25 de Abril... venha outro

25 de Abril ... Ontem, Hoje e Amanhã. 25 de Abril sempre. O Povo é quem mais ordena, dentro de ti ó cidade. Dentro de ti ó cidade, irei ter por ..."


Amigos de Abril

Novo Abril?

Tags

Activismo!

ImprensaAlternativa

Documentários

Blogs&Revistas

Esquerdas (pt)

América Latina

Especial

Dívida?



Comité de Solidariedade com a Palestina

Numa carta aberta publicada na sexta-feira 7 no jornal The Guardian, quase duas centenas de artistas escrevem: ?Até que os palestinianos possam gozar de liberdade, justiça e direitos iguais para todos, não deverá existir business-as-usual com o Estado que lhes nega os direitos mais básicos.? [https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2018/sep/07/boycott-eurovision-song-contest-hosted-by-israel]

 

Brian Eno, The Knife, Wolf Alice, e finalistas da Eurovisão, incluindo o vencedor de 1994, estão entre os artistas que apoiam o apelo palestiniano ao boicote da Eurovisão, caso ela seja organizada por Israel.

 

Em Portugal, já subscreveram a carta: José Mário Branco, músico e compositor - Francisco Fanhais, cantor - Tiago Rodrigues, director artístico do Teatro Nacional D. Maria - Patrícia Portela, escritora, artista de teatro - Chullage, músico - António Pedro Vasconcelos, realizador - José Luís Peixoto, escritor.

 

Espera-se que Israel seja o anfitrião do Festival da Canção Eurovisão em Maio de 2019, no seguimento do êxito de Netta Barzilai na edição de 2018, o que levou a vários apelos para o boicote do festival. [https://bdsmovement.net/boycott-eurovision-2019]

 

Charlie McGettigan, vencedor irlandês da Eurovisão 1994, Kaija Kärkinen (1991) e Kyösti Laihi (1988), vencedores finlandeses da Eurovisão 1991 e 1988 respectivamente, o actor, cantor e dramaturgo italiano Moni Ovadia, e o director artístico do Teatro Nacional D. Maria, Tiago Rodrigues, também são subscritores da carta, onde declaram: ?a Eurovisão 2019 deve ser boicotada caso seja organizada por Israel, enquanto continuar a sua grave e duradoura violação dos direitos humanos dos palestinianos.?

 

Em junho, organizações culturais palestinianas chamaram ao boicote da Eurovisão 2019, sublinhando que: "o regime israelita de ocupação militar, colonialismo e apartheid está descaradamente a usar a Eurovisão como parte da sua estratégia oficial Brand Israel, que tenta mostrar "a face mais bonita de Israel" para branquear e desviar a atenção dos seus crimes de guerra contra os palestinianos.? [https://bdsmovement.net/news/palestinian-artists-and-broadcast-journalists-boycott-eurovision-2019]

 

Nick Seymour, do grupo australiano Crowded House, o coreógrafo e director de teatro Alain Platel e o actor dinamarquês Jesper Christensen juntaram-se ao escritor Yann Martel, ao compositor catalão Lluís Llach, ao coro esloveno ?PZ Kombinat e ao actor americano Alia Shawkat ao subscreverem a carta. Olof Dreijer e Karin Dreijer, que fizeram parte do duo sueco The Knife, também juntaram os seus nomes ao apelo, que diz: "Em 14 de maio, dias após Israel ter ganhado o Eurovisão, o exército israelita matou 62 palestinianos desarmados que protestavam em Gaza, incluíndo seis crianças, e feriu centenas de outros, a maior parte com munições de combate. Amnesty International condenou a política de Israel de atirar-a-matar e a Human Rights Watch descreveu as mortes como ?ilegais e calculadas?.

 

A carta, que também é subscrita pelos realizadores Alain Guiraudie, premiado como melhor realizador em Cannes 2013, Ken Loach, Mike Leigh, Eyal Sivan e Aki Kaurismäki, os finalistas da selecção nacional islandesa da Eurovisão 2017, Daði Freyr e Hildur Kristín Stefánsdóttir, e o músico norueguês Moddi conclui: ?Entendemos que a União Europeia de Radiodifusão peça a Israel que encontre um local ?não-polémico? para o Eurovisão 2019. Mas deveria cancelar totalmente a organização do festival em Israel e mudá-la para outro país com melhor histórico de direitos humanos. A injustiça divide, enquanto que a busca de dignidade e direitos humanos une.?

 

A declaração dos artistas continuará a recolher assinaturas nos próximos meses.

Contacto da campanha em Portugal: comitepalestina@bdsportugal.org



Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/artistas-eminentes-da-europa-e-fora-da-78165

Este ano, os barcos fretados pela Flotilha da Liberdade irão atracar na marina de Cascais no dia 19 de junho.
Porque estamos contra a punição colectiva imposta à população de Gaza, porque queremos acabar com o bloqueio desumano
e o cerco marítimo imposto desde 2007, porque somos solidários com a resistência palestiniana,
juntámo-nos a várias associações e colectivos portugueses para manifestarmos a nossa solidariedade para com as tripulações.

 

 

 PROGRAMA

Terça-feira 19 de Junho
Chegada dos barcos Freedom e Al Awda.
Concentração junto à Marina de Cascais a partir das 17:00
Sambacção/ROR (presença a confirmar)

Quarta-feira 20 de Junho

18:30
Sessão pública na AJA, Rua de São Bento nº 170, Lisboa.
Com a participação de membros da Plataforma de Apoio à Flotilha 2018, MPPM, 
do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-Palestina, da Flotilha da Liberdade
Coro da Achada (presença a confirmar)

Quinta-feira 21 de Junho

11:00
Conferência de imprensa na Marina de Cascais, a bordo do veleiro "Freedom".
Entrevistas a partir das 14:15 (marcação prévia)
18:30
Conversa com membros da Flotilha na Fábrica das Alternativas - Rua Margarida Palla nº 19A, Algés
19:00
Conversa com membros da Flotilha na RA - Rua de Arroios nº 100, Lisboa.

Sexta-feira 22 de Junho

Partida dos barcos da Marina de Cascais com destino a Cádis e a Gaza.
Concentração junto à Marina a partir das
8:00
Sambacção/ROR (presença a confirmar)
19:00 Benefit Flotilha na Disgraça, Rua da Penha de França nº 217A/B, Lisboa.
Programa provisório: jantar, curtas metragens, concerto, apresentação da Flotilha,
lançamento das Folhas Soltas do GAP nº 9, apelo a participação Folhas Soltas nº 10

 

Grupos envolvidos na organização da passagem da Flotilha da Liberdade por Portugal:
GAP (Grupo Acção Palestina): accao.palestina@gmail.com
MPPM (Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente): mppm.palestina@gmail.com
Comité de Solidariedade com a Palestina: comitepalestina@bdsportugal.org
GERA (Grupo Erva Rebelde Anarquista): ervarebelde@riseup.net
Pessoas em nome individual


Mais informações sobre a Coligação da Flotilha da Liberdade: Freedom Flotilla Coalition:
https://freedomflotilla.org
https://grupoaccaopalestina.blogspot.com/2018/06/flotilha-em-cascais-1906-2206.html



Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/navegar-ate-gaza-para-acabar-com-o-77984

Reproduzimos abaixo a carta enviada hoje a estas três entitades, agradecendo dsde já a sua divulgação.



Exmo Senhor Presidente da República
Exmo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Cascais
Orquestra Metropolitana da Guarda Nacional Republicana


Há 70 anos atrás milhares de palestinianos foram forçados a abandonar as suas terras. Com o argumento de que a região era a ideal para a criação do Estado de Israel, foi usada muita força e violência para expulsar mais de 800 mil pessoas e destruir mais de 500 vilas. Desde então, a população palestiniana é impedida por Israel de voltar às suas terras, numa clara violação da resolução 194 da ONU. Hoje em dia os refugiados palestinianos pelo mundo chegam a cinco milhões.

Eventos recentes nos mostram que a situação dos palestinianos, tanto os que foram forçados a partir como os que permaneceram nas suas terras, só tem piorado ao longo deste tempo. Na Cisjordânia, os colonatos ilegais israelitas avançam por dentro da Palestina, havendo actualmente quase quinhentos mil colonos no território, o que é proibido pela lei internacional. Os palestinianos desta região enfrentam diariamente a redução do seu espaço de vida, confisco de terras, limitações na sua mobilidade, discriminações múltiplas e punições colectivas. Em Gaza, considerada a maior prisão do mundo a céu aberto, a situação é ainda pior, quase dois milhões de pessoas são obrigadas a viverem confinadas num pequeno pedaço de terra, sem poderem circular livremente. Israel controla o acesso dessa população a serviços básicos, como o fornecimento de electricidade e os cuidados de saúde, sem falar dos constantes bombardeamentos e ataques militares de que a região sofre.

É neste contexto que a Câmara Municipal de Cascais, o presidente da República Portuguesa e a Orquestra Metropolitana da Guarda Nacional Republicana resolveram juntar-se ao governo de Israel para a comemoração dos 70 anos da sua existência, isto é, os 70 anos da catástrofe que se abateu sobre o povo da Palestina, num jantar que terá lugar no dia 14 de junho no casino do Estoril. Para mais facilmente comprar a cumplicidade destas instituições, a embaixada israelita oferece os lucros do jantar às vítimas dos incêndios de Pedrógão!

O Comité de Solidariedade com a Palestina repudia esta cumplicidade, não podendo aceitar que instituições públicas do Estado português sejam coniventes com o branqueamento dos crimes de guerra cometidos por Israel. Em consequência, pedimos ao presidente da República, à Câmara de Cascais e à GNR que se retirem desta comemoração.

Pelo fim do genocídio palestiniano! Pelo fim do apartheid israelita.



Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/concerto-no-casino-do-estoril-comemora-77638

Publicamos aqui a carta de felicitações que enviámos

 

Caro Tiago Rodrigues,

Nós, do Comité de Solidariedade da Palestina português, vimos por este meio saudá-lo pela sua decisão de não representar a peça By Heart no Israel Festival de Jerusalém, não dando desta forma o seu contributo para o branqueamento cultural das repetidas violações de direitos humanos perpetradas pelo estado de Israel.

Felicitamo-lo pela atitude corajosa que tomou, sabendo que deu primazia a uma postura fundamental de direitos humanos juntando-se assim a outras figuras da cultura portuguesa como um grupo de 40 fotógrafos, incluindo João Pina e José Soudo, ou a jornalista Alexandra Lucas Coelho que declararam recentemente o seu apoio à campanha BDS. Da mesma forma, numa tendência crescente que revela que o mundo da cultura em Portugal está cada vez menos disposto a ser cúmplice de um regime de apartheid, colonialismo e ocupação, também os Festivais de Cinema Queer e Olhares do Mediterrâneo manifestaram a sua recusa em receber o apoio institucional da embaixada israelita em Lisboa. Imaginando que a sua decisão possa ter sacrificado interesses de curto-prazo pessoais ou da instituição que representa em detrimento de uma postura eticamente correcta e consequente, felicitamo-lo pela mesma.

Partilhando a sua ?convicção de que a pressão global e colectiva poderá produzir resultados semelhantes aos do boicote à África do Sul durante o apartheid?, estamos empenhados em estabelecer pontes com outras figuras do meio artístico que também empatizem com a necessidade de os palestinianos superarem a terrível situação de opressão em que vivem. Esperamos por isso poder vir a colaborar no futuro de modo a poder fazer crescer esta poderosa forma de resistência pacífica que é o boicote cultural.

O Comité de Solidariedade com a Palestina



Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/director-do-teatro-d-maria-adere-ao-77365

 

Festival Eurovisão 2018: Dá Zero pontos à ocupação israelita!

 

A Eurovisão vai começar em Lisboa, no dia 8 de Maio. ?ZERO PONTOS para Israel na competição musical da Eurovisão? é uma campanha anual, lançada por cidadãos israelitas que se opõem à ocupação e ao apartheid.
Esta campanha não poderá ter fim até que o Estado de Israel deixe de violar o Direito Internacional impunemente. Condenamos também os ataques sistemáticos de Israel contra jornalistas e artistas palestinianos, a quem têm sido negados diariamente os seus direitos humanos mais básicos e a liberdade de movimento.

A israelita Netta Barzilai vai participar em representação do Estado de Israel, participando assim igualmente nos esforços de Israel de limpar a sua imagem internacionalmente. A canção de entrada de Israel na Eurovisão, chamada ?Toy?, é sobre emancipação feminina e justiça social, enquadrando-se numa contínua tentativa israelita de branquear a opressão do povo palestiniano através de uma campanha de marketing de políticas ?de igualdade?. Ignora, também, a emancipação das mulheres de Gaza que se encontram em prisões a céu aberto. Brazilai esteve na marinha Israelita em 2014. Ela cantou a música ?My Sailor is My Angel? aos membros da marinha, que participaram nesse mesmo ano no massacre ?Protective Edge? em Gaza, em que mataram duas crianças palestinianas;
O povo palestiniano fez um apelo a um boicote cultural a artistas que desempenham um papel de ?embaixadores culturais? por Israel;

Se vives nalgum país que participe na Eurovisão, convidamos-te a participar nas votações e dar ao Apartheid Israelita ZERO PONTOS ? e pede aos teus amigos, amigas, e familiares que façam o mesmo.

ZERO PONTOS para Israel na competição musical da Eurovisão!
#BDS



Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/festival-eurovisao-2018-da-zero-pontos-77265

QUINTA-FEIRA 10 MAIO - 21 horas
 Pequeno Auditório da Culturgest
Entrada gratuita
Levantamento de bilhetes 30 min. antes da sessão, no limite dos lugares disponíveis.
Conferência em inglês, com tradução simultânea

 


Na era de Trump: Perigos e oportunidades para a Palestina
é o título da palestra, seguida de debate, que organizam o Comité de Solidariedade com a Palestina e o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente, com o apoio da Culturgest (http://www.culturgest.pt/arquivo/2018/05/ilanpappe.html). A sessão será moderada pelo jornalista José Goulão.

Doutorado em 1984, pela Universidade de Oxford, fundador e director do Centro Europeu de Estudos Palestinos, sediado no Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos da Universidade de Exter, na Grã-Bretanha, a carreira académica de Ilan Pappe, repartida entre universidades israelitas e britânicas, é extensa e a sua obra marcante. Entre mais de uma dezena de livros, inúmeros artigos em revistas de referência, capítulos de livros e trabalhos em co-autoria, destaca-se Britain and the Arab-Israeli Conflict, 1948-51, London and Basingstoke, The Macmillan Press Ltd, 1993, The Ethnic Cleansing of Palestine. Oxford, OneWorld Publications, 2006, The Modern Middle East. New York and London, Routledge, (2005, 2010 e 2014), The Idea of Israel, London and New York, Verso, 2014 (cf. https://socialsciences.exeter.ac.uk/iais/staff/pappe/ para a descrição exaustiva do curriculum vitae de Ilan Pappe).

Além do enunciado simples da sua obra, o trabalho de Ilan Pappe, a quem alguém já chamou o ?mais corajoso historiador de Israel?, distingue-se pelo profundo sentido humanista, lucidez e rigor conceptual e metodológico com que aborda temas de grande complexidade que marcam a história e o presente do mundo contemporâneo, em particular, a história da Palestina, do sionismo, da formação e da história do estado de Israel, e do contexto mais geral do Mediterrâneo oriental. Dada a relevância do percurso académico de Ilan Pappe e o seu compromisso cívico com os dramas e conflitos que dilaceram aquela região, a oportunidade de um encontro aberto à opinião pública reveste-se, por isso, de inegável importância. A evolução recente dos acontecimentos, em particular depois da declaração do Presidente dos Estados Unidos da América sobre o reconhecimento de Jerusalém como capital do estado de Israel, acrescenta-lhe actualidade.


Sobre Ilan Pappé
Professor de História, director do Centro Europeu de Estudos sobre a Palestina, sediado no Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos da Universidade de Exeter, Ilan Pappé iniciou a sua formação académica na Universidade Hebraica de Jerusalém e leccionou nos departamentos de História do Médio Oriente e de Ciências Políticas na Universidade de Haifa entre 1984 e 2006. Pappé é o nome mais destacado da geração dos chamados ?novos historiadores? que revolucionou profundamente o conhecimento sobre a história da Palestina, do sionismo e do Estado de Israel. Um dos seus livros mais importantes é The Ethnic Cleansing of Palestine (A limpeza étnica da Palestina), publicado em 2006. Em 2017, publicou Ten Myths about Israel (Dez mitos sobre Israel). Perseguido na Universidade de Haifa e ameaçado de morte, foi obrigado a mudar-se para o Reino Unido em 2007. Ele é um dos principais expoentes do boicote académico a Israel como forma de contribuir para o fim da ocupação militar nos territórios palestinianos.

