não estará assim tão distante. O primeiro é o facto óbvio de que a atual muito fraca recuperação da Grande Recessão é a segunda expansão mais longa no período pós-1945, atingindo dez anos no próximo verão de 2019 ? se durar tanto tempo.

E depois há a rentabilidade. No primeiro trimestre de 2018, as 500 principais empresas dos EUA obtiveram um aumento de 26% no lucro, por ação. Mas isso foi principalmente devido a uma enorme redução de impostos, criada pela Administração Trump. Quando se olha para os lucros de todo o setor corporativo, antes das reduções de impostos, houve uma queda, no primeiro trimestre de 2018 (-0,6%), que se seguiu a uma queda no quarto trimestre de 2017 (-0,1%). Com os benefícios fiscais, os lucros aumentaram 6%. A grande bonança de Trump será apenas pontual. E a rentabilidade média, nas economias do G7, permanece abaixo dos níveis pré-crise, mesmo após dez anos de recuperação.

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E o grande risco que temos pela frente é a combinação da queda da rentabilidade com a alta e crescente dívida, nos setores empresariais do G7. Se os lucros começarem a cair, enquanto o custo do serviço das dívidas aumenta, à medida que as taxas de juros sobem, estará composta a receita para novas falências empresariais e uma nova crise da dívida. A dívida global, nomeadamente a dívida empresarial, está nos níveis mais elevados de todos os tempos.

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Em 2017, a dívida subiu 10,2%, face a 2016. Desagregando por setor, a dívida empresarial, não financeira, cresceu 11,1%, a dívida pública cresceu 6,7%, a dívida das famílias cresceu 12,5% e a dívida do setor financeiro cresceu 11,3%.

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O nível de dívida dos mercados emergentes será insustentável porque, entre outras razões, a dívida amadurece e deve ser paga ou refinanciada. Aqui está a dívida do mercado emergente por maturidades:

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Muitos dos negócios e empresas financeiras dos mercados emergentes contraíram empréstimos em dólares, já que o dólar estava relativamente fraco e as taxas de juros dos EUA ridiculamente baixas. Grande parte destes fluxos de capital para as economias emergentes não se destinou a investimento produtivo, mas sim à atividade especulativa. Os fluxos de capital, de longo prazo, para os setores produtivos das economias emergentes (FDI, em inglês) estão em declínio desde a Grande Recessão.

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A bonança do crédito acabou. Cerca de 4,8 biliões de dólares em dívidas dos mercados emergentes irão vencer, a partir deste ano até 2020, muitos destes precisarão de ser empurrados para o futuro a taxas geralmente mais altas e, se a valorização do dólar continuar, está criado um ambiente cambial desvantajoso.

Os sinais de quebra já estão a aparecer em algumas das maiores economias emergentes. A Argentina rebentou e foi forçada a ser intervencionada pelo FMI, no valor de 50 mil milhões de dólares, já que não pode contrair mais empréstimos nos mercados de títulos internacionais, a custos acessíveis. A economia mergulhou, a inflação subiu e a moeda caiu. O Brasil não está muito diferente. A economia brasileira está a lutar para crescer e, ainda assim, tem os maiores custos do mundo com os juros das dívidas. No primeiro trimestre de 2018, a economia da África do Sul registou a maior contração dos últimos nove anos, com os investimentos das empresas a cair drasticamente. E a moeda da Turquia, a lira, atingiu os mínimos de todos os tempos, à medida que a inflação anual alcançou mais de 12%; os investidores estrangeiros têm retirado o seu dinheiro da Turquia e o banco central elevou a sua taxa de juros para quase 18%.

Mas o fundamental será provavelmente a dívida das empresas nas economias do G7. A dívida das empresas não financeiras dos EUA atingiu uma alta pós-crise, de 72% do PIB. Em torno de 14,5 biliões de dólares, em 2017, um aumento de 810 mil milhões de dólares face ao ano anterior, com 60% do aumento decorrente da concessão de novos empréstimos bancários. Atualmente, o financiamento de títulos corresponde a 43% da dívida, com prazo médio de vencimento, de 15 anos, contra o prazo médio de 2,1 anos para os empréstimos comerciais dos Estados Unidos. Isso implica cerca de 3,8 biliões de dólares em amortizações de empréstimos, por ano. ?Neste contexto, o aumento das taxas de juros aumentará a pressão sobre as empresas com grandes necessidades de refinanciamento?. (IIF)

Além das taxas de juros mais altas, as empresas que precisam de crédito (em oposição às de alta classificação que recorrem a empréstimos somente porque podem fazê-lo mais barato) tendem a ser mais arriscadas. Um relatório recente da Moody?s revelava que 37% da dívida das empresas não financeiras dos EUA está abaixo do nível de investimento, cerca de 2,4 biliões de dólares.

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Além disso, todas as empresas, tanto da categoria de investimento real quanto as especulativas, aumentaram significativamente o seu endividamento desde a Grande Recessão. Algumas empresas contraem empréstimos para financiar recompras de ações, mesmo tendo um vasto fluxo de caixa e reservas. Estas podem facilmente pagar os seus empréstimos, se necessário. Mas as empresas menores e mais arriscadas não têm essa escolha. O negócio não financeiro médio está cerca de 20% mais endividado do que no momento da crise financeira global, em 2007-8. Grande parte dessa dívida é avaliada em BBB, o menor grau de investimento. Isto significa que eles estão apenas um nível acima da notação de ?lixo?. O número de empresas com rating BBB cresceu 50%, desde 2009.

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A recessão global não está presente em 2018 ? pelo contrário, a economia global está a crescer mais rapidamente do que em qualquer outra altura, desde 2009. Mas esse crescimento pode ter atingido o pico e, nos próximos 18 meses, a economia mundial poderá cair para uma possível recessão. Como podemos saber? Bem, como argumentei antes, a rentabilidade do capital deve começar a cair novamente e, eventualmente, os lucros totais das empresas das principais economias devem parar de subir. Se o custo do serviço da dívida também aumentar, então estão criadas as condições para a falência de empresas.

Um sinal viável que, no passado, o comprovou, foi a inversão das taxas juros. Normalmente, a taxa de juro para os empréstimos, por um ano, é muito mais baixa do que a taxa de juro dos empréstimos, por dez anos, por razões óbvias (o credor é reembolsado mais rapidamente). Portanto, a diferença entre a taxa de dez anos e a de um ano é normalmente positiva (digamos, 4% em comparação com 1%, respectivamente).

A ideia geral é a de que quando as taxas de longo-prazo estão a subir mais rapidamente que as taxas de curto-prazo, tal indica que o crédito é de fácil acesso e que os lucros são altos devido ao crescimento económico também em aceleração. Mas quando as taxas de curto-prazo se elevam acima das taxas de longo-prazo, tal indica que as condições de crédito se tornaram mais restritivas, em comparação com os lucros, e que há uma probabilidade muito alta de que uma recessão chegue dentro de um ano.

O estratega de investimentos do RBC, Jim Allworth, avalia que: ?não houve recessão em mais de 60 anos que não tenha sido precedida por uma inversão da curva das taxas de juros. Em média, a curva das taxas de juros inverteu 14 meses antes do início de uma recessão (mediana de 11 meses). O menor ?aviso antecipado? foi de oito meses. Ainda não estamos lá, nos EUA, e certamente nem perto na Europa. Mas a curva dos EUA está indo nessa direção?.

economia_mundial_09As birras comerciais de Trump e o risco crescente de uma guerra comercial que poderia sufocar a atual ?recuperação? só aumentam os riscos subjacentes a uma nova crise global no futuro.

 

Michael Roberts (Blog). Tradução: Flávio Ferreira, de Lisboa, Portugal



Fonte: http://www.mas.org.pt/index.php/internacional/mundo/1601-as-birras-de-trump-e-a-economia-mundial.html

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Editorial 08 de julho, Esquerda Online. 