 
Sobre José Goulão
A sua carreira de jornalista iniciou-se em 1974, tendo trabalhado desde então em inúmeros órgãos de imprensa, incluindo rádio e televisão, muitas vezes com responsabilidades de edição e chefia de redacção e sempre na área de política internacional. Fundou e dirigiu a revista Volta ao Mundo entre 1994 e 1998 e foi director da Revista Vida Mundial entre 1997 e 1998. Fundou e dirigiu o website Jornalistas sem Fronteiras, entre 2015 e 2016. Actualmente mantém uma coluna semanal no website Abril Abril sobre temas internacionais. Na sua já longa carreira, percorreu todos os continentes, entre a Europa, África e as Américas, mas o Médio Oriente foi sempre a sua principal área de interesse. Fez inúmeras viagens à região, cobrindo alguns dos mais importantes acontecimentos do último quartel do séc. XX, desde a guerra de Beirute, em 1982 e da primeira intifada, em 1987, ao regresso à Palestina de Yasser Arafat, que entrevistou em 1991. Entre o jornalismo de investigação e o romance, é autor de 6 obras, a última das quais, Coisas do Outro Mundo, edição da Página a Página, publicada já este ano.

 


A palestra na Culturgest realiza-se por ocasião da vinda a Lisboa de Ilan Pappé para participar na conferência internacional "Beyond Planetary Apartheid" promovida pelo ISCTE e o ICS, com fundos da FCT, cujo programa pode ser consultado aqui:

https://cei.iscte-iul.pt/eventos/evento/settler-colonialism-in-palestine/

 



Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/palestra-com-o-historiador-israelita-77031

Nesta sexta-feira 30, uma manifestação pacífica de mulheres, homens e crianças palestinianos reclamava, dentro das fronteiras de Gaza, o direito de retorno às casas de onde foram expulsas em 1948 as suas famílias. O espírito que levou a população de Gaza a aproximar-se da fronteira imposta por Israel é bem ilustrado por esta afirmação de um dos manifestantes, reproduzida pelo enviado especial do Le Monde : ?Queremos enviar uma mensagem ao ocupante. Estamos de pé, existimos?.

Mas o exército israelita chamou-lhe ?uma provocação do Hamas? e ?um acto de terrorismo organizado?. A suposta ameaça que os cerca de 30 mil manifestantes civis representavam para o Estado de Israel foi o pretexto para soldados e atiradores israelitas serem colocados ao longo da fronteira com a ordem de atirar com balas reais contra qualquer pessoa que se aproximasse. O resultado do primeiro dia das manifestações, previstas para durarem até 15 de maio, data do 70º aniversário da ocupação, foi 16 mortos confirmados e mais de 1.400 feridos do lado palestiniano.

Cercada desde 2006 no enorme campo de concentração em que se tornou Gaza, sem acesso à necessidades mais básicas, regularmente bombardeada pelo exército de ocupação, a população palestiniana não tem sequer o direito de manifestar-se no território onde foi aprisionada, a poucas centenas de metros das suas terras ocupadas.

Este é mais um na longa lista dos crimes de guerra do Estado racista de Israel que o Comité de Solidariedade com a Palestina e o SOS Racismo repudiam. Não são os inquéritos propostos pela ONU e a União Europeia que irão travar a limpeza étnica iniciada há 70 anos. São precisas duras sanções contra o governo israelita para o obrigar a cumprir o direito internacional.

O MNE pondera expulsar diplomatas russos por uma tentativa de homicídio frustrada contra um agente russo em território estrangeiro, que ainda está por provar. Antes disso, deveria expulsar os diplomatas israelitas que dão a cara por este crime comprovado em território estrangeiro, com um saldo de vários mortos e centenas de feridos.

Comité de Solidariedade com a Palestina
SOS Racismo



Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/manifestantes-pacificos-abatidos-a-76680

Carta do Comité de Solidariedade com a Palestina enviada a 13 de março à direcção do Museu Berardo:

 

Pedimos ao Museu Berardo que termine a parceria com o Israel Museum, uma instituição cúmplice da ocupação, colonização e apartheid israelita e directamente envolvida em crimes de guerra e abusos de direitos humanos.  

Num momento em que a expansão acelerada de colonatos ilegais em território palestiniano é condenada no mundo inteiro pelas principais instituições internacionais e governos europeus; no momento em que se assinala os 70 anos da constituição de Israel sobre o território de onde foram expulsos cerca de 700.000 palestinianos e cometidos vários massacres; neste momento em que o movimento internacional de boicote a Israel está a ganhar terreno, face às flagrantes violações da lei internacional e dos direitos humanos dos palestinianos, deparamo-nos com a exposição temporária ?No Place Like Home?, fruto de uma parceria do Museu Berardo com o Israel Museum, de Jerusalém.

Gostaríamos, em primeiro lugar, de chamar a vossa atenção para o facto de que o Israel Museum foi construído sobre a localidade palestiniana de Sheikh Badr, cuja população foi expulsa em 1948 (1). Desde então, os refugiados de Sheikh Badr, assim como outros refugiados palestinianos, são impedidos por Israel de voltar às suas terras, em violação da resolução 194 da ONU.

O Israel Museum é cúmplice desta expulsão não só por ter confiscado ilegalmente terreno privado pertencente a famílias refugiadas para se estabelecer, mas também por se ter apropriado de roupas e outros bens pessoais saqueados das casas dos refugiados após a sua fuga (2).

É por isso no mínimo tristemente irónico que esta exposição do Museu Berardo, organizada em colaboração com uma das instituições cúmplices da limpeza étnica na Palestina e dos crimes de guerra aí cometidos, se intitule "No Place Like Home". (3)

O Israel Museum é também cúmplice no crime de pilhagem, pois alberga nas suas instalações os manuscritos do Mar Morto roubados de Jerusalém Oriental em 1967, em violação da Convenção de Haia de 1954 para a protecção da propriedade cultural em conflitos armados. (4) A apropriação destes manuscritos, parte do património cultural palestiniano, por Israel faz parte da sua política de revisionismo que visa eliminar e tornar invisível a presença histórica palestiniana.

O museu tem uma filial em Jerusalém Oriental, conhecida até 1967 como o Museu Arqueológico Palestiniano, hoje rebaptizado Rockefeller Museum. (5) O Museu alberga a Autoridade Israelita de Antiguidades que trabalha com colonos extremistas em Jerusalém Oriental para expulsar os residentes palestinianos do bairro de Silwan, usando a arqueologia como arma. (6)

Sendo a Autoridade Israelita de Antiguidades uma instituição estatal, a sua sede em Jerusalém Oriental viola o direito internacional e serve de instrumento da anexação ilegal de Jerusalém, uma política que o Estado português, assim como a comunidade internacional, condena e não reconhece.

Acreditamos que a cooperação com instituições cúmplices da colonização e do apartheid israelitas só pode contribuir para o prolongamento da injustiça imposta ao povo palestiniano, normalizando-a, e portanto legitimando-a. A parceria do Museu Berardo com o Israel Museum vem denegrir o seu bom nome e prestígio e viola o código de ética para museus elaborado pelo Conselho Internacional dos museus. (7)

Sendo o Museu Berardo uma entidade em grande parte financiada pelo Estado português e os seus contribuintes, o Comité de Solidariedade com a Palestina vem solicitar-vos que ponham fim à vossa relação com o Israel Museum, devido à sua cumplicidade com violações de direito internacional, incluindo o crime de pilhagem. Pedimos também o cancelamento da exposição temporária ?No Place Like Home?, que para além dos argumentos éticos e legais expostos é extremamente ofensiva para com os refugiados palestinianos cujas terras e bens o museu roubou e saqueou.  

(1) http://www.badil.org/phocadownloadpap/Badil_docs/publications/Jer-1948-en.pdf Ver também: http://bit.ly/2p4b4Pb

(2) http://www.middleeasteye.net/essays/stealing-palestine-study-historical-and-cultural-theft-1001196809

(3) https://ore.exeter.ac.uk/repository/bitstream/handle/10871/15208/1948%20Ethnic%20Cleansing%20of%20Palestine.pdf;sequence=2

(4) https://bdsmovement.net/news/germany-do-not-collaborate-israel%E2%80%99s-cultural-crimes-regards-looted-palestinian-dead-sea-scrolls Ver também: http://www.jpost.com/Israel-News/Israel-pulls-out-of-Dead-Sea-Scrolls-exhibit-in-Germany-515839 

(5) http://bit.ly/2p4tI9I

(6) https://972mag.com/in-silwan-the-settlers-are-winning-big-time/97214/

(7) http://icom-portugal.org/multimedia/File/Cdigo%20tica%20-%202007%20-%20verso%20final%20pt.pdf

 

A resposta do Museu Berardo:

 

Exmos. Srs.,

A exposição ? No Place like home? integra-se nos fins para que foi instituída a Fundação e resulta de uma colaboração com o prestigiado Israel Museum.
 
A Fundação não toma posições sobre questões politicas por tal não se enquadrar nos fins para que foi criada, sendo certo que o Estado Português, que  mantêm relações diplomáticas com o Estado de Israel, não interfere com a politica cultural do Museu da responsabilidade última do seu Conselho de Administração.
 
O titulo da exposição tem única e exclusivamente ligação com o tributo a Duchamp e ao seu gesto, então revolucionário, de tratar  os objectos do quotidiano como arte. Se virem a brochura da exposição, que aqui se anexa, facilmente constarão que o título da exposição tem a ver única e exclusivamente com o conteúdo da exposição que reproduz o ambiente de uma casa e não de um qualquer território.

A Fundação de Arte Moderna e Contemporânea - Coleção Berardo tem o maior gosto em convidar os membros do Comité da Palestina para uma visita guiada à exposição permanente da Coleção Berardo, altura em que um dos nossos especialistas teria a oportunidade de vos dar a conhecer as fortes motivações culturais que levaram à realização desta exposição e a esta parceria.

Se no futuro houver uma exposição temporária do The Palestian Museum que se queira propor teremos todo o gosto em analisar essa possibilidade.

Com os melhores cumprimentos,
 

Pedro Bernardes
Diretor - Geral



Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/a-cumplicidade-portuguesa-com-a-76473

O ciclismo português deverá ter um representante no Giro d'Italia, que este ano - e coincidindo com a provocação de Trump - terá início em Jerusalém. A esse respeito, enviámos no dia 18 deste mês uma carta dirigida ao presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo e ao representante de Portugal na UCI-União Internacional de Ciclismo. Até à data não recebemos resposta destes dois organismos, pelo que tornamos pública a carta abaixo.

 

Exmo Sr. Delmino Albano Magalhães Pereira
Presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo

Exmo Sr. Artur Lopes
Representante de Portugal na União Internacional de Ciclismo

Neste momento em que surgem vários apelos de organizações da sociedade civil internacional e palestiniana para que o
Giro d?Italia 2018 não tenha início em Israel, o Comité de Solidariedade com a Palestina vem dirigir-se à Federação Portuguesa
de Ciclismo e ao Representante de Portugal na UCI para que escutem este apelo.

O código ético da União Internacional de Ciclismo afirma que a UCI ?reconhece a sua responsabilidade de salvaguardar
a integridade e a reputação do ciclismo em todo o mundo?. Ora, o Giro d?Italia é um evento mundial da UCI, pelo que esta tem
o dever e a autoridade para agir.

Antes de o presidente Trump reivindicar ilegalmente a soberania de Israel sobre Jerusalém, contra todo o consenso da comunidade
internacional e do direito internacional, o Giro d'Italia já estava a reforçar esta reivindicação, usando em materiais oficiais imagens
de Jerusalém Oriental como se ela fosse parte de Israel e removendo a palavra "ocidental" da descrição da etapa de Jerusalém,
após o governo de Israel ameaçar retirar o seu patrocínio.

O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, um acto ilegal contra os direitos dos palestinianos, é a forma mais grave
até à data de cumplicidade da administração americana por reforçar e legitimar o regime de apartheid em Jerusalém e acelerar
a limpeza étnica levada a cabo por Israel contra os palestinianos originários desta cidade.

A Federação Israelita de Ciclismo, membro da UCI, patrocina e organiza eventos de competição nos territórios palestinianos
ocupados, assim como nos Golãs ocupados, em descarada violação do direito internacional.

Da mesma maneira, a Academia Israelita de Ciclismo (ICA), uma equipa Pro Continental da UCI, participará numa corrida
em Jerusalém-oriental ocupada através do colonato ilegal de Pisgat Ze'ev uns dias antes do início do Giro d'Italia, evento no qual
ela também participará.

Tanto o acto de Trump como a decisão do Giro d?Italia encorajam o governo israelita e os colonatos ilegais a roubarem e destruírem
mais casas palestinianas, a expropriarem mais terras palestinianas e a negarem os direitos de residência a mais palestinianos de
Jerusalém. Encoraja-se igualmente Israel a impedir mais palestinianos dos territórios ocupados a entrarem na Jerusalém ocupada.

Apelamos para que a UCI honre a sua responsabilidade de defender o desporto do ciclismo e a sua separação da propaganda
política, que não se envolva em actos ilícitos, negando aos palestinianos os seus direitos reconhecidos pelas Nações Unidas.

Apelamos para que a UCI retire o ?Big Start? do Giro d?Italia 2018 de Israel e imponha sanções à Federação Israelita de Ciclismo e
à Academia Israelita de Ciclismo por participarem em corridas nos territórios ocupados, incluindo a sua eventual suspensão de
membros.

Contamos com o contributo do ciclismo português para que se cumpra o código ético da União Internacional de Ciclismo e
se respeite os direitos humanos na Palestina.

Agradecemos desde já a vossa atenção e aguardamos uma resposta com a maior urgência.

O Comité de Solidariedade com a Palestina,




Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/portugal-e-a-volta-de-italia-2018-com-76259

LIBERDADE PARA AHED TAMIMI - 18Nov2018 22:12:13

LIBERDADE PARA AHED TAMIMI

 

E TODAS AS CRIANÇAS PALESTINIANAS PRESAS

 

 

 

Uma menina desarmada de 16 anos faz tremer o ?poderoso? Estado de Israel.

 

Chamam-lhe ?agressora? porque, juntamente com a sua prima Nour, esbofeteou dois soldados no pátio da sua casa, em frente de uma câmara de vídeo. O exército invadiu-lhe a casa pela calada da noite e levou-a presa, a ela, à mãe e à prima.

No tribunal militar, juntaram várias acusações sobre os últimos cinco anos. Dizem que ela uma vez alvejou soldados com uma fisga e noutra mordeu a mão de um que queria levar preso o seu irmão mais novo. Apontam-lhe ?crimes? cometidos desde os 11 anos de idade.

 

Mas o que fazem na aldeia de Ahed os soldados mordidos, apedrejados, esbofeteados? São soldados ocupantes, armados até aos dentes, que todos os dias demolem casas e escolas, roubam poços e expropriam terras. Na manhã do esbofeteamento, tinham ferido na cabeça um outro menino, primo de Ahed, que ficou em coma induzido.

Muitas terras na aldeia da Ahed, situada na Cisjordânia, foram colonizadas, os habitantes nunca desistiram de protestar contra esse roubo e, por isso, foram sempre reprimidos. Ahed testemunhou a morte de membros da sua família e viu muitos serem presos.

 

Ela é um símbolo da resistência, porque levanta o mundo contra o ministro da Educação, que reclama para ela a prisão perpétua. Ahed Tamimi é uma ativista destemida, como muitas que vieram antes dela e outras muitas que ainda virão enquanto não houver liberdade para o povo palestiniano.

 

Liberdade imediata para Ahed Tamimi e todas as outras crianças detidas nas prisões israelitas!

 

Vigília no sábado 13 de janeiro, às 15 horas,

 

no Largo de Camões

 

 

Acompanhe todas as acções na página de facebook ?Pela libertação imediata de Ahed Tamimi?, partilhe esta informação com familiares e amigos. UTILIZE AS #FreeAhed #FreeAhedTamimi #FreePALESTINE



Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/76002.html

Um artigo de Bradley Burston


Existe um axioma na política israelita que defende que apenas a direita pode deitar abaixo a direita.

Não devia ser surpresa, assim sendo, que os passos, desajeitados e precipitados, tomados pelo governo de Benjamin Netanyahu ? sem dúvida o mais flagrantemente à direita da história nacional - estão involuntariamente a compor um manual de como lutar contra a jóia da coroa da direita, a eterna ocupação militar de Israel nos territórios palestinianos.

 

Lição 1: Boicote aos colonatos

Israel passou anos a promover legislação anti-boicote e a gastar grandes esforços na asserção de que não existe diferença entre boicotar os colonatos e boicotar Israel como um todo.

A menos, claro, que seja o governo de Israel a apoiar o boicote.

Esta semana, sem qualquer lamento dos agressivos ministros pró-colonatos do gabinete, Israel aprovou um acordo de cooperação e ajuda com a União Europeia. Este pacto estabelece que empresas e organizações para além das fronteiras de Israel estabelecidas antes de 1967 - isto é, em colonatos na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Montes Golan - não são elegíveis para fazer parte da iniciativa ou receber financiamentos.

Em português simples, Israel concordou oficialmente com um boicote aos colonatos.

Moral: Agora temos luz verde sobre a Linha Verde. Todos os que se opõem à expansão dos colonatos como obstáculo para a paz e como a principal força motriz que desgasta a democracia israelita, devem sentir-se livres - de facto, devem tomar a iniciativa - de boicotar os produtos dos colonatos.

 

Lição 2: Prova de que o objetivo de Israel é o domínio permanente de toda a Cisjordânia e Jerusalém Oriental

Com uma velocidade alucinante - que num universo trumpiano pode ser totalmente intencional - o partido que governa Israel passou a primeira semana do novo ano a confirmar as alegações de alguns dos seus críticos mais estridentes.

Para aqueles que há muito alegam que a Israel de Netanyahu nunca vai permitir um Estado palestiniano, certamente nunca com capital em Jerusalém, e que o objetivo de Israel é o domínio permanente e abrangente de toda a Cisjordânia e Jerusalém Oriental sem nenhuma negociação com palestinianos sobre igualdade de direitos ou auto-determinação, a resposta veio esta semana. A resposta foi: "Estiveram sempre certos."

Na véspera de Ano Novo, numa votação espantosamente unânime, o orgão governante do partido Likud, o todo-importante Comité Central, aprovou a resolução de anexar um arquipélago dominante de área de terreno da Cisjordânia, englobando todas as áreas reclamadas pelos colonatos, legalmente ou não. Embora a resolução não seja vinculativa, ela mapeia a eventual anexação pelo governo, que teria declarado a lei de Israel vinculativa para todos os israelitas da região, enquanto os palestinianos continuariam desprovidos de direitos e sob ocupação militar.

Em português simples, ou melhor, em africânder: Apartheid.

E não foi só. Mais tarde na noite de Ano Novo, o Knesset aprovou uma lei que parecia ter como intenção tornar impossível fazer negociações ou compromissos sobre as fronteiras de Israel. No final, acabou por ser pior. A lei aparentemente torna impossível lidar com o grande número de palestinianos na cidade, livrando-se de dois terços destes para um bantustão extra-municipal sombrio mas ainda sob controlo israelita. Apartheid dentro de Apartheid.

Moral: Quando a direita fala do seu desejo de paz, pergunte-lhe se está disposta a comprometer-se ou abdicar de alguma coisa. Se disserem que mudar a embaixada dos EUA para Jerusalém é um passo para a paz, ver a Lição 6 abaixo.

 

Lição 3: Promoção de ícones da resistência palestiniana

Na Cisjordânia, uma adolescente palestiniana esbofeteia um soldado das IDF. A menção no The New York Times e até o advogado da rapariga reconhecem que os soldados que ela enfrentou agiram com uma contenção admirável.

Israel podia ter deixado isto passar. Mas, não. Os ultra-falcões das redes sociais e ministros do gabinete de direita, esfomeados por publicidade, tropeçaram uns nos outros para uivar "sangue!", com o Ministro da Educação a pedir até prisão perpétua para Ahed Tamimi, de 16 anos. Todos os movimentos subsequentes do governo embaraçado agiram para a confirmação da adolescente como uma Joana de Arc contemporânea ou uma David feminina na história do Golias - em suma, um poderoso ícone da resistência palestiniana a uma ocupação militar colossalmente injusta, tão à deriva quanto permanente.

Após hesitar durante dias, os militares invadiram a casa de Tamimi na aldeia de Nebi Saleh, pela calada da noite. Prenderam a rapariga, a sua mãe e a sua prima. Foram as três sujeitas a uma série de humilhações. Entre as muitas acusações apresentadas contra a rapariga, uma remonta a quase dois anos. E sim, tal como David, Ahed Tamimi foi acusada de usar uma fisga. Em Abril de 2016 alegam ter utilizado a fisga contra forças de segurança israelitas, que passaram anos a tentar reprimir os protestos da aldeia em vão, muitas vezes com consequências fatais para os habitantes da aldeia.

 

Lição 4: Cavar um buraco mais fundo

Enquanto Ahed Tamimi e a sua mãe continuam detidas, a direita tem sido rápida a aprofundar os danos a Israel é à ocupação, adicionando à mistura um novo toque de racismo, xenofobia, e não pouco ódio interno.

"Quando o The New York Times nos elogiou, eu soube que estávamos em apuros," disse no mês passado, o conhecido comentador e advogado de direita Nadav Haetzni. "Isto demonstra a falta de entendimento do parolo Ashkenazi do The New York Times, e dos apoiantes de Obama e Hillary, que não entendem - tal como Obama não entendia - o mundo árabe."

Ao dizer ao Channel 10 de Israel que os Tamimi todos eram uma "família que há muito devia estar presa, ou deportada daqui," Haetzni, filho do pioneiro do movimento dos colonatos Elyakim Haetzni, teve palavras amargas para os palestinianos como um todo:

"Eu também sou Askenazi, mas tento entender o que me rodeia. No cenário em que nos encontramos, se não reagirmos a coisas como esta, o outro lado, que é selvagem, incivilizado, recebe a imagem de uma vitória, e isto apenas o encoraja a cometer actos de terrorismo e a caçar-nos."

 

Lição 5: Confirmar a injustiça judicial

Caso de Estudo: No final de 2015, um adolescente colono mascarado ataca um rabino líder de uma organização judia de direitos humanos. O adolescente espanca o rabino Arik Ascherman, que é na altura líder dos Rabinos Pelos Direitos Humanos, atirando-lhe uma pedra e brandando uma faca contra ele. O ataque foi registado em vídeo.

No mês passado, após o ministro do Interior, Aryeh Deri, ter escrito uma carta de apoio ao réu, dizendo que conhece pessoalmente o adolescente, que acredita que ele tem um grande coração e é caracterizado por ajudar os outros, um tribunal decretou que o atacante, agora com 19 anos, não seria condenado por nenhum crime. Em vez disso, fará 150 horas de serviço comunitário.

A juíza Sharon Halevy escreveu que optou pelo serviço comunitário, em parte porque uma condenação poderia prejudicar as hipóteses do jovem de se alistar no exército israelita.

Moral: Os colonos podem fazer o que querem. Assaltar quem quiserem. Roubar e ocupar e vandalizar o que querem. Justiça? No que toca a colonos, É realmente cega.

 

Lição 6: Trump

A semana passada, o ministro dos Transportes de Netanyahu, Yisrael Katz, anunciou que Israel irá baptizar uma estação ferroviária em nome de Donald Trump, na Cidade Velha em Jerusalém Oriental, e espera-se que a estação seja localizada - se chegar a ser construída - na Porta do Esterco da cidade santa.

Não é possível inventar qualquer parte da frase acima.

 

Lição 7: Estigmatizar a Fundo Nacional Judeu (JNF) como ocupante

Dos muitos, muitos exemplos, o mais recente é este: Uma subsidiária do JNF está a ajudar um esforço que dura há uma geração para despejar uma família palestiniana da sua casa num bairro de Jerusalém Oriental de Silwan, onde o colonato NGO/conglomerado Elad espera por ocupar a casa.

Moral: Não dê ao Fundo Nacional Judeu.

 

Lição 8: A perspetiva iraniana

Na segunda-feira, Netanyahu publicou no Twitter que desejava "ao povo iraniano sucesso na sua nobre demanda pela liberdade." Acrescentou que "Bravos iranianos saem às ruas. Procuram liberdade. Procuram justiça. Procuram as liberdades fundamentais que lhes foram negadas durante décadas."

Hmm. Não há liberdade para os palestinianos? Não há problema. Nenhuma perspectiva de direitos ou privilégios? Não há problema.

Moral: Deseje ao povo palestiniano sucesso na sua nobre demanda pela liberdade. Se por mais nenhuma razão, porque são seres humanos. E porque procuram as liberdades fundamentais que lhes foram negadas durante décadas. ?E a liberdade para os palestinianos pode também finalmente libertar os israelitas de... bem, deles próprios.


Traduzido de:

https://www.haaretz.com/israel-news/1.83265





Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/a-israel-de-netanyahu-esta-a-ensinar-o-75614

Artigo de Yousef Munayyer
 
Quando soube que a internacionalmente aclamada cantora, compositora e produtora musical Lorde estava a reconsiderar a decisão de actuar em Israel... tive o bom pressentimento de que ela iria cancelar o concerto. Este fim-de-semana, foi  o que ela fez. "Recebi um número impressionante de mensagens e cartas e tive muitas discussões com pessoas defendendo vários pontos de vista, e acho que a decisão correcta neste momento é a de cancelar o concerto," disse ela num comunicado.
 
Acredito que a história recorderá a sua decisão como um passo importante no caminho para a liberdade, a justiça e a igualdade na Palestina/Israel.
 
Os activistas pelos direitos dos palestinianos foram rápidos a mostrarem-lhe o seu apoio. Mas nem toda a gente concorda com a decisão de Lorde, e uma olhada sobre meios de comunicação social revela o início da reacção que já começou por parte de apoiantes de Israel. Roseanne Barr chamou Lorde de "fanática", enquanto que outros a acusam de ter cedido à "pressão" da BDS ? uma linguagem curiosa dado que ela respondeu a uma carta de fãs e decidiu renunciar ao que certamente teria sido um concerto lucrativo.
 
Os incentivos eram muito fortes para que ela actuasse em Telavive, como o são para todos os artistas que enfrentam a decisão de renunciar a uma oportunidade lucrativa. Qualquer pressão que tenha havido veio apenas da sua própria consciência depois de ter tomado conhecimento, pesado e discutido a questão com cuidado. Lorde também parece ter tomado em consideração os pedidos dos fãs, como a carta aberta de admiradores seus judeus e palestinianos neozelandêses pedindo-lhe que cancelasse o seu concerto, uma carta que vale a pena ler.
 
Ainda assim, muitos questionaram a sua decisão. Um dos produtores israelitas do seu concerto ainda encontrou maneira de insultá-la quando ela explicava a sua decisão, dizendo que tinha sido "ingénuo de pensar que uma cantora da sua idade consegueria lidar com a pressão". É bom lembrar que Lorde tem 21 anos e que na sociedade israelita é-se recrutado aos 18 anos  e considerado perfeitamente capaz de lidar com a responsabilidade de tomar decisões sobre a vida e a morte, armado com metralhadoras pesadas frequentemente apontadas para crianças palestinianas. Não só Lorde é uma adulta plenamente capaz de tomar as suas próprias decisões como tomou a decisão correcta e muito mais sensata do que alguns outros artistas que infelizmente não conseguiram responder ao apelo ao boicote.
 
Penso que todos os artistas deviam tomar a mesma decisão que Lorde. E nunca foi mais urgente para eles fazê-lo do que neste momento. Tomemos um tempo para rever o contexto em que teve lugar a decisão de Lorde. Nos dias e semanas antes desta decisão, o presidente Trump fez a sua declaração sobre Jerusalém. A resposta israelita que se seguiu aos protestos dos palestinianos foi típica da sua brutal ocupação militar.
 
Vale a pena reflectir sobre alguns casos em particular. Tomemos por exemplo o assassinato de Ibrahim Abu Thuraya. Duplamente amputado, Abu Thuraya perdeu as duas  pernas num ataque aéreo israelita há dez anos. Na semana passada, foi baleado por um atirador israelita na cabeça enquanto protestava no interior da faixa de Gaza cercada.
 
Não deveria ser preciso dizer que não há razão alguma para o uso de força letal contra um amputado desarmado. Não deveria ser preciso dizer que o seu assassinato deveria chocar a consciência pública. Mas isso não aconteceu. Como é hábito, a investigação militar israelita não encontrou nenhum delito e a sociedade israelita nem sequer piscou. Alguns até afirmaram que Abu Thuraya era um terrorista; um homem em cadeira de rodas que sustenta a sua família lavando carros e era conhecido por ter subido a uma torre eléctrica para amarrar no alto uma bandeira da Palestina durante uns protestos.
 
Agora, tomemos o caso de Ahed Tamimi, também a acontecer enquanto Lorde ponderava a sua decisão. Ahed, uma rapariga de 16 anos da aldeia de Nabi Saleh, pertence a uma família que tem estado na vanguarda dos protestos contra a ocupação israelita. Durante anos, a sua aldeia protestou contra a construção de um colonato israelita ilegal em expansão nas suas terras. Os soldados israelitas, os capangas da ocupação, têm a rotina de usar semanalmente a violência para reprimir os moradores da aldeia. Ahed já viu vários membros da sua família morrerem às mãos desta violenta repressão israelita ao longo dos anos e viu outros serem arrastados para prisões israelitas.
 
Na semana passada, um vídeo de Ahed esbofateando um soldado israelita em frente da sua casa tornou-se viral. Pouco antes desse momento filmado, soldados israelitas tinham disparado uma bala revestida de borracha  na cara de um dos seus primos mais novos, Mohamed, de 14 anos. A bala foi disparada a uma distância suficiente para partir o maxilar de Mohamed, fazendo o sangue escorrer do seu rosto e resultando numa cirurgia de urgência para a reconstrução do maxilar e coma induzido. Depois de o  vídeo de Ahed a bater nos soldados se ter tornado viral, Ahed, a prima e a mãe foram presas e estão detidas, já há dias, sem acusação.
 
Perante isso, qual foi a resposta na sociedade israelita ao vídeo de uma rapariga que perdeu tanto e colocou a vida à frente de um soldado que podia tê-la tomado num instante? Não foi a de perguntar "Como nos atrevemos?" mas sim "Como se atreve ela!"
 
O ministro da Defesa de Israel, ele próprio um colono, declarou que "todos os envolvidos, não só a rapariga, mas também os pais e aqueles que os rodeiam não vão escapar ao que merecem." O ministro da Educação israelita, Naftali Bennett, a pessoa responsável pela educação das crianças em Israel, disse que essa criança palestiniana deveria passar o resto dos seus dias na prisão. Esse é o mesmo ministro que disse que o soldado israelita Elor Azaria, que cometeu um assassinato a sangue frio filmado em vídeo, não deveria permanecer "um único dia na prisão". Mas isto não foi o pior de tudo. Michael Oren, um membro do Knesset [parlamento], americano de origem e ex-embaixador  nos EUA, questionou se os Tamimis seriam mesmo uma família e focou as roupas americanas suspeitas de Ahed. Aparentemente, os palestinianos que não encaixam claramente nos estereótipos racistas na mente de Oren só podem ser míticos.
 
A julgar pelas palavras dos seus líderes e da imprensa, os israelitas em geral foram incapazes de ver este momento em Nabi Salehcomo o que ele era: um episódio de uma brutal ocupação militar. Em vez disso, viram uma rapariga desarmada de 16 anos como sendo a agressora e o agente da ocupação fortemente armado, cujo exército mata e prende os membros da sua família e facilita o roubo das suas terras, como, de alguma forma, a vítima. "Quando assisti àquilo, senti-me humilhada, senti-me esmagada," disse Miri Regev, ministra israelita e antiga porta-voz militar, que tratou o episódio de "prejudicial à honra do exército e do Estado de Israel." Pensemos nisso por um momento. Os israelitas, que têm o maior arsenal nuclear per capita do mundo e um dos exércitos mais capazes e poderosos do mundo, que dirigem os seus modernos aviões, tanques e navios contra palestinianos apátridas, foram desonrados, esmagados e humilhados, não por outro exército mas pelas mãos vazias de uma garota de 16 anos.
 