O desembargador plantonista do TRF-4, Rogério Favreto, ordenou pela terceira vez, às 16h12 deste domingo (08), a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Favreto deu o prazo de 01 (uma) hora para a libertação do petista. A decisão do magistrado ocorre após manifestação contrária do desembargador relator, Gebran Neto, e da tentativa de interferência do juiz Sérgio Moro.

O conflito judicial escancara, mais uma vez, o caráter político da prisão de Lula. Para impedir a soltura do ex-presidente, Sérgio Moro e Gebran Neto subverteram a ordem judicial, passando por cima, ilegalmente, da decisão do desembargador plantonista. Os agentes da Lava Jato demonstram, assim, disposição de rasgar garantias democráticas fundamentais, como o direito ao Habeas Corpus.

E pior: Sérgio Moro se comporta como um pequeno ditador. De Portugal, onde passa férias, o juiz de primeira instância, fugindo completamente de suas atribuições legais, publicou despacho, contra a soltura de Lula, que configura crime de desobediência. No momento em que escrevemos essas linhas, os agentes da Polícia Federal mantém o petista encarcerado seguindo orientações de Moro e Gebran Neto.

A decisão de Rogério Favreto deve ser cumprida imediatamente. Lula tem que ser solto e ter respeitados seus direitos democráticos. Não podemos confiar um segundo sequer nesta Justiça golpista. É preciso ir às ruas e promover uma forte campanha política pela libertação do líder do PT e em defesa das liberdades democráticas. Apenas com mobilização popular é possível deter a escalada autoritária.

Nosso candidato à Presidência é Guilherme Boulos (PSOL) e nosso programa é anticapitalista, e não o da conciliação de classes. Não temos acordo político com Lula e o PT. Mas não compactuamos com uma prisão política. Lula está preso porque é favorito à eleição, especialmente pela força que tem entre os trabalhadores mais pobres. A classe dominante quer impor um governo inteiramente comprometido com a destruição de direitos, entrega de riquezas e aumento da exploração. Para tanto, é preciso destruir garantias democráticas. Não aceitaremos!

Pelo imediato cumprimento da ordem de soltura de Lula!

Nenhuma confiança na Justiça golpista!

Às ruas em defesa das liberdades democráticas!



Fonte: http://www.mas.org.pt/index.php/internacional/brasil/1600-pela-imediata-libertacao-de-lula.html

A ilusão portuguesa - 21Jul2018 01:25:07

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Artigo de Nuno Teles, economista, professor convidado da Universidade Federal da Bahia no Brasil e membro do blog ?Ladrões de Bicicletas?. Originalmente publicado na Jacobin, a 02.07.2018. Tradução de Rebeca Moore

Em 2015, os eurocéticos de Portugal - Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português (PCP) - concordaram em apoiar um governo pró-europeu, liderado pelo Partido Socialista (PS), com base num acordo para acabar com a austeridade e reverter muitas das medidas impostas pelo pacote de resgate da UE-FMI, de 2011. A coligação reverteu as pensões e cortes salariais do setor público, interrompeu as privatizações planeadas e elevou o salário mínimo bem acima da inflação. Passados quase três anos deste Governo, a economia recuperou e a taxa de desemprego desceu para menos de metade do seu pico.

Esta história de sucesso foi repetida ad nauseam pela imprensa, em todo o mundo: como uma esquerda fragmentada superou as suas diferenças históricas para alcançar um acordo progressivo dentro das restrições da Zona Euro. Finalmente, dizem-nos, um governo de esquerda levou a cabo o seu programa anti-austeridade, oferecendo esperança a uma esquerda europeia ainda traumatizada pelo espetacular fracasso de Syriza na Grécia.

A cereja no topo do bolo: embora, inicialmente, o Governo tenha sido criticado pela UE, agora é amplamente elogiado em Bruxelas por atingir e superar as suas metas do défice. O Ministro das Finanças português, Mário Centeno, até foi eleito para presidir o Eurogrupo.