Coisas como as reações dos israelitas perante Ahed Tamimi ou a sua falta de resposta à morte de Abu Thuraya demonstram como a consciência israelita, quando se trata dos palestinianos que eles controlam, definhou, apodreceu e morreu.
 
E são momentos como este que demonstram exactamente por que a decisão de Lorde é tão importante e justificada.
Os líderes israelitas afirmam ao seu povo que as suas políticas e o seu comportamento para com os palestinianos são justificados. Eles são ajudados e incitados nesse empreendimento por uma comunidade internacional que, em vez de sancionar Israel, tem com ele relações comerciais e pelos Estados Unidos que, em vez de responsabilizar Israel pelas suas violações, continua a enviar-lhe uma ajuda de 3,8 bilhões de dólares ano após ano.
 
Por outras palavras, é dito à sociedade israelita, tanto internamente como externamente, que a sua brutal opressão dos palestinianos está correcta. Para os israelitas acabarem com a opressão dos palestinianos, será preciso começar com um apelo dramático à tomada de consciência da sociedade israelita, que leve à percepção de que há custos a pagar pela negação da liberdade e igualdade a milhões de seres humanos palestinianos. A sociedade civil palestiniana abraçou uma acção económica não-violenta sob a forma de BDS [boicote-desinvestimento-sanções] como táctica para transmitir esta mensagem e apelar à solidariedade internacional ao fazê-lo.
 
A escolha do Lorde de responder a este apelo contribui para enviar a Israel a mensagem de que esta situação não é normal e não pode ser normalizada, e que Israel não pode continuar a ignorar as injustiças que são cometidas contra os palestinianos. Ela junta-se a uma lista crescente de artistas e performers que tomaram a mesma decisão, e muitos mais seguirão os seus passos.
 
Tal como no caso da África do Sul, os artistas têm um papel importante a desempenhar na busca da paz e da justiça. E, tal como no caso da África do Sul, alguns dos mesmos argumentos que os defensores do apartheid na África do Sul do usaram sem sucesso contra os esforços BDS na altura estão a ser reciclados hoje para defender as políticas de apartheid de Israel na Cisjordânia. Também esses esforços não terão êxito.
 
Um desses argumentos usados contra a decisão de Lorde chegou do campo "whataboutista". No Twitter, os adversários foram rápidos em apontar que a cantora está a cancelar o concerto em Israel, mas não na Rússia, também culpada de violações dos direitos humanos, e, portanto, os seus esforços de boicote e os do BDS mais geralmente são hipócritas. Isto também é reciclado da propaganda do regime de apartheid sul-africano. Naquela altura, os defensores antiboicote  apontariam para outros países na África e na Ásia com fracos registros de direitos humanos, tal como os defensores de Israel se envolvem em acusar outros hoje a fim de desviar a responsabilidade pela negação dos direitos dos palestinianos. A verdade é que a África do Sul do apartheid não tinha o pior registo de direitos humanos da história, mas foi o pior violador dos direitos humanos dos negros sul-africanos nativos. Da mesma forma, Israel pode não ser o pior ou o único violador dos direitos humanos no mundo de hoje, mas é o pior violador dos direitos humanos dos palestinianos.
 
Tácticas como boicotes são específicas do contexto e são implementadas pela sua utilidade. Estas táticas foram desenvolvidas  pela sociedade civil palestiniana e cada vez mais pela sociedade civil internacional, porque a superestrutura internacional falhou em responsabilizar Israel pelas suas violações. Ao contrário da Rússia ou de outros Estados como a Coreia do Norte, Myanmar ou outros, onde os EUA e outros países implementaram sanções económicas, Israel recebe bilhões de dólares em armas de Washington e recebe protecção incondicional nas Nações Unidas. Dito isto, sempre que um povo oprimido em qualquer lugar do mundo organizar um apelo à solidariedade internacional contra os seus opressores que desprezam o direito internacional e encontram no entanto uma maneira de fugir a qualquer responsabilização, como sanções ou embargos de armas, personalidades da cultura devem mostrar-se atentas ao seu apelo como fizeram pelos sul-africanos e como deveriam fazer pelos palestinianos.
 
Um dia, liberdade, justiça e igualdade reinarão finalmente para israelitas e palestinianos da mesma maneira. Então poderemos todos cantar e dançar sem um pano de fundo de racismo, discriminação e brutalidade. Sonho com o primeiro concerto na minha terra natal depois da liberdade, quando todos os artistas que boicotaram puderem finalmente voltar e actuar. Estou ansioso por ver lá a Lorde  como parte de uma linha histórica ao lado de Roger Waters, Lauryn Hill e muitos, muitos mais.
 
Valerá a pena esperar por esse concerto da liberdade precisamente porque a liberdade é algo por que vale a pena lutar.
 
 
Yousef Munayyer, analista político e escritor, é director executivo da Campanha pelos Direitos dos Palestinianos nos Estados Unidos.

Traduzido da versão inglesa publicada em 26.12.2017 em:
https://forward.com/opinion/390845/thank-you-lorde-for-standing-up-for-palestinian-human-rights/


Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/obrigado-lorde-por-defenderes-os-75293

Damien Gayle, The Guardian, 29-9-2017


A Universidade de Manchester censurou o título crítico a Israel de uma sobrevivente do Holocausto e insistiu para que a sua palestra no campus fosse gravada, depois de diplomatas israelitas terem dito que o seu discurso era de ódio anti-semita.

Marika Sherwood, uma judia sobrevivente do gueto de Budapeste, devia dar uma palestra em março sobre a forma como Israel trata os palestinianos intitulada: "Vocês fazem aos palestinianos o que os nazis me fizeram a mim."

Mas após uma visita de Mark Regev, o embaixador de Israel, e seu adido dos  assuntos civis, os funcionários da Universidade proibiram os organizadores de usar o título "indevidamente provocador" e definiram um conjunto de condições para que a palestra pudesse realizar-se.

Os estudantes tinham convidado Sherwood para falar no âmbito da Semana do Apartheid Israelita e de uma série de eventos organizados pela comissão de estudantes da universidade para a campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções.

Os diplomatas israelitas visitaram Manchester no dia 22 de fevereiro e reuniram com o dirigente da iniciativa estudante, Tim Westlake. Mais tarde naquele dia, Michael Freeman, conselheiro da embaixada para os assuntos da sociedade civil, escreveu um email a Westlake agradecendo-o por discutir as "questões difíceis que enfrentamos", incluindo a "ofensivamente intitulada" Semana do Apartheid Israelita.

Mencionando o título da palestra de Sherwood, Freeman disse que ele viola a definição de anti-semitismo da Aliança Internacional para a Lembrança do Holocausto. Fez também acusações de anti-semitismo contra dois oradores previstos para um evento separado, citando tweets e a sua recusa em condenar o comportamento anti-semita.

"Estes dois eventos irão aos [sic] levar os alunos judeus a sentirem-se desconfortáveis no campus e a sentirem que são alvo de assédio devido à sua identidade enquanto povo e à sua ligação ao Estado judeu de Israel," disse Freeman a Westlake. "Eu agradecia que pudesse debruçar-se sobre esses eventos e tomar a medida apropriada."

A correspondência surgiu depois de o Gabinete do Comissário para a Informação ter obrigado Manchester a revelar a um aluno "toda a correspondência entre a Universidade de Manchester e o lobby israelita" entre 1 de fevereiro e 3 de março. A divulgação  incluía o email de Freeman.

Nesse email, Freeman escrevia: "Saudamos o debate e a discussão e vemo-los como uma parte essencial de uma democracia saudável e de uma sociedade aberta. No caso destes dois eventos específicos, sentimos que não se trata de críticas legítimas mas sim de pisar a linha entrando no discurso do ódio?.

No dia seguinte, um funcionário da Universidade enviou um email a Huda Ammori, organizador do evento, com as condições: os académicos escolhidos para presidir aos eventos foram substituídos por outros nomeados pela Universidade, a publicidade foi limitada a estudantes e professores, e os organizadores foram informados de que as palestras seriam gravadas.

Foi dito a Ammori: "Para «A história de uma sobrevivente do Holocausto e a declaração de Balfour» o uso do título ou subtítulo, 'Vocês fazem aos palestinianos o que os nazis me fizeram a mim' não é permitido, devido à sua natureza excessivamente provocadora."

Ao que Ammori respondeu: "Nas instituições de ensino não deveria haver nenhum tipo de pressão de governos estrangeiros. Não os imaginamos a negociarem com a embaixada da Arábia Saudita um evento sobre o que está a passar-se no Iémen."

O palestra de Sherwood foi para a frente com um cartaz revisto, onde o subtítulo foi retirado. Ela negou que o título da sua palestra pudesse ser caracterizado como antisemita.

"Eu estava apenas a falar da minha experiência daquilo que os nazis me fizeram por ser uma criança judia," disse ela. "Tive que mudar-me para longe do lugar onde estava a viver, porque os judeus não podia viver lá. Não podia ir à escola. Eu teria morrido se não fossem os cristãos que nos baptizaram e nos deram documentos para nos salvar".

?Não posso dizer que sou palestiniana, mas as minhas experiências de criança não são diferentes das que as crianças palestinianas estão a viver actualmente?.

Um porta-voz da embaixada israelita disse que não considerava a reunião como lobbying, pois os encontros entre embaixadas e universidades são comuns. Sublinhou que o email de Freeman saudava o debate e a discussão.

Sobre a palestra de Sherwood disse: "Comparar Israel ao regime nazi poderia razoavelmente ser considerado como anti-semita, dado o contexto, de acordo com a definição de base de anti-semitismo do IHRA, que é aceite pelo governo britânico, o Partido Trabalhista, a NUS [União Nacional dos estudantes] e a maioria das universidades britânicas."

 A Universidade de Manchester fez um discurso livre sobre a prática aplicada a todos os eventos do campus envolvendo oradores externos e questões controversas, e os funcionários verificaram as leis relevantes, incluindo a Lei da igualdade de 2010, antes de os aprovar.

"Neste caso, a Universidade permitiu que os eventos se realizassem em conformidade com os requisitos da lei e com o nosso compromisso com os princípios da liberdade de expressão", disse o seu porta-voz, sem abordar a reunião com os diplomatas.

Traduzido do original: https://www.theguardian.com/education/2017/sep/29/manchester-university-censors-title-holocaust-survivor-speech-criticising-israel

 


Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/universidade-do-reino-unido-censura-o-75218

Ali Abunimah,  25 setembro 2017
https://electronicintifada.net/blogs/ali-abunimah/germanys-new-nazis-see-israel-role-model
 


"Infelizmente, os nossos piores receios tornam-se realidade," disse Josef Schuster, presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, a propósito do sucesso eleitoral de Alternativa para a Alemanha nas eleições de domingo.

Conhecido pela sua sigla alemã AfD, o partido nacionalista extremista ganhou quase 100 assentos no parlamento da Alemanha.

"Um partido que tolera posições de extrema-direita nas suas fileiras e incita ao ódio contra as minorias no nosso país está hoje não apenas em quase todos os parlamentos regionais mas também representado no Bundestag", disse Schuster.

O partido é conhecido por abrigar toda a espécie de racistas e extremistas, incluindo apologistas da memória da guerra da Alemanha e revisionistas do Holocausto.

Foi um desastre previsto pelos políticos tradicionais da Alemanha.

Sigmar Gabriel, ministro dos Negócios Estrangeiros do país, advertiu no início deste mês que se a AfD tivesse um bom resultado nas urnas, "teremos verdadeiros nazis no Reichstag alemão pela primeira vez desde o fim da segunda guerra mundial."

Os financiadores pro-Israel apoiam os neo-nazis

Se é verdade que a Alemanha não precisa de lições de como ser racista, esta catástrofe pode ser atribuída em parte aos líderes israelitas e seus apoiantes fanáticos: durante anos eles fizeram causa comum com a extrema-direita na Europa, demonizando os muçulmanos como invasores externos que devem ser rejeitados e até expulsos de maneira a manter uma pureza mítica europeia.

Também pode ser atribuída aos líderes alemães que, durante décadas, reforçaram este Israel racista através do financiamento da ocupação militar israelita e da opressão dos palestinianos.

O que aconteceu na Alemanha é mais uma faceta da aliança da supremacia branca-sionista que encontrou um lar na Casa Branca de Donald Trump.

Nas últimas semanas, os emblemáticos liberais The New York Times e The Washington Post têm andado à caça das sombras inexistentes da interferência russa nas eleições alemãs.

Entretanto, como Lee Fang escreveu no The Intercept, o Gatestone Institute, o grupo de reflexão da maior financiadora da indústria islamofóbica Nina Rosenwald, inundava a comunicação social alemã com "um fluxo constante de conteúdo inflamatório sobre as eleições alemãs, focado em alimentar medos sobre os imigrantes e muçulmanos".

O Gatestone Institute é dirigido por John Bolton, o antigo diplomata americano neo-conservador conhecido pelo seu apoio belicista à invasão do Iraque.

Os artigos do Gatestone afirmando que o cristianismo se está a "extinguir" e avisando contra a construção de mesquitas na Alemanha foram regularmente traduzidos para o alemão e publicados por políticos e simpatizantes da AfD.

História após história eles alegaram que os migrantes e os refugiados violavam mulheres alemãs e traziam doenças perigosas para o país, temas clássicos da propaganda nazi usados outrora para incitar ao ódio exterminador dos judeus.

Numa trágica ironia, o pai de Rosenwald, um herdeiro da fortuna das lojas Sears, usou a sua riqueza para ajudar refugiados judeus a fugirem da perseguição na Europa.

A sua filha tomou um caminho diferente. O jornalista Max Blumenthal chamou Nina Rosenwald de "mãe doce do ódio anti-muçulmano."

Blumenthal relatou em 2012 que Rosenwald ?usou os seus milhões para consolidar a aliança entre o lobby pro-Israel e os extremistas islamofóbicos.?

Para além de financiar uma série dos mais notórios demagogos anti-muçulmanos, segundo Blumenthal, Rosenwald "serviu o Conselho da AIPAC, o braço central do lobby de Israel na América, e exerceu funções de direcção numa série de organizações pró-Israel."

O partido de Anders Breivik

Numa coluna no dia após a eleição, The Jerusalem Report, publicado pelo direitista Jerusalem Post, ofereceu à líder parlamentar da AfD Beatrix von Storch uma plataforma para difundir a ideologia anti-muçulmana do partido.

The Jerusalem Report também cita o politólogo alemão Marcel Lewandowsky explicando que " os membros da AfD vêem a União Europeia como um traidor à herança cristã da Europa por terem deixado entrar os muçulmanos. A ideia é que a islamização da Europa foi causada pela UE."

"Substituição" pelos muçulmanos, explicou Lewandowsky, "é o cerne do medo dos eleitores da AfD."

Isto significa que a ideologia central do partido é indistinguível da de Anders Breivik, o norueguês que assassinou dezenas dos seus concidadãos, principalmente adolescentes, num acampamento de jovens do Partido Trabalhista, em julho de 2011, em nome da barreira à "islamização" da Europa.

Um dos maiores benfeitores da generosidade de Rosenwald, segundo Blumenthal, foi Daniel Pipes, o influente demagogo pró-Israel, anti-muçulmano que Breivik citou 18 vezes no seu famoso manifesto.

Admiração por Israel

O líder parlamentar da AfD von Storch, deputado no Parlamento Europeu, também usa a entrevista do The Jerusalem Report para esquematizar a postura pro-Israel do seu partido, comparando o seu nacionalismo alemão à ideologia sionista de Israel.

Segundo o The Jerusalem Report, von Storch é um fundador de "Amigos da Judeia e Samaria," um grupo de extrema-direita no Parlamento Europeu que apoia a colonização ilegal de Israel em território palestiniano ocupado.

Estranhamente, esse grupo lista como uma das suas pessoas de contacto o dirigente do " Conselho Regional Shomron," uma organização de colonos na Cisjordânia ocupada.

"Israel poderia ser um modelo para a Alemanha," disse von Storch ao The Jerusalem Report. Israel é uma democracia que tem uma sociedade livre e pluralista. Israel também faz esforços para preservar a sua cultura e tradições únicas. O mesmo deveria ser possível para a Alemanha e qualquer outra nação."

A identificação de von Storch com Israel faz eco à do demagogo nazi Richard Spencer, que descreveu a sua visão de um "etno-estado" ariano como "sionismo branco."