Para muitos observadores, Portugal é um estudo de caso sobre a compatibilidade entre as políticas anti-austeridade e as metas do défice, impostas pela UE ? é mesmo utilizado como um novo argumento contra qualquer ruptura com a Zona Euro. No entanto, esta história está longe da experiência quotidiana do povo português. Uma situação diferente esconde-se por detrás do aparente sucesso económico.

 

Anti-austeridade?

Um dos objetivos mais utilizados pelo governo de coligação é a redução do défice público para mínimos históricos - de 3% do PIB, em 2015 (4,4%, se considerarmos o resgate do banco privado Banif), para 0,9%, em 2017 (ou 3%, se a recapitalização do banco público CGD estiver incluída). Enquanto isso, a economia está a crescer - 1,6%, em 2016, e 2,7%, em 2017.

A maioria dos comentadores associou esse record impressionante ao aumento do consumo interno, impulsionado pela reversão dos cortes salariais e reformas. Estas medidas terão resultado em crescimento económico que, por sua vez, terá aumentado a receita fiscal e diminuindo os gastos sociais, em coisas como o subsidio de desemprego.

É inegável que a recuperação económica dos últimos dois anos tem desempenhado um papel central no aumento da receita fiscal. Mas para além das reversões planeadas no que toca a cortes salariais e reformas, isso não se traduziu em mais investimento no setor público. Na verdade, os gastos públicos foram uma das principais omissões do acordo para o actual governo de coligação.

Portugal tem o investimento público, em relação ao PIB, mais baixo de toda a UE. O investimento público caiu de 2,2% do PIB, em 2015, para 1,5%, em 2016, antes de atingir 1,8%, em 2017. De acordo com os últimos dados do Eurostat (para 2016), apesar do aumento dos salários, os gastos com serviços públicos permaneceram baixos, tal como durante o resgate da UE-FMI. Os gastos com saúde pública foram, na verdade, mais altos durante o Governo anterior de direita e decaíram para 5,9% do PIB, em 2016, em comparação com um pico de 6,9%, em 2009.

Enquanto a população estudantil diminuiu, acontece também uma diminuição dos gastos com a educação, para 4,9% do PIB (uma queda de 0,2%). Os serviços públicos estão ainda sujeitos às normas de austeridade, permanecendo cronicamente insuficientes e subfinanciados. É significativo que não tenha havido novos cortes nos gastos públicos, se compreendermos a campanha eleitoral da direita, que obedecia a uma lógica de cortes drásticos neste setor. Mas é difícil ver qualquer aumento agregado de gastos públicos que possa impulsionar o crescimento económico, mesmo tendo em conta os salários e as pensões mais elevadas.

Um terceiro fator primordial na redução do défice, afetando tanto as finanças públicas (como as privadas), é a súbita mudança das condições financeiras internacionais, com implicações para a economia portuguesa. Esta alteração deve-se ao programa de Quantitative Easing (QE), de compra de obrigações do BCE, disponível apenas para os países que cumprem as regras da Zona Euro, e também à, consequente, descida das taxas de juro (atingindo níveis negativos de emissão de dívida pública, a curto prazo) e do serviço da dívida, dívida pública essa no valor de 126% do PIB.

De acordo com o Eurostat, os juros pagos pelo Governo caíram de 4,6% do PIB, em 2015, para 3,9%, em 2017. Igualmente importante, quando olhamos para a receita, são os 25 mil milhões de euros de títulos da dívida pública comprados pelo Banco de Portugal, sob o QE, significando que os juros pagos sobre esses títulos devem ser devolvidos à Tesouraria, como dividendos do Banco de Portugal (525 milhões de euros, em 2017, quase 0,3% do PIB).

Assim, a redução do défice pode ser explicada por uma combinação do aumento da receita fiscal, os ganhos financeiros e as restrições de gastos públicos.

 

A recuperação económica

Também é importante entender como é que a taxa de desemprego caiu de um pico de cerca de 17%, em 2013, para os atuais 8%.