A presidente da AfD Frauke Petry também manifestou o seu apoio aos colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada. Em fevereiro, ela disse ao jornal de direita Tablet que a sua única visita a Israel lhe tinha dado uma visão positiva do país.

"De repente a imagem que se tem é um pouco diferente da que se tem quando se vive longe," ela disse.

Estes pontos de vista fazem eco aos de Anders Breivik. Ele era um grande admirador do sionismo e defendia uma aliança com Israel para lutar contra os muçulmanos e os seus apoiantes "marxistas culturais/multiculturalistas".

Os líderes dos colonos israelitas tomaram nota. Enquanto o mundo estava sob o choque do êxito eleitoral da AfD, Yehuda Glick, um legislador do Likud, partido do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, twitou que todos aqueles que estavam "em pânico" com a AfD deviam estar confiantes de que Petry estava a trabalhar "intensamente" para expulsar todos os elementos anti-semitas.

Glick, um líder do movimento apocalíptico que visa destruir a Mesquita de al-Aqsa de Jerusalém e substituí-la por um templo judeu, também recomenda um artigo que descreve a postura pro-Israel da AfD.

Segundo o Tablet, a visita de Petry também a levou a acreditar "que a Europa deveria aprender mais com Israel na sua luta contra o terrorismo."

De acordo com uma sondagem recente, este forte apoio a Israel é sentido nas fileiras da direcção da AfD.

Aliança com o sionismo

Há uma lógica clara para os dirigentes da AfD aderirem à aliança recentemente revigorada entre forças de extrema-direita tradicionalmente anti-semitas, por um lado, e Israel e sionistas por outro.

A presidente do partido Petry tem argumentado que os judeus devem estar dispostos a conversar com a AfD sobre interesses supostamente comuns, explicando, segundo o Tablet, que "é a esquerda na Alemanha e os novos imigrantes muçulmanos que dirigem o movimento anti-Israel do seu país ".

"Tanto o anti-semitismo como o anti-sionismo são mais fortes na comunidade islâmica e na esquerda", disse von Storch. "Eles rejeitam o facto de que as bases judaico-cristãs da civilização europeia são fundamentais para o seu sucesso. Reconhecemos a ameaça que representam para a comunidade judaica de Israel e da Alemanha e a sua segurança é uma grande prioridade para nós."

Isto é, naturalmente, o mais descarado revisionismo: durante séculos as autoridades cristãs da Europa não só não consideraram os judeus como uma parte fundamental da sua "civilização", mas perseguiram-nos impiedosamente, por vezes tentando o genocídio.

Mas tais factos são ocultados no interesse de uma aliança anti-muçulmana actual que está preparada para deitar fogo ao tecido social cada vez mais desgastado das sociedades pluralistas, para bem da purificação nacional de Israel e da Alemanha.

O apoio de Israel aos fascistas

Olhando criticamente, como indicam os tweets de Glick, isto não foi um caso apenas de sentido único. Ele foi incentivado por Israel e os seus grupos de lobby.

A noção de que Israel é a ponta de lança de uma frente de batalha civilizacional ocidental contra o Islão tem sido uma reivindicação-chave de Netanyahu.

Ele e outros dirigentes israelitas têm explorado todos os ataques terroristas na Europa para avançar com a mensagem venenosa de que Israel está "a combater na mesma luta."

E os poderosos grupos de lobby de Israel, tais como a Liga Anti-difamação, que agora se mostram alarmados com o sucesso eleitoral da AfD, estão longe de ser inocentes.

Durante anos, a Liga Anti-difamação ? que se apresenta como um grupo de "anti-ódio" ? cortejou e branqueou influentes pregadores do ódio anti-muçulmano porque eles apoiavam a sua agenda pro-Israel.

Esse enlace entre sionistas e seus supostos opositores continua a desenvolver-se no bom acolhimento que os antigos conselheiros de Trump Steve Bannon e Sebastian Gorka encontraram em Israel e nos seus grupos de lobby.

Bannon falará na próxima gala da Organização Sionista da América, enquanto Gorka, que tem ligações aos nazis e às milícias anti-semitas violentas, foi recentemente recebido em Israel.

Isto pode ser visto no longo e visível silêncio do governo israelita quando o resto do mundo condenava a fúria dos neo-nazis em agosto em Charlottesville, na Virgínia.

Também pode ser visto na aproximação de Netanyahu aos dirigentes de extrema-direita europeus, incluindo o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, que tentou reabilitar a aliança com Hitler no seu país durante a guerra.

Se o descaramento desta aliança pode ser chocante, ela remonta aos anos iniciais dos movimentos sionista e nazi. Como o professor Joseph Massad da Columbia University salientou, sionistas e europeus anti-semitas historicamente compartilharam a mesma análise: que os judeus eram estranhos à Europa e tinham de ser deslocados para outro lugar.

E isto continua: comentadores israelitas estão a notar que Israel não tem tido pressa em condenar a AfD.

Netanyahu ? sempre rápido para atacar o alegado anti-semitismo dos críticos de Israel ? veio ao Twitter para felicitar a chanceler Angela Merkel pela sua vitória, mas até agora manteve-se calado sobre o assunto de que todo o mundo fala.

Na corrente dominante

Apesar do seu sucesso eleitoral, a AfD é afectada por divisões: a sua presidente Frauke Petry anunciou de surpresa na segunda-feira que não iria juntar-se à bancada parlamentar do seu partido.

Uma estratégia que os dirigentes do partido estão a desenvolver para tornar a AfD mais aceitável é a de tentar mitigar os receios da comunidade judaica.

Sem dúvida, eles continuarão a tentar fazê-lo expressando admiração e apoio a Israel ? a mesma abordagem da Frente Nacional francesa historicamente anti-semita.

Podemos contar ver a AfD reforçar o seu apoio a Israel, incluindo os seus colonatos na "Judeia e Samaria".

Mas isso é na verdade uma marca da sua integração. Historicamente, o estabelecimento da Alemanha no pós-guerra, incluindo os governos liderados por Merkel, tem "expiado" o genocídio dos judeus no país, apoiando Israel a cometer crimes contra os palestinianos.

Biliões de dólares de "reparações" alemãs não foram para ajudar sobreviventes do Holocausto, mas para armar Israel na ocupação militar e na colonização.

Para os palestinianos, portanto, o centrismo "moderado" de Merkel e a intolerância e racismo evidentes da AfD, são pouco diferentes na verdade.

Tal como Donald Trump apresenta a face nua e crua do militarismo e imperialismo americano que tem vitimado povos em todo o mundo durante décadas, a AfD é de certa forma uma voz mais honesta de uma Alemanha que fala dos "direitos humanos", enquanto apoia incondicionalmente um Israel cuja exportação principal é o extremismo e a islamofobia.

O racismo da Europa aliado a este mau vento de Israel produz uma mistura tóxica.



Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/os-neo-nazis-da-alemanha-veem-israel-74930

On World Photography Day, over 40 Portuguese photographers, teachers of photography and photography students have launched a pledge not to accept professional invitations or financing from the State of Israel and to refuse to collaborate with Israeli cultural institutions complicit in  Israel?s regime of occupation, colonialism and apartheid.

 

The pledge is the first of its kind and follows similar pledges to boycott Israel culturally by hundreds of high-profile artists in the US, UK, South Africa, Canada, Switzerland and France. The photographers pledge to boycott Israel until it?complies with international law and respects the human rights of Palestinians.?

 

Among the pledge supporters are João Pina, winner of the 2017 Prémio Estação Imagem Viana do Castelo, Portugal?s only photojournalism award and Nuno Lobito, TV personality and one of the most travelled Portuguese of all times (204 countries, 193 recognised).

 

The pledge comes in response to the 2004 call from Palestinian artists and cultural workers, including journalists and photographers, for a cultural boycott of Israel due to its use of culture to whitewash the oppression of Palestinians.

 

The cultural boycott of Israel is part of the global the Boycott, Divestment and Sanctions (BDS) movement, which is modeled after the South African anti-apartheid boycott campaign. The Palestinian-led BDS movement has seen impressive growth into the mainstream in the past few years.

 

Miguel Carriço, winner of the 2012 Concelho da Bienal de Vila Franca de Xira award, urged fellow photographers to join the call:

?Having witnessed first-hand the crimes Israel is committing daily against Palestinians, signing up to this initiative has become a natural step. It is fundamental to promote this effort through all means possible.?  

 

Palestinian photography artists are not exempt from the brutality of Israel?s occupation. Artists have been denied visas by the Israeli military establishment, preventing them from participating in conferences and performances internationally. Artists have also been detained at checkpoints, arrested, had their equipment broken, and exposed to the same violence perpetrated by the Israeli army on all Palestinians.

 

In 2014, Israel was considered the second most lethal country for journalists. Israel continues to step up its attacks against journalists in 2017. Last April, Israeli police fractured the ribs of AFP photographer Ahmad Gharabli and smashed two of his cameras. He was among six photographers targeted by the Israeli authorities on the same day. In May, an Israeli settler shot Majdi Mohamed, photographer for the Associated Press, while he was covering an Israeli incursion in Nablus. Israel?s attacks against Palestinian and international photographers are part of a systematic policy and have been perpetrated with impunity.

 

Traveller-photographer Nuno Lobito said:

?It is time for Israel?s brand of apartheid to enjoy the same treatment as South African apartheid and be target of a comprehensive internacional boycott until it respects human rights. Photographers can no longer be silent about the treatment of their Palestinian colleagues living under an indefensible occupation that has lasted for over half a century. Palestinians have called for solidarity through boycotts and this pledge is our practical contribution to their struggle.?

 

Signatory José Soudo, a veteran Photography teacher and Historian, commented:

?The history of photography is full of examples, from the 19th century to today, of photographers who gave their sight to the service of the oppressed and destitute.?

 

For João Henriques, winner of the 2015 Fnac New Talents Award, ?to participate in this solidarity initiative for Palestine is to believe in the power of photography to provide testimony, to create conscience and to have empathy for the Other.?

 

Support for the cultural boycott of Israel enjoys broad support internationally, among them  Roger Waters, Ken Loach, Mike Leigh, Lauryn Hill, Mark Rylance, Emma Thompson, Alice Walker, Naomi Klein, Elvis Costello, Brian Eno, Jean Luc Godard and Mira Nair.

 

In 2011, Queer Lisboa International LGBT Festival dropped its Israel sponsorship following a BDS campaign. This year, BDS activists called on the Almada Festival to cancel a collaboration with the Israeli government and its Brand Israel whitewash campaign.

Full text of the pledge:

 

?We support the Palestinian struggle for freedom, justice and equality. In response to the call from Palestinian photographers,  journalists and cultural workers for a cultural boycott of Israel, we pledge to accept neither professional invitations to Israel, nor funding, from the Israeli state and to refuse to collaborate with Israeli cultural institutions linked to its government until Israel complies with international law and respects the human rights of Palestinians.?

 

The photographers? pledge to boycott Israel is work-in-progress. Portuguese photographers wishing to add their name to this initiative should write a message to: comitepalestina@bdsportugal.

 

 



Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/fotografos-portugueses-lancam-74581

 

Por ocasião do Dia Mundial da Fotografia, assinalado a 19 de agosto, mais de 40 fotógrafos portugueses, professores de fotografia e estudantes de fotografia tornam público o seu compromisso de não aceitarem convites ou financiamentos profissionais do Estado de Israel e recusam-se a colaborar com instituições culturais israelitas cúmplices do regime de ocupação, colonialismo e apartheid.

O comprometimento é o primeiro deste tipo e segue iniciativas semelhantes de boicote cultural a Israel por centenas de artistas de relevo nos EUAReino UnidoÁfrica do SulCanadáSuíça e França. Os fotógrafos mantêm o boicote até Israel  "cumprir o direito internacional e respeitar os direitos humanos dos palestinianos".

Entre os apoiantes do comprometimento estão João Pina, vencedor da Prémio Estação Imagem Viana do Castelo 2017, o único prémio de fotojornalismo de Portugal e Nuno Lobito, personalidade de TV e um dos portugueses mais viajados de todos os tempos (204 países, 193 reconhecidos).

O comprometimento vem em resposta ao apelo de 2004 de artistas e trabalhadores culturais palestinianos, incluindo jornalistas e fotógrafos, para um boicote cultural a Israel, devido ao seu uso instrumental da cultura para branquear a opressão sobre os palestinianos.

O boicote cultural a Israel faz parte do movimento global de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), inspirado na campanha de boicote sul-africana contra o apartheid nos anos 80. O movimento BDS, com liderança palestiniana, viu um crescimento impressionante nos últimos anos.

Os artistas de fotografia palestinianos não escapam à brutalidade da ocupação israelita. Muitos tiveram os seus vistos recusados pelo exército de ocupação, impedindo-os de participar em conferências e apresentações internacionais. Artistas também foram detidos em postos de controlo, encarcerados, tendo o equipamento destruído e, no geral, são expostos à mesma violência perpetrada pelo exército israelita contra todos os palestinianos.

Em 2014, Israel foi considerado o segundo país mais letal para jornalistas. Israel continua a intensificar os seus ataques contra jornalistas em 2017. Em Abril passado, a polícia israelita fracturou as costelas do fotógrafo Ahmad Gharabli da AFP e quebrou duas das suas câmaras. Ele foi um dos seis fotógrafos alvo de violência pelas autoridades israelitas nesse dia. Em Maio, um colono israelita matou Majdi Mohamed, fotógrafo da Associated Press, enquanto ele estava a cobrir uma incursão israelita em Nablus. Os ataques de Israel contra fotógrafos palestinianos e internacionais fazem parte de uma política sistemática e foram perpetrados com impunidade.

Segundo Miguel Carriço, vencedor do prémio do Concelho da Bienal de Vila Franca de Xira 2012:

?Como fotógrafo, e como tendo testemunhado na primeira pessoa ? durante uma viagem para lá ? os crimes que se praticam (todos os dias) na Palestina por parte de Israel, subscrever esta causa é um ato natural, tão natural que se torna fundamental aderir e divulgar esta causa por todos os meios possíveis.?

O fotógrafo-viajante Nuno Lobito comenta:

"Chegou a altura para que o apartheid israelita receba o mesmo tratamento que o apartheid sul-africano e ser alvo de um boicote abrangente internacional até sejam respeitados os direitos humanos. Os fotógrafos não podem continuar em silêncio sobre o tratamento de seus colegas palestinianos sob uma ocupação indefensável que dura há mais de meio século. Os palestinianos pediram a nossa solidariedade através do boicote e este compromisso é a nossa contribuição prática para a sua luta."

O signatário José Soudo, veterano professor de fotografia e historiador, comentou:

?A História da actividade Fotográfica, está cheia de exemplos, que nos chegam desde o século XIX até aos dias de hoje, que nos comprovam que muitos e excelentes fotógrafos, colocaram o seu olhar ao serviço dos desfavorecidos e dos oprimidos.?

Para João Henriques, vencedor do Prémio Fnac New Talents de 2015, ?participar desta solidária iniciativa Fotógrafos pela Palestina é também constituir uma prece pelos povos em sofrimento na região, ao mesmo tempo acreditando na fotografia enquanto potência, para testemunhar, para gerar consciência, para verter empaticamente em nós o tempo presente do Outro.?

O apoio ao boicote cultural de Israel goza de um amplo apoio internacional, do qual se destacam os nomes de Roger Waters, Ken Loach, Mike Leigh, Lauryn Hill, Mark Rylance, Emma Thompson, Alice Walker, Naomi Klein, Elvis Costello, Brian Eno, Jean Luc Godard e Mira Nair.

Em 2011, o Festival Internacional LGBT Queer Lisboa abandonou o patrocínio israelita na sequência de uma campanha BDS. Este ano, activistas do BDS pediram ao Festival de Almada para cancelar uma colaboração com o governo israelita e a sua campanha de marketing Brand Israel.


Nota aos editores:

O texto completo do comprometimento é:

"Apoiamos a luta palestiniana pela liberdade, justiça e igualdade. Em resposta ao apelo de fotógrafos, jornalistas e trabalhadores culturais palestinianos para um boicote cultural a Israel, comprometemo-nos a não aceitar convites profissionais ou financiamentos do Estado israelita ou cooperar com qualquer instituição ligada ao seu governo, até que Israel cumpra com a lei internacional e  os princípios universais de direitos humanos."