Deixando de lado o papel da emigração (números de migração líquida mostram que mais pessoas saem do país do que aquelas que entram), o desemprego mais baixo foi, principalmente, resultado de novos empregos em serviços de mão-de-obra intensiva, no setor terciário, em hotéis e restaurantes. Esses serviços cresceram devido ao aumento do consumo interno. Os salários e pensões mais robustos também podem ter desempenhado aqui um papel, juntamente com a queda nos pagamentos de juros que as famílias portuguesas, altamente endividadas, têm de pagar aos bancos.

No entanto, é o turismo que cresce 10% ao ano. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, tem sido o principal motor do crescimento económico português. Turbulência política em regiões que competem com Portugal - como o Norte de África e o Médio Oriente ? o aumento da oferta de viagens aéreas de baixo custo e a publicidade internacional trouxeram turistas a Portugal, transformando os grandes centros urbanos de Lisboa e Porto.

Esse boom turístico, por sua vez, levou à especulação imobiliária desenfreada. Juntamente com a proliferação dos Airbnb, liderada por proprietários locais (crescimento anual de 60 por cento, em 2017), os fundos imobiliários estrangeiros compraram aglomerados de imóveis nos centros da cidade (80 por cento de todas as vendas de imóveis comerciais, em 2017, tiveram não residentes como compradores). Isto tem aumentado o preço da habitação, transferindo os moradores para os subúrbios.

Enquanto estas mudanças se concentram nos destinos turísticos do Porto, Lisboa e região Sul do Algarve, os preços médios das casas portuguesas aumentaram 27 por cento, em termos reais, entre o segundo trimestre de 2013 e o final de 2017, de acordo com o Banco de Portugal. O setor imobiliário e a construção devem, portanto, ser considerados fontes de crescimento económico recente.

O emprego nesses setores é precário, mal pago e definido pela alta rotatividade de funcionários. Entre 2013 e o final de 2017, foram assinados 3,8 milhões de novos contratos de trabalho, dos quais 2,6 milhões foram encerrados no mesmo período. Apenas cerca de um terço desses novos contratos são permanentes, sendo os dois terços restantes atípicos (por exemplo, através de empresas de trabalho temporário) ou contratos de duração limitada.

Mesmo com o salário mínimo mais alto, esses empregos proporcionam salários bem abaixo da média nacional. Segundo o Observatório das Crises e das Alternativas, o salário médio mensal dos novos contratos permanentes caiu de 961 euros, em meados de 2014, para 837 euros, no final de 2017.

O crescimento desses setores precários e de baixa remuneração explica, em parte, essa situação. Mas também é devido à relutância do Governo em reverter as reformas neoliberais do mercado de trabalho, impostas em 2012, que os direitos laborais estão sob todo o tipo de ataques (tipos de contratos, horas de trabalho, pagamento do trabalho extraordinário, férias, negociação coletiva etc.).

A atual recuperação e reestruturação da economia portuguesa centra-se, assim, nos sectores de baixa produtividade, atormentados pela precariedade e com pouca necessidade de novos investimentos. O investimento agregado (público e privado) permanece em níveis baixos; esse valor está projetado em 16,1% do PIB, para 2017, ainda bem abaixo do nível pré-crise de 2008, de 22,8%. Embora tenha havido alguma recuperação recente, o investimento privado ainda está 11% abaixo da média de 2005-2008. Parece improvável que este cenário mude em breve, uma vez que o setor bancário português se mantém numa posição fragilizada.

As baixas taxas de juros e os empréstimos de longo prazo do BCE impediram uma crise bancária sistémica, mas os balanços dos bancos ainda estão afetados por muitos empréstimos improdutivos- um índice de 13,3%, colocando Portugal atrás apenas da Grécia e do Chipre, entre todos os países da Zona Euro. A procura de crédito recuperou lentamente nos últimos dois anos mas, em geral, os bancos, empresas e famílias portuguesas continuam a trabalhar para reduzir as suas dívidas.

Enquanto isso, o BCE está a forçar uma aquisição da banca portuguesa por grandes bancos espanhóis, como o Santander e La Caixa, como parte da visão de uma União Bancária fortalecida por bancos pan-europeus. Fugas de e-mails mostram, por exemplo, que a venda do Banif ao Santander, em 2016, foi orquestrada pela Tesouraria portuguesa e pelo BCE, através de uma ameaça de corte de liquidez para o banco falido.