A promessa dos fotógrafos de boicotar Israel é um trabalho em andamento. Os fotógrafos portugueses ou residentes em Portugal que desejem juntar o seu nome a esta iniciativa devem escrever uma mensagem para: comitepalestina@bdsportugal.org



Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/fotografos-portugueses-lancam-74475

Reproduzimos abaixo a carta que Shlomo Sand escreveu ao presidente francês Emmanuel Macron, depois deste ter declarado que o anti-sionismo era uma forma de anti-semitismo, durante a visita a França de Netanyahu.
Esta tradução portuguesa da carta foi publicada na newsletter de Julho do MPPM.

 

Carta de Shlomo Sand:


Ao começar a ler o seu discurso sobre a comemoração da rusga do Vélodrome d'hiver
[1], senti por si gratidão. Com efeito, tendo em vista uma longa tradição de dirigentes políticos, tanto de direita como de esquerda, que no passado e no presente eludiram a participação e a responsabilidade da França na deportação das pessoas de origem judaica para os campos da morte, V. Exª tomou uma posição clara e isenta de ambiguidade: sim, a França é responsável pela deportação, sim, houve efectivamente um anti-semitismo em França, antes e após a Segunda Guerra Mundial. Sim, é necessário continuar a combater todas as formas de racismo. Vi estas posições como estando em continuidade com a sua corajosa declaração feita na Argélia, segundo a qual o colonialismo constitui um crime contra a humanidade.

 

Para ser completamente franco, fiquei um tanto aborrecido pelo facto de V. Exª ter convidado Benjamin Netanyahu, que inegavelmente tem de ser incluído na categoria dos opressores e por conseguinte não pode arvorar-se em representante das vítimas de ontem. É certo que conheço há muito a impossibilidade de separar a memória da política. Talvez esteja V. Exª a empregar uma estratégia sofisticada, ainda não revelada, visando contribuir para a realização de um compromisso justo no Médio Oriente?

 

Deixei de compreender V. Exª quando durante o seu discurso declarou que:

«O anti-sionismo? é a forma reinventada do anti-semitismo.»

 

Esta declaração tinha por objectivo agradar ao seu convidado, ou é pura e simplesmente uma marca de incultura política? O antigo estudante de filosofia, o assistente de Paul Ric?ur leu assim tão poucos livros de história ao ponto de ignorar que muitos judeus, ou descendentes de filiação judaica, sempre se opuseram ao sionismo sem, no entanto, serem anti-semitas? Refiro-me aqui a quase todos os antigos grandes rabinos, mas também às tomadas de posição de uma parte do judaísmo ortodoxo contemporâneo. Tenho igualmente na memória personalidades como Marek Edelman, um dos dirigentes sobreviventes da insurreição do gueto de Varsóvia, ou ainda os comunistas de origem judaica, resistentes do grupo Manouchian, que pereceram. Penso também no meu amigo e professor, Pierre Vidal-Naquet, e em outros grandes historiadores ou sociólogos como Eric Hobsbawm e Maxime Rodinson, cujos escritos e lembrança me são caros, ou ainda em Edgar Morin. Por último, interrogo-me se, sinceramente, espera dos palestinos que não sejam anti-sionistas!

 

Suponho, contudo, que V. Exª não aprecia particularmente as pessoas de esquerda, nem, talvez, os palestinos; por isso, sabendo que trabalhou no banco Rothschild, apresento aqui uma citação de Nathan Rothschild, presidente da união das sinagogas da Grã-Bretanha e primeiro judeu a ser nomeado Lorde no Reino Unido, tendo-se tornado igualmente governador do seu banco. Numa carta dirigida em 1903 a Theodor Herzl, o talentoso banqueiro escreve: «Digo-lhe com toda a franqueza: tremo à ideia da fundação de uma colónia judaica no pleno sentido do termo. Tal colónia tornar-se-ia um gueto, com todos os preconceitos de um gueto. Um pequeno, muito pequeno, Estado judaico, devoto e não liberal, que rejeitará o Cristão e o estrangeiro.» Rothschild talvez se tenha enganado na sua profecia, mas, no entanto, uma coisa é certa: não era anti-semita!

 

Houve, e há, evidentemente, anti-sionistas que também são anti-semitas, mas estou igualmente certo de que há anti-semitas entre os apologistas do sionismo. Posso também assegurar-lhe que muitos sionistas são racistas cuja estrutura mental não difere da de perfeitos judeófobos: procuram sem descanso um ADN judaico (até na universidade onde eu ensino).

 

Para clarificar o que é um ponto de vista anti-sionista, importa, contudo, começar por assentar na definição, ou pelo menos numa série de características do conceito de «sionismo»; vou fazê-lo o mais resumidamente possível.

 

Em primeiro lugar, o sionismo não é o judaísmo, contra o qual constitui até uma revolta radical. Ao longo dos séculos, os judeus devotos alimentaram um profundo fervor em relação à sua terra santa, mais particularmente em relação a Jerusalém, mas ativeram-se ao preceito talmúdico que lhes prescrevia que não emigrassem colectivamente para aí antes da vinda do Messias. Com efeito, a terra não pertence aos judeus, mas sim a Deus. Deus deu e Deus retomou, e quando quiser enviará o Messias para restituir. Quando o sionismo apareceu, retirou do seu trono o «Todo Poderoso» para o substituir pelo sujeito humano activo.

 

Cada um de nós pode pronunciar-se sobre o ponto de saber se o projecto de criar um Estado judaico exclusivo num pedaço de território maioritariamente povoado de Árabes é uma ideia moral. Em 1917, a Palestina contava 700 000 muçulmanos e cristãos árabes e cerca de 60 000 judeus, metade dos quais se opunham ao sionismo. Até então as massas do povo yiddish, querendo fugir aos pogrons do Império Russo, tinham preferido emigrar para o continente americano, que dois milhões efectivamente alcançaram, escapando assim às perseguições nazis (e às do regime de Vichy).

 

Em 1948, havia na Palestina 650 000 judeus e 1,3 milhões de muçulmanos e cristãos árabes, 700 000 dos quais se tornaram refugiados: foi sobre estas bases demográficas que nasceu o Estado do Israel. Apesar disso, e no contexto do extermínio dos judeus da Europa, muitos anti-sionistas chegaram à conclusão de que, se não se quiser criar novas tragédias, convém considerar o Estado do Israel como um facto consumado irreversível. Uma criança nascida de uma violação tem claramente o direito de viver, mas que acontece se esta criança seguir os passos do pai?

 

E chegou o ano de 1967: desde então Israel reina sobre 5,5 milhões de Palestinos, privados de direitos cívicos, políticos e sociais. São sujeitos por Israel a um controlo militar: uma parte deles numa espécie de «reserva de índios» na Margem Ocidental, enquanto outros estão fechados numa «reserva de arame farpado» em Gaza (70% destes são refugiados ou descendentes de refugiados). Israel, que nunca pára de proclamar o seu desejo de paz, considera os territórios conquistados em 1967 como fazendo parte integrante da «terra de Israel», e comporta-se aí a seu bel-prazer: até este momento foram aí instalados 600 000 colonos israelitas judeus? e ainda não acabou!

 

É isso o sionismo de hoje? Não! ? responderão os meus amigos da esquerda sionista, que não pára de encolher, e dirão que é necessário pôr fim à dinâmica da colonização sionista, que um pequeno e estreito Estado palestino deve ser constituído ao lado do Estado do Israel, que o objectivo do sionismo era fundar um Estado onde os judeus exercessem a soberania sobre si próprios e não conquistar na sua totalidade a «antiga pátria». E o mais perigoso de tudo isso, aos seus olhos: a anexação dos territórios ocupados constitui uma ameaça para Israel enquanto Estado judaico.

 

Eis chegado o momento de explicar a V. Exª porque lhe escrevo, e porque me defino como não sionista, ou anti-sionista, sem no entanto me tornar antijudeu. O seu partido político reclama-se da «República», e por isso presumo que seja um republicano fervente. Não sei se para sua surpresa, eu também sou. Por conseguinte, sendo democrata e republicano, eu não posso, como fazem todos os sionistas sem excepção, tanto de direita como de esquerda, apoiar um Estado judaico. O Ministério do Interior israelita recenseia 75% dos seus cidadãos como judeus, 21% como muçulmanos e cristãos árabes e 4% como «outros» (sic). Ora, segundo o espírito das suas leis, Israel não pertence ao conjunto dos Israelitas, mas sim aos judeus do mundo inteiro que não têm intenção de para aí ir viver. Assim, por exemplo, Israel pertence muito mais a Bernard Henry-Lévy e a Alain Finkielkraut do que aos meus estudantes palestino-israelitas que se exprimem em hebraico, às vezes melhor do que eu próprio! Israel também tem a esperança de que um dia virá em que todas as pessoas do CRIF2 e os seus «apoiantes» para aí emigrarão! Conheço até franceses anti-semitas encantados com essa perspectiva! Em contrapartida, já se ouviu dois ministros israelitas, próximos de Benjamin Netanyahu, emitir a ideia de que é necessário incentivar a «transferência» dos israelitas árabes, sem que ninguém tenha pedido que eles se demitam das suas funções.

 

É por isso, Sr. Presidente, que eu não posso ser sionista. Sou um cidadão que deseja que o Estado no qual vive seja uma República israelita e não um Estado comunitário judaico. Descendente de judeus que tantas discriminações sofreram, não quero viver num Estado que, pela sua autodefinição, faz de mim um cidadão dotado de privilégios. Em seu entender, Sr. Presidente, isso faz de mim um anti-semita?

 

Shlomo Sand, historiador israelita

(Traduzido da versão francesa de Michel Bilis)

 

1 Rusga do Velódromo de Inverno de Paris (Rafle du Vélodrome d'Hiver / Vel? d'Hiv): maior detenção em massa de judeus em França durante a Segunda Guerra Mundial, realizada com a ajuda de 7000 polícias franceses por ordem do Governo francês de Vichy. Em 16 e 17 de Julho de 1942, mais de 13 000 pessoas foram presas em Paris e arredores para serem deportadas, a maior parte das quais ficaram encerradas no Velódromo de Inverno de Paris. Menos de cem sobreviveram à deportação.

 

2 Conseil Représentatif des Institutions Juives de France (Conselho Representativo das Instituições Judaicas de França), apoia incondicionalmente a política israelita, nunca reconheceu o direito do povo palestino a um Estado.



Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/carta-aberta-do-historiador-israelita-74118

Caro Rodrigo, 
 
Agradecemos a sua resposta e o facto de ter aberto connosco uma via de diálogo que confirma o percurso e as características do Teatro de Almada. Queremos, no entanto, clarificar os seguintes pontos: 
 
- a campanha de boicote cultural lançada através do apelo de artistas palestinianos em 2004 é de cariz institucional e rege-se por directrizes que visam uma aplicação consistente e com base em princípios universais. Portanto, não é dirigida a indivíduos por eles mesmos, mas sim a instituições culturais cúmplices da política de apartheid do Estado de Israel, tanto pelos seus laços legais ou pelo seu silêncio, ou por serem embaixadores culturais de Israel. 
 
- Como referimos, em 2005 o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel lançou uma campanha de marketing - Brand Israel - que tem por objectivo enviar embaixadores culturais à volta do mundo para branquear as políticas de ocupação e colonização do Estado de Israel. É de salientar que uma das condições exigidas para o financiamento de artistas israelitas é que estes se tornem "embaixadores" representantes do Estado. Aliás, este aspeto é evidente no caso da Kamea, quer pela sua denominação de "embaixadores de Beersheva", quer pelo que ficou claro na carta que partilhou connosco, em que eles descrevem Israel como uma democracia, apesar da maior parte da população que Israel governa não ter o direito de voto ou mesmo direitos básicos.  
 
- Assim sendo, achamos cínica a resposta da Kamea e ingénuo tê-la partilhado connosco como sendo um argumento fidedigno a afirmação de que eles não estão envolvidos na política e são "independentes", quando eles se associam abertamente ao governo e aceitam o papel de embaixadores de uma cidade onde se vive diariamente crimes de guerra, sem tomarem qualquer posição de oposição a este racismo como parte deste papel (critico?) de "embaixadores". A Kamea fala na sua carta da "condição humana", mas não assume nenhuma posição contra a ocupação; ela é composta por bailarinos de várias nacionalidades, mas curiosamente nenhum palestiniano. A arte, como sabe, não existe num vácuo e está intimamente ligada à realidade. Acima de tudo, a arte usada politicamente torna-se propaganda ao serviço de um Estado opressor. 
 
- Relativamente à comparação da realidade em Israel com a da ditadura de Salazar, e a viabilidade da aplicação de um boicote cultural aos dois, queremos sublinhar que a diferença  está no facto de o boicote cultural contra Israel ter sido lançado como pedido de solidariedade pelo povo oprimido, neste caso os palestinianos, sendo a nossa resposta em Portugal uma mensagem clara a Israel que não pode haver "business as usual" com um Estado opressor e uma forma de solidariedade para com a luta do povo palestiniano pela liberdade, justiça e igualdade. Não houve no tempo da ditadura um apelo similar ou unificado vindo de Portugal para o mundo. A analogia mais correta será com o movimento anti-apartheid sul-africano que incluiu também um boicote cultural, mobilizando nos anos 80 figuras da cultura pelo mundo fora, que na altura se recusaram a atuar no apartheid sul-africano. 
 
- A visão que nos transmite de um mundo artístico ignorante à realidade e passivo face à opressão, contrasta com o enorme apoio que o boicote cultural a Israel tem vindo a receber a nível mundial, com nomes como Roger WatersKen LoachMike LeighLauryn HillMark RylanceEmma ThompsonAlice Walker, Naomi KleinElvis CostelloBrian EnoJean Luc GodardMira Nair, entre muitos outros. Um Festival de Almada que fecha os olhos ao apelo de solidariedade de um povo oprimido, escolhendo associar-se ao Estado opressor, torna-se cúmplice desta política. 
 

Lamentamos que o Festival de Almada tenha decidido seguir em frente com a sua associação à embaixada de um país conhecido pelos seus constantes crimes de guerra e, como vimos nesta troca de correspondência, com uma coordenação próxima entre as duas partes que não deixa de ser chocante para um festival conhecido como progressista. Apelamos a que reconsidere a vossa posição e continuamos abertos a uma reunião.



Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/2a-carta-enviada-pelo-comite-de-73953

1ª Carta enviada pelo Comité de Solidariedade com a Palestina ao organizador do Festival de Almada, em 30 junho 2017

 

Exmo Senhor Rodrigo Francisco

 

O Comité de Solidariedade com a Palestina vem apelar à organização do 34º Festival de Almada para que cancele o espectáculo de dança do Kamea Dance Company, a realizar-se no dia 12 de Julho 2017, e recuse o apoio da Embaixada de Israel.

 

A actuação do Kamea Dance Company no prestigiado 34º Festival de Almada vem com o patrocínio da Embaixada de Israel. Esta companhia tem o estatuto oficial de embaixador da cidade de Beer Sheva, onde hoje Israel continua a expulsar comunidades palestinianas com o objectivo de limpeza étnica. Um exemplo disso é a demolição contínua das casas da comunidade palestiniana de Al-Araqib que, em Maio de 2017, foi demolida pela 117ª vez pelas autoridades israelitas. Israel está a ameaçar expulsar mais de 70 000 palestinianos da região do Negev através do plano Prawer, para que sejam instaladas no seu lugar comunidades exclusivamente judias. Israel não faz segredo dos seus planos, como mostra o exemplo da aldeia palestiniana de Um el Hiran, que está hoje em risco de demolição, para ser construído no seu lugar o colonato judio de Hiran.

 

Aliás, de Beer Sheva, cidade da qual a Kamea Dance Company é embaixadora, tiveram de partir milhares de refugiados que hoje se encontram sob bloqueio em Gaza, e a quem o Estado de Israel nega o seu direito de retorno às suas casas.

 

A Kamea Dance Company é portanto um órgão central da campanha de marketing chamada Brand Israel instituída pelo governo israelita, que tem como objectivo explícito apresentar Israel como um "país normal" e desviar a atenção da opinião pública em todo o mundo das contínuas violações dos direitos humanos e do direito internacional pelo governo israelita. Para isso, o governo israelita promove o uso propagandístico da cultura e das artes, e a Kamea Dance Company aceita voluntariamente o papel de embaixador oficial em troca do financiamento que recebe do Estado.

 

Eventos como o Festival de Almada são ocasiões importantes para apresentar o melhor da música, da dança e do teatro, e neles não pode haver espaço para o uso da cultura ou das artes como propaganda. Os laços directos com o governo israelita tornam impossível descrever o papel da Kamea Dance Company como "apolítico". Quando os artistas são cúmplices da opressão de um povo, devem ser boicotados.

 

A solidariedade sincera inclui não só as palavras, mas também o ouvir e responder aos apelos do povo oprimido, que neste caso pedem ao mundo um boicote cultural a Israel e às instituições culturais cúmplices com a sua política, como é o caso da Kamea Dance Company.

 

Inspiradas pela experiência da luta contra o apartheid na África do Sul, mais de 170 organizações da sociedade civil palestiniana lançaram em 2005 o movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra Israel [como meio eficaz e não violento de luta para apoiar a resistência do povo palestiniano, reivindicando o direito de viver em liberdade nas suas próprias terras]. Neste contexto, a Campanha Palestiniana para o Boicote Académico e Cultural de Israel (PACBI) convida a comunidade internacional a boicotar todos os órgãos culturais que mantenham relações institucionais com o governo israelita.

 

A campanha de boicote cultural contra Israel, com base nas directrizes do PACBI, não é dirigida contra os artistas israelitas individuais, mas contra instituições israelitas e os mecanismos através dos quais os artistas se tornam instrumentos da propaganda do regime.

 

O arcebispo e Nobel da Paz sul-africano Desmond Tutu, que esteve com Mandela entre os campeões da luta contra o regime racista na África do Sul, dirigindo-se a quem se declarou neutro perante o conflito entre a minoria branca e a maioria negra nesse país, disse: "Se você é neutro em situações de injustiça, você escolheu o lado do opressor ". Hoje, Desmond Tutu, um forte defensor do BDS, reafirma os mesmos argumentos em relação à situação na Palestina.

 

Pedimos aos organizadores do Festival de Almada para não serem neutros e assumirem publicamente a responsabilidade política e intelectual que diz respeito a todos os assuntos que operam na esfera da cultura, pedimo-vos que cancelem o espectáculo e não aceitem o apoio da embaixada de Israel, seguindo o exemplo do Festival de Cinema Queer de Lisboa, que largou o apoio da embaixada de Israel desde 2011.

 

Gostaríamos de poder reunir-nos convosco, para termos a oportunidade de fornecer mais informações, esclarecer dúvidas e ouvir a vossa opinião.

 

Agradecemos desde já a vossa atenção e aguardamos uma resposta com a maior urgência.



Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/almada-nao-dances-com-o-apartheid-73523

Um artigo de Diana Buttu, advogada e ex-conselheira da equipa de
negociação da OLP.

Traduzido pelo CSP do artigo publicado no New York Times em 26/5/2017:
https://www.nytimes.com/2017/05/26/opinion/palestinian-authority-mahmoud-abbas.html?_r=0


RAMALLAH, CISJORDÂNIA ? A reunião, esta semana, do presidente Trump com
o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, foi apresentada
como um esforço do autor de "A arte do negócio" para reiniciar o
processo de paz patrocinado pelos Estados Unidos, há muito tempo parado.
Mas enquanto o 50º aniversário da ocupação israelita ocorre já no
próximo mês, o que é certo é que o processo está pior que estagnado.
Perante um governo intransigente de direita em Israel, que não acredita
que os palestinianos devam ter plenos direitos, as negociações são
fúteis.

Em que ponto isso deixa o sr. Trump e a política americana de sustentar
a Autoridade Palestiniana e o sr. Abbas? Dado o miserável fracasso das
conversações construído num quadro de falência que favorece fortemente
Israel, cada vez mais palestinianos debatem a necessidade de uma nova
liderança e uma nova estratégia.

Muitos questionam actualmente se a Autoridade Palestiniana desempenha
algum papel positivo ou se é simplesmente um instrumento de controlo
para Israel e a comunidade internacional. A lógica inevitável é que está
na hora de a Autoridade ir-se.

Criada em 1994 sob os Acordos de Oslo, a Autoridade Palestiniana
destinava-se a ser um órgão temporário que se transformaria num governo
com plenas funções, logo que estivesse garantido o Estado, o que foi
prometido para 1999. A jurisdição da Autoridade foi portanto sempre
limitada. Ela é responsável por apenas 18 por cento da Cisjordânia
(dividida em oito áreas). Comparados com o total do controlo de Israel
sobre a Cisjordânia ocupada e a faixa de Gaza, os poderes da Autoridade
Palestiniana são insignificantes.

Para muitos palestinianos, no entanto, o estabelecimento de seu governo
era um sonho realizado. Finalmente, aqueles que viviam sob a ocupação
desde 1967 seriam libertados do regime repressivo militar de Israel para
se governarem eles próprios. Os palestinianos reivindicavam postos na
nova entidade e tinham orgulho em criar instituições apesar dos
obstáculos impostos pelo governo israelita. Como as negociações se
arrastaram em Oslo, essas instituições só se tornaram ainda mais
entrincheiradas.

Mais de duas décadas depois, as negociações não produziram nenhum
progresso. Passei vários anos envolvida no lado palestiniano das
negociações e posso atestar a sua futilidade. Delegados palestinianos,
que precisavam de autorização para entrar em Israel a fim de participar
nas conversações, ficavam rotineiramente retidos nos checkpoints
israelitas. Quando falávamos de direito internacional e da ilegalidade
dos colonatos, os negociadores israelitas riam-se na nossa cara.
O poder é tudo, pareciam eles dizer, e vocês não têm nenhum.

Com o tempo, ficou claro que o orçamento e as prioridades da Autoridade
eram principalmente destinadas a assegurar que os palestinianos
permanecessem um dos povos mais vigiados e controlados do planeta. Com
efeito, a Autoridade Palestiniana serviu como subempreiteiro das forças
armadas israelitas de ocupação. A pesada centralização na segurança,
disseram-nos, era necessária para a continuação duradora das
conversações de paz. Hoje, um terço inteiro do orçamento da Autoridade,
aproximadamente 4 bilhões de dólares, vai para o policiamento, mais do
que para a saúde e a educação juntas.

Estas forças de segurança não fornecem um serviço de polícia normal aos
palestinianos, e em vez disso, ajudam o exército israelita na manutenção
da ocupação e dos colonatos de Israel em permanente expansão. A
internacionalmente elogiada "cooperação de segurança" entre Israel e a
Autoridade Palestiniana só resultou na detenção e prisão de
palestinianos, incluindo activistas não-violentos dos direitos humanos,
enquanto é permitido aos colonos israelitas armados e violentos
aterrorizar os palestinianos com total impunidade. A Autoridade
Palestiniana não tem jurisdição sobre os colonos, e o exército israelita
quase sempre olha para o lado.

A razão de ser da Autoridade Palestiniana hoje não é a de libertar a
Palestina; é de manter os palestinianos silenciosos e abafar as
divergências enquanto Israel rouba terras, destrói casas palestinianas e
constrói e expande colonatos. Em vez de se tornar um Estado soberano, a
Autoridade Palestiniana tornou-se um Estado proto-policial, uma ditadura
virtual, apoiada e financiada pela comunidade internacional.

Olhem para o seu líder. Com oitenta e dois anos, o sr. Abbas vem
controlando a Autoridade há mais de 12 anos, governando por decreto
presidencial durante a maioria desse tempo, sem nenhum mandato
eleitoral. Ele presidiu a alguns dos piores dias da história da
Palestina, incluindo a desastrosa cisão, que já dura há uma década,
entre o seu partido Fatah e o Hamas, o outro jogador importante na
política palestiniana, e a três ataques militares israelitas a Gaza
devastadores.

Sob a sua presidência, o parlamento palestiniano tornou-se moribundo e
irrelevante. Muitos palestinianos nunca votaram em eleições
presidenciais ou parlamentares porque o sr. Abbas não conseguiu
conservá-los, muito embora eles sejam chamados na lei básica que rege a
Autoridade Palestiniana. As últimas sondagens de opinião mostram que a
sua popularidade está no nível mais baixo de sempre, com dois terços dos
palestinianos tão descontentes que querem a sua demissão.

Um número igualmente alto já não acredita que as negociações irão
garantir a sua liberdade. A Autoridade Palestiniana institucionaliza a
dependência perante os doadores internacionais, que amarra as mãos da
Autoridade com condições políticas. Em consequência, até o uso do
Tribunal Penal Internacional para responsabilizar Israel pela construção
ilegal de colonatos tem de ser pesado contra as eventuais repercussões
financeiras de um acto tão simples.

Para eliminar este laço que tem sufocado os palestinianos, a Autoridade
deve ser substituída pelo tipo de tomada de decisão baseada na
comunidade que antecedeu a sua criação. E temos de reformar o nosso
principal órgão político, a Organização de Libertação da Palestina, que
o Sr. Abbas também lidera, para torná-lo mais representativo do povo
palestiniano e dos seus partidos políticos, incluindo o Hamas. Há muito
que o Hamas indicou que quer ser parte da OLP, e a sua carta revista,
recentemente lançada em Doha, no Qatar, afirma esta aspiração.

Com o processo de negociação morto, por que devem os palestinos ser
forçados a agarrarem-se à Autoridade Palestiniana, que só tem
prejudicado a sua luta de décadas pela justiça e ajudado a dividi-los?

Dado que existem cerca de 150.000 funcionários que dependem da
Autoridade para receber o seu salário, não tenho nenhuma ilusão de que
fechá-la será fácil ou sem sofrimento. Mas este é o único caminho para
restaurar a nossa dignidade e uma tomada de decisão palestiniana
independente. Uma OLP reformada, com a sua credibilidade renovada, será
capaz de aumentar os fundos de palestinianos e nações amigas para apoiar
aqueles que vivem sob a ocupação, como fazia antes do processo de Oslo.

Para alguns, isto pode soar à desistência do sonho nacional de
autodeterminação. Não é. Ao desmantelar a Autoridade, os palestinianos
podem de novo confrontar a ocupação israelita de forma estratégica,
oposta às propostas de um Estado meramente simbólicas do sr. Abbas. Isso
significa apoiar as iniciativas baseadas na comunidade que organizam
protestos de massa não-violentos e pressionam para haver boicotes,
desinvestimento e sanções contra Israel, como aqueles que ajudaram a
acabar com o apartheid na África do Sul.

Esta nova estratégia pode significar reivindicar direitos iguais dentro
de um único Estado, um resultado infinitamente mais justo e atingível
que o processo apoiado pelos americanos que pretendia que a paz poderia
vir ignorando os direitos dos refugiados palestinianos e dos cidadãos
palestinianos de Israel. Já mais de um terço dos palestinianos dos
territórios ocupados defende a solução de um Estado único, sem que
nenhum grande partido defenda essa política.

Ao desmantelar a Autoridade Palestiniana e reformar a OLP, a verdadeira
vontade dos palestinianos será ouvida. Se o desfecho é dois Estados ou
um Estado, cabe a esta geração de palestinianos decidir.


Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/por-que-a-autoridade-palestiniana-73419

Publicamos aqui a carta de demissão de Rima Khalaf, secretária executiva da ESCWA (Comissão Económica e Social para a Ásia ocidental), em resposta ao pedido formal de António Guterres, secretário-geral da ONU, para que a ESCWA retirasse a publicação de um relatório que acusa Israel de ser um Estado de apartheid.



Caro Senhor Secretário Geral,

Considerei com atenção a sua mensagem transmitida pelo Chefe de gabinete e asseguro-lhe que em nenhum momento pus em questão o seu direito de retirar a publicação do relatório do nosso site internet ou o facto de que todos nós que trabalhamos para o secretariado estejamos submetidos à autoridade do secretário-geral. Assim como não tenho nenhuma dúvida com respeito ao seu empenho perante os direitos humanos em geral, e a sua posição firme relativa aos direitos do povo palestiniano. Também compreendo as suas preocupações, em particular nestes tempos difíceis que lhe deixam pouca escolha.

Não sou insensível aos ataques viciosos e às ameaças que pesam sobre as Nações Unidas e sobre si pessoalmente por parte de importantes Estados-membros como resposta à publicação do relatório da ESCWA intitulado "As práticas de Israel para com os palestinianos e a questão do apartheid". Não me parece surpreendente que tais Estados-membros, actualmente com governos que se preocupam pouco com as normas e os valores internacionais relativos aos direitos humanos, recorram à intimidação quando lhes parece difícil defender as suas políticas e práticas ilícitas. É normal que os criminosos pressionem e ataquem aqueles que defendem as suas vítimas. Eu não posso submeter-me a uma tal pressão.

Não é em virtude do meu estatuto de oficial internacional, mas em virtude do meu estatuto de ser humano honesto, que acredito, como o senhor, nos valores e princípios universais que sempre foram as linhas de conduta do bem na história humana, e sobre os quais uma organização como a nossa, as Nações Unidas, é fundada. Como o senhor, considero que a discriminação contra qualquer pessoa por motivos da sua religião, da cor da sua pele, do seu sexo ou da sua origem étnica é inaceitável, e que tais discriminações não podem tornar-se aceitáveis por via dos cálculos do oportunismo ou do poder político. Considero ainda que os povos não só deveriam ter o direito de dizer a verdade ao poder, mas que eles têm o dever de o fazer.

No espaço de dois meses, o senhor pediu-me que retirasse dois relatórios produzidos pela ESCWA, não por causa de erros que tivessem sido cometidos nesses relatórios, e provavelmente não porque o senhor estivesse em desacordo com o seu conteúdo, mais por causa da pressão política exercida pelos Estados-membros que violam gravemente o direito dos povos da região.

O senhor viu que os povos dessa região vivem um período de sofrimento nunca visto na história moderna, e que o número considerável de catástrofes hoje resulta do fluxo de injustiças que foram ignoradas, escondidas ou abertamente aprovadas por governos poderosos dentro e fora da região. Esses mesmos governos são os que estão a pressioná-lo para fazer calar a voz da verdade e o apelo à justiça apresentados nesses relatórios.

Considerando o que precede, eu não posso senão manter as conclusões do relatório da ESCAW, segundo as quais o Estado de Israel estabeleceu um regime de apartheid que procura o domínio de um grupo racial sobre outro. As provas trazidas neste relatório redigido por peritos de renome são numerosas. Todos os que atacaram esse relatório não disseram uma palavra sobre o seu conteúdo. Considero como um dever meu, em vez de eliminar as provas, divulgar o facto legalmente e moralmente indefensável de que no século XXI ainda existe um Estado de apartheid. Ao dizer isto, não estou a afirmar nenhuma superioridade moral ou visão superior. A minha posição é influenciada por uma vida de experiências onde vi as consequências desastrosas para a paz quando se bloqueia as queixas dos povos da nossa região.

Percebo que tenho pouca escolha. Não posso agora retirar mais outro dossier das Nações Unidas bem documentado e resultado de investigações aprofundadas sobre graves violações dos direitos humanos, embora saiba que instruções claras do secretário-geral devam ser aplicadas rapidamente. É um dilema que só posso resolver pela minha demissão para permitir que outra pessoa faça aquilo que eu não posso fazer em boa consciência. Sei que já só tenho duas semanas no meu posto; a minha demissão não se destina portanto a exercer qualquer pressão política. É simplesmente porque penso que é meu dever para com os povos que servimos, para com as Nações Unidas e para comigo mesma, não retirar um testemunho honesto sobre um crime em curso que está na origem de tanto sofrimento humano. Por consequência, venho entregar-lhe a minha demissão das Nações Unidas.

Respeitosamente,

Rima Khalaf


Traduzido pelo CSP da versão francesa publicada em 21 mars 2017 em http://www.france-palestine.org/Lettre-de-demission-de-Rima-Khalaf-secretaire-executive-de-l-ESCWA-commission



Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/antonio-guterres-proibe-relatorios-que-73160

Fotógrafos pela Palestina - 18Nov2018 22:12:13

Este apelo foi lançado hoje em Portugal no âmbito da campanha internacional de BDS / Boicote-Desinvestimento-Sanções

 

Caro/a fotógrafo/a,

 

Na Palestina, não fosse o trabalho dos fotógrafos, nunca conseguiríamos capturar a verdadeira imagem da ocupação e da violação dos direitos humanos.

 

Por isso mesmo, Israel pressiona cada vez mais os fotógrafos palestinianos e internacionais que tentam transmitir uma imagem mais próxima da realidade.

 

Aqui damos apenas alguns exemplos dos muitos abusos contra fotógrafos. A muitos deles foi negada a liberdade de movimento para poder realizar o seu trabalho. Outros foram humilhados, obrigados a tirarem a roupa para poderem passar as barreiras de segurança com vista a realizar o seu trabalho.