 

O que se segue?

É difícil prever o que o que se segue para a economia portuguesa. Esta beneficiou de uma combinação entre recuperação económica moderada da Europa e a política não convencional do QE.

De facto, a importância do ambiente externo favorável é evidente até pelo desempenho macroeconómico quase idêntico em Espanha. O seu governo de direita tem monitorizado um crescimento económico igualmente forte, a queda do desemprego, aumento do salário mínimo e a continuação do cumprimento das metas do défice impostas pela Zona Euro.

Esta combinação única dificilmente será mantida no futuro. Ou a economia europeia recupera e o BCE reduz as suas medidas de QE (o que já está a acontecer gradualmente), levando a taxas de juros mais altas, menor fluidez de capital para o setor imobiliário português e mais stress financeiro sobre a economia, altamente endividada; ou a economia europeia esmorece, privando Portugal dos seus principais motores de crescimento.

Enquanto isso, se o preço do petróleo crescer e o turismo recuperar nos países concorrentes como o Egito, a Tunísia e a Turquia, o saldo da conta corrente portuguesa estará em perigo.

No entanto, se as condições atuais se mantiverem e o crédito bancário interno retomar os seus fluxos pré-crise, para as famílias e as empresas, o actual aumento dos preços dos imóveis poderá continuar. Isto inflacionará ainda mais a atual bolha, sustentando o crescimento e o emprego e proporcionando a Portugal um período mais longo de aparente prosperidade.

De qualquer forma, a economia portuguesa está agora num terreno volátil, novamente dependente de fluxos financeiros estrangeiros e ainda com um dos maiores níveis de endividamento do mundo (público e privado). Se nenhuma mudança de política for tomada no futuro próximo, uma nova crise financeira é apenas uma questão de tempo.

No plano interno, as tensões sociais e políticas provocadas pela natureza desequilibrada da recuperação económica deram origem a lutas e greves dos trabalhadores nos serviços públicos (principalmente na saúde e na educação) e no setor privado (indústria automobilística, transportes, serviços). No entanto, as lutas tiveram pouco efeito sobre o ambiente político.

A recuperação económica portuguesa pode estar a acontecer sob areias movediças, mas isso não impediu que o atual Governo do PS crescesse nas sondagens. A sua retórica anti-austeridade, compatível com a Europa, não tem qualquer oposição política credível a nível nacional.

O Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, enquanto isso, foram ganhando crédito com o fim do aumento da austeridade, mantendo assim o seu apoio eleitoral. No entanto, tendo esgotado os termos do acordo inicial com os socialistas, estes partidos enfrentam tempos difíceis na arena da política económica.

Embora tenham adotado um tom cada vez mais crítico sobre a política fiscal do governo, se retirassem o seu apoio parlamentar, provocaria, de imediato, eleições antecipadas. Dados os altos índices de aceitação do governo e a ameaça (real) da direita voltar ao poder, esses partidos certamente pagariam caro nas sondagens qualquer movimentação nesse sentido.

Estrategicamente falando, apesar de seu euroceticismo, o apoio destes partidos ao atual Governo levou-os a ser menos vigorosos quanto à dívida e a uma possível saída do Euro. Num contexto em que tais propostas parecem cada vez menos palpáveis, o espaço para a virada política de que precisamos está a diminuir. Parece que quaisquer desafios radicais ao status quo provavelmente serão derivados daquilo que poderá vir a acontecer noutros países europeus do que da mobilização política em Portugal.

 

https://jacobinmag.com/2018/07/portugal-left-bloc-eurozone-austerity-eu



Fonte: http://www.mas.org.pt/index.php/nacional/nacional/1598-a-ilusao-portuguesa.html

jansa
Após as eleições parlamentares que ocorreram no começo de junho, a Eslovênia encontra-se em estado de indefinição sobre os rumos do país. Em primeiro lugar, ficou a extrema-direita conservadora, de Janez Jansa, o Partido Democrático da Eslovênia, com 25% dos votos. Em segundo ficou o comediante e jornalista Marjen Sarec, cuja lista fez 12,6%, seguidos pelos Social Democratas com 10%, o Centro Moderno (ex-governo) com 9,7% e a Esquerda (Levica) com 9,3%. Outros partidos menores também entraram no parlamento, mas com menor representatividade.

Apesar da vitória eleitoral, a extrema-direita terá apenas metade dos parlamentares suficientes para governar, necessitando estabelecer uma coalizão com outros partidos para atingir o mínimo de 50% + 1 do parlamento. Contudo, a maioria dos partidos já manifestou que não irá participar de um eventual governo com Jansa e prometem criar uma coalizão ampla alternativa.

O fato é que a Eslovênia confirmou a tendência de crescimento de alternativas de extrema-direita e islamofóbicas nos países mais atingidos pela crise dos refugiados. Seus vizinhos ? Áustria, Hungria e Itália ? têm governos em que a extrema-direita se encontra ou como membro majoritário ou minoritário da coalizão.

Jansa é aliado de Viktor Orban, primeiro-ministro de extrema-direita da Hungria, que desde 2010 vem transformado o país em um semi-bonapartismo com explícito conteúdo anti-imigração e islamofóbico. Orban apoiou muito a candidatura de Jansa, pois quer que a Eslovênia, que faz fronteira com a Hungria, impeça mais ainda a chegada de refugiados em seu país. A Eslovênia está na rota de chegada de refugiados para a Europa Central, que vem da Grécia e passa pelos Balcãs.

Jansa já foi primeiro-ministro duas vezes, com um programa mais de centro em relação à imigração e, recentemente, foi preso por seis meses devido à uma condenação por corrupção. Mesmo assim, o presidente esloveno Borut Pahor afirmou que irá conceder o direito democrático à Jansa para tentar formar um governo.

Contudo, não está claro que ele será bem-sucedido. O jornalista e comediante Marjan Sarec, cujo partido ficou em segundo, com 12,6% dos votos, afirmou que irá conclamar outros partidos no parlamento para formar uma coalizão alternativa de centro-esquerda, que englobaria também a Social-Democracia, a Esquerda (Levica), o Centro Moderno e outras siglas menores.

Apesar da iniciatica de Sarec, existe a dúvida se esta coalizão de fato será efetivada. O partido Esquerda (Levica) tem divergências internas quanto à possibilidade de entrar em uma coalizão com partidos burgueses. Em entrevista, o militante do Levica Mark Krzan, declarou que: ?Apesar da recuperação econômica, é evidente que o modo capitalista de produção está em profunda crise. Todos, incluindo a esquerda liberal, devem compreender que a ?normalidade? não pode ser salva com mais políticas liberais de esquerda, porque ela é justamente baseada na exploração e expropriação da maioria da população. Está ficando cada vez mais difícil reproduzir esse regime de exploração (e modo de acumulação) com meios ?liberais democráticos?. As pessoas devem compreender que esse regime de exploração deve ser aniquilado ou deixado para ser governado pela ´direita populista´.?

Por último, é preciso apontar que, apesar do avanço da extrema direita na Eslovênia, ela não teve a ascensão meteórica que era esperada. O partido de Jansa teve apenas 4% de votos a mais que nas eleições de 2014. Já o partido anti-muçulmanos, mais radical, teve apenas 4,2% e não superou a cláusula de barreira para entrar no parlamento.

Portanto, não está garantido que Jansa de fato conseguirá formar uma coalizão de governo. Por outro lado, como dissemos, também não está claro que os partidos de centro e esquerda irão concordar em formar uma coalizão alternativa, dada a posição da Esquerda (Levica).

Nesse contexto, se ambas coalizões falharem, novas eleições não estão descartadas. O que está claro, porém, é que a União Europeia e seus países membros se encontram na mais delicada crise política de sua existência, com a Eslovênia confirmando a tendência que atingiu os outros países do bloco no último período.