 

Em Abril de 2016, o fotógrafo Hazem Naser foi detido pelas forças israelitas. Em Setembro, o fotógrafo Nidal Shatayyah foi ferido perto de Jerusalém. Nesse mesmo mês, o fotógrafo Ashraf Amra, que já foi várias vezes ferido ao longo da sua carreira, foi impedido de sair de Gaza ? que está sob o bloqueio ? para receber um prémio numa competição internacional.

 

Em plena violação da lei internacional, foram assassinados vários fotógrafos palestinianos pelo exército israelita, entre os quais Rami Rayan e Muhamad Nur-alDin al-Diari, e outros internacionais como o italiano Simone Camille e o inglês Tom Hurndall.

 

Em solidariedade com os fotógrafos palestinianos e internacionais que arriscam a vida todos os dias para transmitir uma imagem verdadeira da situação na Palestina, em memória dos que morreram com uma câmara na mão, e respondendo ao apelo palestiniano para uma campanha internacional de boicote, desinvestimento e sanções (BDS), convidamo-lo/la a não ficar indiferente e a assinar este compromisso como forma de solidariedade com o povo palestiniano e de contributo para que todos os seres humanos tenham direito à igualdade, liberdade e justiça.

 

 

O compromisso resume-se nesta declaração:      

 

"Apoiamos a luta palestiniana pela liberdade, justiça e igualdade. Em resposta ao apelo de fotógrafos, jornalistas e trabalhadores culturais palestinianos para um boicote cultural a Israel, comprometemo-nos a não aceitar convites profissionais ou financiamentos do Estado israelita ou de qualquer instituição ligada ao seu governo, até que Israel cumpra com a lei internacional e  os princípios universais de direitos humanos."

 

Por favor, considere adicionar o seu nome a este compromisso. Os nomes dos apoiantes não serão publicados até ser atingida uma massa crítica e os apoiantes serem notificados.

 

Se quiser assinar, por favor utilize este formulário, onde o texto do compromisso está integral. Os organizadores da campanha estão disponíveis para responder a qualquer questão ou comentário através do email comitepalestina@bdsportugal.org

 

Cumprimentos,

Plataforma BDS-Portugal

 ---------------------

 

 

Para mais informação/enquadramento:

Preparámos esta folha que responde a questões sobre o compromisso e sobre o boicote cultural a Israel e os seus objectivos.

 

O apelo da Campanha Palestiniana para o Boicote Cultural e Académico pode ser consultado aqui: http://pacbi.org/etemplate.php?id=869



Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/fotografos-pela-palestina-72932

Nakba é a palavra árabe para designar a cata?trofe que foi a fundação do Estado de Israel no território da Palestina. A "catástrofe" deveu-se ao facto de existir um povo de carne e osso nessas terras supostamente desabitadas que iriam abrigar a invenção de um "povo judeu". A catástrofe foram os massacres de 1947-48 pelas milícias sionistas, a destruição de aldeias palestinianas e a expulsão dos seus habitantes.

 

A grande tragédia desta catástrofe é a voracidade insaciável do Estado de Israel, que até hoje omite desenhar as suas fronteiras nacionais em qualquer atlas geográfico, na certeza de que elas serão sempre e sempre alargadas. O projecto sionista desde o seu início é o de estender os limites do Estado judeu sobre todo o território da Palestina histórica. Como já dizia Himmler a propósito da Polónia, "não é possível germanizar o povo, é preciso germanizar o território". E, como na verdade, a Palestina não era nem é "uma terra sem povo", a limpeza étnica sempre foi tarefa essencial do projecto sionista. Assim, temos assistido desde há quase 70 anos, sob a fiel cumplicidade da maioria dos governos democráticos, ao lento mas progressivo genocídio do povo palestiniano.

 

Logo após a tomada de posse de Trump, Israel anunciava a construção de mais 566 alojamentos em Jerusalém-oriental e 2.500 na Cisjordânia, dois territórios palestinianos ocupados ilegalmente segundo o direito internacional. (Porque a ocupação e usurpação de terras que teve lugar entre 1948 e 1967 é considerada ainda hoje dentro da legalidade internacional).

 

O genocídio segue o seu curso, não só pela extensão de cada vez mais colonatos judeus em cima de casas, terras agrícolas e aldeias palestinianas destruídas pelas forças militares e policiais israelitas, mas também pelo bloqueio à Faixa de Gaza, onde uma população de quase dois milhões de palestinianos vive cercada, sem acesso a água potável, a medicamentos e cuidados médicos, mal nutrida e regularmente bombardeada pelo exército israelita.

 

O intuito do genocídio está presente na política colonial quotidiana de Israel. Vemo-lo no recente anúncio da construção de mais colonatos, e vemo-lo nos esforços para privar os palestinianos de qualquer meio de subsistência. Um despacho de 25 de Janeiro da agência noticiosa Ma'an News reportava, por exemplo, que aviões israelitas estavam a pulverizar com químicos herbicidas as culturas agrícolas ao longo da fronteira de Gaza, numa zona onde se concentra toda a reserva de alimentos da Faixa de Gaza. O pretexto evocado para esta acção é o de manter uma zona de segurança com a visibilidade necessária para impedir a "infiltração" de palestinianos. Os estragos provocados por esses produtos químicos não se limitam à zona fronteiriça e penetram até mais de um quilómetro no interior da Faixa, destruindo os poucos meios de subsistência que ainda restam a uma população encurralada neste imenso campo de concentração em que se tornou Gaza.

 

Perante a impunidade de que goza o Estado de Israel, a cumplicidade descarada de Trump ou a cumplicidade dissimulada dos governos da União Europeia, se nos sobra ainda algum optimismo quanto à sobrevivência do povo palestiniano, é porque vemos que não foi possível quebrar a sua capacidade de resistência ao fim destas sete décadas de martírio. Ainda na semana passada, e segundo o jornal  L'humanité, uma greve geral foi massivamente seguida em várias localidades árabes de Israel, sobretudo no Neguev e em Nazaré, para protestar contra mais uma destruição de casas no deserto do Neguev, que levou à morte de dois beduínos alvejados por polícias israelitas.

 

Resta-nos também uma ponta de optimismo por sabermos que podemos, também nós aqui na Europa, apoiar e fortalecer essa resistência respondendo ao apelo dos sindicatos, associações e outros agrupamentos da Palestina para pressionar Israel através da campanha BDS - Boicote, Desinvestimento e Sanções - a cessar a sua política de ocupação, apartheid e opressão na Palestina.


Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/resistir-contra-o-lento-genocidio-de-um-72641

Artigo de Robert Fisk - 18Nov2018 22:12:13

A conferência de paz de Paris foi mais que inútil - todos sabem que uma solução de dois Estados em Israel e Palestina é impossível agora

 

Mesmo para o que as conferências de paz costumam ser, esta foi a mais miserável de todas. Patética, sem esperança, infeliz, abatida, morta antes do seu tempo. Trump não enviou ninguém, Netanyahu chamou-lhe ?as últimas contorções do mundo de ontem?, o autocrático Mahmoud Abbas não se deu ao trabalho de aparecer e o secretário de Estado de Theresa May apenas enviou uma mão-cheia de subordinados para a palhaçada. John Kerry, que disse há dois anos que a paz entre israelitas e palestinianos tinha no máximo 18 meses para acontecer ?ou acabava?, anunciou debilmente que a reunião de 70 nações em Paris tinha ?lançado a bola para a frente? ? seja o que for que isto queira dizer. Então, para que foi tudo isto?

Sem dúvida, François Hollande ? se alguma vez houve um imperador sem roupas, foi ele ? quis restaurar o lugar da França entre as nações, enquanto as nações da UE e os árabes quiseram "contorcer-se" uma última vez ? mesmo se foi apenas para se prepararem para o fracasso e alijarem qualquer responsabilidade. Solução de dois Estados? Jerusalém como capital? Ocupação? Roubo de terras? Refugiados? Nós fizemos uma última tentativa. Não podem dizer que não vos avisámos. Não nos culpem, pá. Até mesmo os russos só enviaram o seu embaixador em Paris para a conferência de "paz". Mas o que esperavam eles todos?

Que a nova marioneta de Trump para a embaixada em Israel escolheria ficar em Telavive? Que Benjamin Netanyahu, o colonizador e colono-mor, não faria mais exigências territoriais? Que os palestinianos, a perderem todos os dias hectares de terras roubadas pelos israelitas, mas agarrados a um líder cuja legitimidade depende de Israel e não deles, reiniciariam as negociações com os seus ocupantes? E foi assim que falaram em Paris os grandes e os bons: não deverás prejudicar o resultado das negociações dando passos unilaterais. E isto, anunciou um porta-voz francês, foi uma "mensagem subliminar" para Trump.

Oh deuses! Trump não recebe ?mensagens subliminares?. Ele envia tweetts: ?Mantém-te forte, Israel?. Como se responde a isso? Mas talvez os moços e as moças em Paris tenham entendido a mensagem. Nem uma vez eles proferiram a palavra "ocupação", muito menos "apartheid". Eles não mencionaram sequer a pequena questão de mudar a embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém. Isso seria "inadequado", disse o poderoso Kerry. E isso é que era suposto ser uma "mensagem forte" ao primeiro-ministro de Israel (claramente Trump) e ao presidente dos Estados Unidos (obviamente Netanyahu): que a solução de dois Estados era realmente a única que estava sobre a mesa.

E assim a tragédia palestiniana continua a deslizar nas agendas nacionais de notícias ? para deleite de Israel ? ensanduichada algures entre mortes em acidentes e prémios académicos, mas muito atrás de Trump e Putin, Rússia no Médio Oriente, ISIS, Brexit, imigrantes europeus e o aquecimento global. O maior vulcão do mundo está a borbulhar lá na Palestina, mas um dos maiores icebergues do mundo está prestes a descolar-se do Antárctico. Adivinha-se qual deles conseguirá a maior manchete.

O que é que deu aos nossos líderes? Os charlatães de Theresa May estão preocupados em que a conferência de Paris possa "endurecer" as posições palestinianas ? possa "endurecer" os palestinianos, por amor de deus ? enquanto a Austrália continua a ver o primeiro veto de Obama a uma resolução da ONU contra a expansão dos colonatos como "profundamente inquietante". Parece que Malcolm Turnbull acha inquietante discutir os colonatos israelitas, quando toda a gente considera inquietante os colonatos. Então o que será pior: a pusilanimidade de Turnbull, ou May a dar graxa ao principal espião do Kremlin em vias de entrar na Casa Branca? Para ela, não existe mandato britânico na Palestina.

Qualquer pessoa que tenha visitado a Cisjordânia nestes últimos anos viu os colonatos judeus construídos em terras árabes roubadas, testemunhou a ocupação e a imundície em Gaza e observou os brutais dirigentes das milícias do Hamas ? e percebeu que Netanyahu será em breve o membro mais à esquerda do seu governo cada vez mais racista ? sabe muito bem que a ?solução dos dois Estados? desapareceu há muito tempo. Por que teremos realmente pensado que ela iria sobreviver à cirurgia política do nosso querido antigo manda-chuva no Médio Oriente, Tony Blair? Como ele diria se fosse sincero, toda essa farsa acabou "absolutamente e completamente".

E o resto dos árabes? Oh Senhor, Senhor. Nós aceitamos os decapitadores do Golfo, o ditador do Egipto e os "rebeldes" da Síria. Nós vendemos armas aos sauditas para eles bombardearem os iemenitas ? o que pode "endurecer" bastante a posição do Iémen ? e enviamos dinheiro para o Líbano para manter os refugiados sírios no local, porque a sua presença massiva entre nós seria "profundamente inquietante". Nós adorámos os rebeldes de Aleppo e odiamos os rebeldes de Mossul e qualquer comparação entre eles seria sem dúvida "altamente inadequada". Agora há uma "mensagem subliminar" se alguma vez houve uma. Chama-se "lançando a bola para a frente".


Este artigo foi publicado no Independent, de 16.1.2017:

http://www.independent.co.uk/voices/paris-peace-conference-israel-palestine-settlements-two-state-solution-middle-east-impossible-a7529141.html

A tradução portuguesa é do Comité de Solidariedade com a Palestina



Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/artigo-de-robert-fisk-72273

A caminho de um desastre em Gaza

 

 

Mulher palestiniana a cozer pão numa tenda, no sul de Gaza, dezembro 2016. Foto de Ibraheem Abu Mustafa (Reuters)

 

 

Israel alega que desde a sua retirada em 2005, já não controla a faixa de Gaza e não tem qualquer responsabilidade para com os cerca de 2 milhões de residentes. Tanto o governo do Hamas em Gaza como a Autoridade Palestiniana na Cisjordânia insistem em que Israel é responsável, ao mesmo tempo que se lançam culpas uns aos outros. A população de Gaza culpa as três partes, assim como a comunidade internacional. Mas o ministério da Defesa, os serviços de segurança do Shin Bet e o Coordenador das Actividades Governamentais nos Territórios [COGAT] estão formados por pessoas cujo trabalho requer um conhecimento sobre a situação catastrófica em Gaza, que está cada vez pior.

 

A discussão sobre se Israel tem o controlo efectivo sobre Gaza não altera os factos: cerca de 95 por cento da água no aquífero de Gaza não é boa para beber, e a água tratada é distribuída às famílias em condições anti-higiénicas; há electricidade durante oito horas por dia ou menos; cerca de 100 milhões litros de esgoto fluem para o mar todos os dias, tanto por causa da falta de energia como por causa dos atrasos em fazer-se chegar peças subselentes e novas bombas até Gaza; os resíduos de munições israelitas usadas afectam o meio ambiente e a saúde das pessoas de formas que ainda estão por investigar; o desemprego aumentou para cerca de 40 por cento, porque as restrições de movimento israelitas têm estrangulado a produção; e centenas de milhares de jovens que nunca saíram deste enclave sobrelotado não conhecem outra realidade.

 

Cada problema afecta e intensifica os outros, e é impossível separá-los. Se eles estão a aumentar a incidência de doenças em Gaza ou não cabe aos investigadores determinar. Mas de qualquer forma, milhares de pacientes não conseguem obter cuidados adequados.

 

Os comentadores na internet têm o direito de se mostrar indiferentes à existência de pacientes com cancro aos quais Israel ? num processo desprovido de transparência e de supervisão externa ? não permite de sairem de Gaza para obterem tratamento médico, ou aos quais vai atrasando a concessão de autorizações até que a doença piore ("Pacientes de Gaza com cancro: a recusa de Israel de deixar-nos entrar para obter tratamento é uma 'sentença de morte'", Jack Khoury, Haaretz, 6 de Janeiro).

 

Mas o COGAT, que sabia exactamente como colher benefícios de relações públicas ao deixar familiares de Ismail Haniyeh, o primeiro-ministro de Gaza, obter tratamento médico em Israel, também sabe muito bem que, quando organizações como Médicos pelos Direitos Humanos e Gisha intervêm, as restrições de segurança são frequentemente levantadas.

 

Os refilões da comunicação social podem dizer que não é da nossa conta o que acontece a 10 quilómetros de Sderot e a três do kibbutz Zikim. Os tomadores de decisões, pelo contrário, sabem muito bem que os esgotos ligados ao mar e as doenças infecciosas não têm fronteiras.

 

Que Israel seja responsável ou não, é ele que tem a chave. O seu hábito de brincar com as vidas dos pacientes, que se aproxima do sadismo, tem de parar. Israel deve criar um processo supervisionado, transparente e humano para os pacientes saírem de Gaza, como um primeiro passo para uma renovação fundamental da sua táctica falhada de bloqueio da faixa de Gaza. Ele tem de enviar água para Gaza em quantidade suficiente para salvar o aquífero e instalar linhas de electricidade adicionais para Gaza de maneira a deter a devastação ambiental. Israel tem a capacidade e a responsabilidade de evitar que o aviso da ONU se realize: o de que, em 2020, Gaza já não terá condições para a habitação humana.

 

 

O texto que segue é o editorial do jornal israelita Haaretz, de 10 de janeiro 2017

O texto original está publicado em:

http://www.haaretz.com/opinion/editorial/1.764055

A tradução portuguesa é do Comité de Solidariedade com a Palestina



Fonte: https://palestinavence.blogs.sapo.pt/haaretz-editorial-de-10-jan-2017-72151