 

Victor Amal, de Berlim, Alemanha - Esquerda Online

Foto: Janez Jansa



Fonte: http://www.mas.org.pt/index.php/internacional/europa/1597-indefinicao-politica-na-eslovenia-apos-vitoria-da-extrema-direita.html

obrador
O resultado oficial das eleições deve ser anunciado somente na quarta, dia 04, quando deve terminar a apuração. Mas institutos de pesquisas confirmam a vitória de Andrés Manuel López Obrador (AMLO, como é conhecido) nas eleições para presidente do México, neste último domingo, dia primeiro de julho.

Segundo o Instituto Consulta Mitofsky, AMLO deverá ter entre 43% a 49% dos votos. Mas, em algumas outras previsões, como por exemplo, do Instituto Nacional eleitoral, já apontam que ele poderá obter mais de 50% dos votos válidos.

Lembrando que nas eleições presidenciais no México não existe segundo turno, simplesmente o mais votado é considerado o vencedor.
Segundo o mesmo Instituto Nacional Eleitoral, cerca de 63% dos mais de 89 milhões de eleitores mexicanos compareceram às urnas. Numa eleição realmente histórica.

Embora ainda não existam a confirmação dos dados oficiais, os dois principais candidatos que disputaram o pleito com AMLO já reconheceram sua vitória: Ricardo Anaya (PAN) e José Meade (PRI).

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Vitória também para a Câmara, Senado e governos regionais

O Partido de AMLO, Movimento Regeneração Nacional (MORENA) saiu vitorioso também nas eleições para a Câmara de Deputados, Senado e nas eleições de governos regionais.

O MORENA deve ser confirmado como o partido que contará com mais cadeiras de deputados e senadores. Essa liderança ainda deve se ampliar, podendo chegar a maioria, com a eleição de parlamentares dos partidos que compuseram a coligação ?Juntos Faremos História?, que apoia AMLO para presidente: o Partido do Trabalho (PT) e o Encontro Social.

Nas eleições para os governos regionais, MORENA deve eleger cinco governadores em nove. Nos seguintes estados: Cidade do México (Distrito Federal), Veracruz, Morelos, Chiapas e Tabascos.

Outro grande destaque da vitória do MORENA está na eleição da Cidade do México, onde pela primeira vez na história, uma mulher estará à frente do governo do Distrito Federal: Cláudia Sheinbaum. Ela derrotou a candidata do PRD, que controlava este governo há vários mandatos.

 

O significado e os limites da vitória de AMLO

Esse resultado, de conjunto, representa uma derrota importante para as forças reacionárias mexicanas, especialmente para o PRI.
Este partido já chegou governar o México por mais de 70 anos consecutivos. O atual presidente era do PRI que foi claramente rechaçado nas urnas, amargando um terceiro lugar, longe de qualquer possibilidade de vitória.

A imprensa vem apresentado o novo governo do MORENA e seus aliados como uma ameaça de esquerda. Diante da vitória inconteste, AMLO já busca tranquilizar o mercado, dando garantia ao respeito aos contratos e a propriedade privada, uma política econômica de rigor fiscal e independência do Banco Central.

Independente do programa reformista de AMLO e da MORENA ? dentre outras coisas, não se define pelo socialismo -, sua ascensão ao governo, um fato inédito na história do país, vai aumentar as contradições entre México e EUA, especialmente diante da política imperialista e protecionista de Trump, especialmente em temas como imigração e sobre a validade do NAFTA.

As possibilidades reais de mudança virão da disposição de luta do povo trabalhador e da juventude mexicana. Para essas lutas a vitória de AMLO, junto com a derrota do PRI e do PAN, representa um impulso importante.

 

André Freire - Esquerda Online

FOTO: Encerramento da campanha de Obrador, em Acapulco. Divulgação Facebook Morena



Fonte: http://www.mas.org.pt/index.php/internacional/america-latina/1596-lopez-obrador-amlo-e-eleito-presidente-do-mexico.html